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sexta-feira, 23 de dezembro de 2016

O CANGAÇO NO CINEMA E NA LITERATURA NACIONAL

Chico Diaz e Dira Paes em "Corisco e Dadá"

O cangaço foi um fenômeno do Nordeste ocasionado pelas questões sociais, a fome, a seca, a luta pela terra, o desejo de vingança de homens oprimidos ou vítimas de algum tipo de violência.

Começou em meados do século XIX e terminou nos primeiros anos do século XX.

Os cangaceiros eram bandidos que roubavam e matavam, andavam pelo sertão fugindo dos soldados que formaram grupos chamados “volantes” para perseguir os bandoleiros.

Virgulino Ferreira, natural de Serra Talhada, no Sertão de Pernambuco, foi o mais famoso desses marginais, chamado de o “Rei do Cangaço”.

Outro muito conhecido foi Corisco, que inclusive fez parte do bando de Lampião, depois formou seu próprio grupo,  como estratégia para escapar das volantes e viveu o suficiente para matar os que traíram o seu compadre Virgulino.

Diversos livros de não ficção tratam do tema do cangaço e especialmente de Lampião e Maria Bonita, sua companheira.

Aqui em Garanhuns e região o professor Antônio Vilela já publicou vários livros de não ficção, registrando histórias ligadas ao cangaço e Júnior Almeida, de Capoeiras, escreveu e editou “A Volta do Rei do Cangaço”, uma ficção que faz do Capitão Virgulino um justiceiro vítima de uma espécie de maldição, tornando-o imortal.

Na literatura nacional também temos referência ao fenômeno em escritores do porte de José Lins do Rego (romance Os Cangaceiros), Guimarães Rosa (em Grande Sertão: Veredas, sua obra prima), Raquel de Queiroz (O Quinze), Ariano Suassuna (O Auto da Compadecida) e Frances de Pontes Peebles (A Costureira e o Cangaceiro).

Frances é natural da pequena cidade de Taquaritinga do Norte, no Agreste do Estado. Viveu também no Recife, mas ainda criança foi morar nos Estados Unidos, em Miami, depois passando a viver em Chicago.

Ela escreveu um livro muito bom sobre o cangaço, com um diferencial da obra dos outros autores, porque no seu romance ela observa o fenômeno do banditismo no Nordeste sob a perspectiva feminina.

Seu livro vai virar filme no próximo ano e o longa irá virar uma minissérie a ser exibida na TV Globo.

O diretor de A Costureira e o Cangaceiro será Breno Silveira, cineasta que tem no currículo bons filmes como Dois Filhos de Francisco, Gonzaga de Pai Pra Filho e Eu, Tu e Eles.

É mais um filme nacional para se somar a dezenas de outros que levaram a temática do cangaço ao cinema.

Segundo estudiosos do assunto os pioneiros em abordar o tema na tela grande foram os pernambucanos Tancredo Seabra, com Filho sem Mãe (1925) e Jota Soares, que realizou Desaparecido (1926).

Possivelmente o melhor longa-metragem sobre o tema é “O Cangaceiro” (de 1953, na imagem ao lado), do paulista Lima Barreto (não confundir o cineasta com o escritor), que ficou com o prêmio de Melhor Filme de Aventura no prestigiado Festival de Cinema de Cannes, na França.

A Morte Comanda o Cangaço, de Carlos Coimbra, é de 1960. O mesmo diretor realizou Lampião o Rei do Cangaço, em 1964 e Corisco, o Diabo Loiro, no ano de 1969.

Glauber Rocha, o baiano considerado gênio, que produzia filmes difíceis de entender, mas que foi aclamado como cineasta no Brasil e no mundo,  tem duas de suas mais importantes obras com abordagem da questão do cangaço no Nordeste Brasileiro.

Em “Deus e o Diabo na Terra do Sol” (1964) e “O Dragão da Maldade contra o Santo Guerreiro” (1969), os cangaceiros são personagens importantes da história contada nesses filmes.

O ano de 1969 teve outro filme em cima da temática que nós estamos tratando: Anselmo Duarte, único brasileiro a ganhar a Palma de Ouro em Cannes, com “O Pagador de Promessas” (baseado na obra de Dias Gomes), dirigiu o “Quelé do Pajeú”, que tem Tarcísio Meira no papel principal.

Outro bom filme sobre o cangaço é “Corisco e Dadá”, de 1996, com direção de Rosenberg Cariry. A história do bandido é bem contada na tela grande e o elenco tem atores de bom nível, como Chico Dias e Dira Paes.

Do mesmo ano do trabalho citado anteriormente é “O Baile Perfumado” (imagem acima), dos pernambucanos Paulo Caldas e Lírio Ferreira. O filme foi bem recebido pela crítica e pelo público.

Lírio e Paulo conduziram bem o filme, fizeram uma abordagem diferente de outros diretores e contaram com bons atores no elenco, a exemplo de Chico Diaz, o veterano Jofre Soares e o pernambucano Aramis Trindade.

O banditismo praticado por rebeldes nordestinos rendeu até filmes de humor como “A Compadecida”, de 1969, baseado na obra de Ariano Suassuna. O longa teve direção de George Jonas e foi estrelado por atores do gabarito de Regina Duarte, Antônio Fagundes, Armando Bogus e Ary Toledo. 

Dez anos antes, em 1959, o cineasta carioca Victor Lima dirigiu Ronaldo Golias, Grande Otelo e Ankito no engraçado "Os Três Cangaceiros", que como não poderia deixar de ser fez sucesso e arrancou boas gargalhadas do público.

Em 1983,  Daniel Filho dirigiu “O Cangaceiro Trapalhão”, com Renato Aragão à frente do elenco.

Guel Arraes, filho do ex-governador Miguel Arraes, que trabalha na TV Globo, fez uma nova adaptação da obra de Ariano Suassuna em 1999. O “Auto da Compadecida” (imagem abaixo) foi sucesso no cinema e na TV e foi estrelado por um timaço de atores: Selton Mello, Matheus Nachtergaele, Fernanda Montenegro, Lima Duarte, Denise Fraga e Marcos Nanini.

Os livros e filmes produzidos sobre o cangaço mostram como foi importante esse fenômeno social na história do Nordeste e do Brasil.

É um tema que ainda deve render mais livros e filmes, sempre com um escritor ou cineasta tendo algo novo a apresentar.

“Se os americanos têm os cowboys e os japoneses, os samurais, nós temos os cangaceiros”, escreveu Marcelo Souza Vieira no resumo de sua tese de doutorado na Universidade Estadual de Campinas, um estudo exatamente sobre a presença do cangaço no cinema brasileiro.

Como se vê, Lampião, Corisco, Maria Bonita, Dadá e outros personagens famosos do cangaço estão nos livros de não ficção, na literatura, nos cordéis vendidos na feira, no cinema, na TV e nas teses acadêmicas das universidades.

Há como que uma atração por esses foras da lei, tratados por alguns como vingadores ou heróis do povo nordestino.
Grande Otelo, Golias e Ankito 
em "Os Três Cangaceiros
Yoná Magalhães, Geraldo Del Rey e Othon 
Bastos em "Deus e o Diabo na Terra do Sol"

Um comentário:

  1. Desde menino que ouço pelas rádios e noticiários,dentro da família e na roda entre amigos nas escolas e nas ruas alguém comentando sobre o tema VIOLÊNCIA.

    Esse mal que ainda hoje amedronta todo mundo.Alguns antes defendiam que a melhor maneira de armar contra a violência é dando armas a população.Que todos os comerciantes,fazendeiros,proprietários residenciais,pessoas influentes pudessem ter com facilidade um porte de arma ou portar armas.Bastava apenas armar a população e tudo seria resolvido e a paz voltava a reinar.Mas não foi isto o que vimos durante estes 50 anos de existência.

    Com a chegada dos governos civis ao poder começou uma caçada ao porte ilegal de armas.As polícias correram a pé,de carro atrás de pessoas armadas.As polícias tomavam as armas e os políticos conseguiam de volta e davam aos seus verdadeiros donos. Na outra semana alguns afoitos faziam questão de mostrá-la para todo mundo ver e alguns diziam em praça pública,eles os policiais tomaram as armas e hoje eu tenho elas de volta.Foi isto que eu presenciei por muitos anos.As polícias ficaram desmoralizadas perante a sociedade.Tomar armas para que que se depois elas e eles conseguem de volta?

    De 1980 para cá as coisas começaram a mudar.As polícias passaram a ter mais poder e as armas tomadas não foram entregues com facilidade aos seus donos. Veio o Estatuto do desarmamento.Começaram a fazer campanhas e mais campanhas para a população entregar suas armas. Muitas delas foram entreguem gratuitamente e assim quase toda a população ficou desarmada.

    Ai vieram os bandidos, travestido de gravata, paletó e limpinhos,roupas sofisticadas e sem barbas.Pintaram e bordaram,mataram e roubaram dia e noite sem parar e ainda hoje fazem e as polícias totalmente desarmada e desaparelhada.

    Hoje a população inteira repete exaustivamente,cadê as polícias? Cadê os vereadores e os prefeitos que diziam em praça pública que poderiam dormir de portas abertas?

    Bancos são assaltados todos os dias nos 27 Estados do Brasil.Aprenderam agora assaltar de madrugada com homens fortemente armados à prova de balas,os caixas eletrônicos são explodidos a torto e bambão.E as polícias ,inertes? E os prefeitos e vereadores nada fazem se escondendo com medo.E os governadores com o presidente do Brasil apenas expiando a polícia federal atuar no combate aos crimes eleitorais praticados por eles mesmos nas escaladas da note e do dia dentro e fora do congresso nacional.

    Enquanto isto os bancos e população vivem amedrontados,com medo e sendo assaltados diariamente.Os compradores de animais e os comerciantes sendo assaltados diuturnamente.Armar-se não pode,chegou a dizer um comprador de animais que "era melhor ter dinheiro em casa e quando for abordado entregar aos bandidos do que ter umas duas armas de alto calibre em casa e ser levado algemado pelas polícias".

    As quadrilhas organizadas hoje imitam o bando de lampiões mais modernos andando de Reellux meio dia em ponto.Que diferença tem hoje do grupo de Lampião e Maria Bonita ? Nenhuma!!

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