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quinta-feira, 16 de junho de 2016

A HECATOMBE COMO TABU

Por Altamir Pinheiro

Etimologicamente falando a palavra  TABU é algo sagrado, especial, perigoso ou pouco limpo. Quanto à HECATOMBE DE GARANHUNS, em tempos remotos, também poderíamos tratá-la, como ALGO sagrado, misterioso, especial, perigoso ou pouco limpo...  Afinal, durante dezenas de anos a chacina política de 1917 foi considerada assunto tabu nas rodas de conversas familiares em nossa arcaica  e antiquada sociedade. Tema inviolável; conversa sagrada; A hecatombe era ou foi constituída no imaginário daquela conservadora sociedade, um MALFEITO pouco limpo  porque supostamente trazia ou fazia  mal a uma pessoa, a um grupo ou até mesmo e, principalmente, a determinadas castas  genealógicas que compunham a sociedade garanhuense da época!!!

POIS BEM!!! Costumeiramente se diz que a vingança é o alimento da dor. Não é à toa que, a vingança fez de uma crise familiar uma "guerra civil". Foi justamente o que aconteceu com a propalada Hecatombe de Garanhuns!!! Só para se ter uma ideia, vamos pegar uma carona e bebericar somente um aperitivo de um trecho do livro OS SITIADOS (Hecatombe de Garanhuns), do escritor Garanhuense Cláudio Gonçalves de Lima que na trama era um jornalista de páginas policiais.  EI-LA: "Na cadeia, as cenas eram de desespero. As esposas, em histerismo, cabelos em desalinho, choravam com os órfãos a perda irreparável do marido; abraçados, as lágrimas caiam as bagas em meio a todo sofrimento, o desespero rolava na face de cada um. Eram imagens terríveis para o repórter, que embora acostumado desde muito as graves comoções e perversidades, jamais presenciara tamanha tragédia. Naquele dia o destino lhe reservou ser marcado por tão tristes acontecimentos".

Muito se falou, através de cochichos,  das vinganças malignas  e de pura selvageria ocorridas durante muito tempo logo após o acontecido. Por isto, o assunto era motivo de tabu!!! Até porque, depois de mais de 20 anos, a última vingança, o último protagonista que fez parte daquela matança na cadeia, tombou sem vida, já bastante idoso, na cidade de Propriá, Estado de Sergipe, conforme nos conta o excelente livro, "ANATOMIA DE UMA TRAGÉDIA: A Hecatombe de Garanhuns", do ótimo escritor Mário Márcio de Almeida Santos que morreu recentemente, há pouco mais de um ano quando residia no Bairro de Casa Forte no Recife. Também tivemos vários escritores que trataram do citado episódio, como:   Alfredo Leite Cavalcanti, Luiz Souto Dourado, Alberto da Silva Rego e até um  cordel do nosso querido Gonzaga de Garanhuns sobre a chacina, como também as memórias de Luiz Jardim, que teve o seu pai morto na vingança da morte de Júlio Brasileiro, Luiz Inácio Jardim(considerado um dos maiores romancistas do Brasil), que depois da carnificina partiu para Recife, aos 16 anos de idade, de lá foi embora  para o Rio de Janeiro e nunca mais, em vida,  voltou à sua terra natal!!! 

Nos idos de 2004, O então jornal  CORREIO SETE COLINAS(que lamentavelmente deixou de circular há poucos anos),  fez uma precisa referência ao episódio, quando o jornalista Roberto Almeida assim o descreveu em um pequeno trecho: "A hecatombe é um capítulo negro na história de Garanhuns, um fato que vitimou muitos inocentes, como o heroico cabo Cobrinha, que morreu tentando proteger as famílias guardadas na cadeia pública. Depois dos assassinatos cometidos pelos partidários do coronel Vila Nova, muitas pessoas envolvidas nesses crimes também foram mortas e durante muito tempo o município teve de conviver com a guerra provocada pelo gesto solitário de Sales Vila Nova".

Partindo-se do princípio que a luta do poder político em Garanhuns descambou para uma afamada hecatombe, ocorrida através de uma tomada de poder à bala, que por tabela transformou-se  num sentimento de vingança, conclui-se que: como afirmam os mais antigos, donde,  para uma satisfação momentânea, busca-se a vingança; porém, para uma felicidade duradoura, empenha-se através  do perdão... Mas, afinal de contas, quais das famílias envolvidas naquela tragédia sangrenta saíram  vencedoras?!?!?! NENHUMA!!! Pois, já dizia Confúcio que,  antes de embarcar em uma vingança, cave duas covas...

Um comentário:

  1. Como garanhuense e morando há muitos anos aqui no Recife sempre mantive um laço de amizade acentuado com o professor e escritor Mário Márcio. Várias vezes jantamos juntos no Restaurante Mercado do Peixe, Casa Forte, na Avenida 17 de agosto, como também no Restaurante Parraxaxá, também aqui no Bairro de Casa Forte. Brilhante o texto do jornalista e acho que pesquisador Altamir Pinheiro a respeito do fato trágico acontecido em nossa cidade. O jornalista/pesquisador encerra o bem elaborado artigo com uma tentativa de busca quando chama atenção: Mas, afinal de contas, quais das famílias envolvidas naquela tragédia sangrenta saíram vencedoras?!?!?! Já enviei por e-mail o texto na íntegra para a família do escritor Mário Márcio. Abraços, conterrâneos! PINTO/CASA FORTE/RECIFE/PE.

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