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domingo, 19 de outubro de 2014

ENCONTROS E DESENCONTROS DE PAULA FERNANDES

Paula Fernandes, quem diria, já tem 22 anos de carreira. Mas a cantora só se tornou conhecida mesmo a partir de 2009, com o lançamento do disco “Pássaro de Fogo” e principalmente depois de participar de um especial de fim de ano com Roberto Carlos, na TV Globo.
Antes de se tornar estrela a mineira gravara bons trabalhos, como “Vento Sul” (2005) e “Dust in the Wind” (2007). Este último álbum, todo cantado em inglês, traz uma intérprete mais do que afinada, numa excelente seleção de música country americana.
Em 2011, com o CD “Paula Fernandes ao Vivo” a cantora foi a artista que mais vendeu discos no Brasil, ultrapassando os milhões. Foi considerada um fenômeno, pois o mercado fonográfico já estava em derrocada por conta da pirataria, da internet, do MP3 e de outras tecnologias.
Paulinha continuou viva. Em 2012 lançou “Meus Encantos”, um ótimo trabalho que foge muito ao sertanejo e traz boas canções numa linha mais MPB, pop e até algumas músicas próximas do rock. Não continuou vendendo tanto, é claro, mas conseguiu superar os principais medalhões da música popular nacional.
Desde que se tornou pop star, Paula já vendeu mais de 4 milhões de discos só no Brasil.
ENCONTROS – Neste ano de 2014 Paula Fernandes resolveu fazer o que todo artista conhecido brasileiro faz: gravou um disco de duetos, intitulado “Encontros pelo Caminho”.
O trabalho é uma boa síntese da carreira da moça de Sete Lagoas. Traz o seu lado brega, canções românticas de bom gosto, mostra que ela está antenada com a música caipira americana e reúne bons cantores nacionais e de outros países, além de alguns “sertanejos” totalmente dispensáveis como Zezé de Camargo e Luciano, Chitãozinho e Chororó, Leonardo e Michel Teló. Eles não acrescentam absolutamente nada ao disco muito menos a bela voz de Paulinha Fernandes.
Mas também tem cantores que merecem mais respeito na história da MPB: Renato Teixeira, Almir Satter, Sérgio Reis, Zé Ramalho e o saudoso e inesquecível garanhuense Dominguinhos. Roberto Carlos ficou de fora por falta de acerto entre as gravadoras. Mas no álbum duplo com 21 músicas um dos destaques é “Caminhoneiro”, cantada em dueto com o conterrâneo José Domingos, hoje repousando para toda eternidade no simpático bairro da Boa Vista.
“Encontros pelo Caminho” ainda traz “Romaria”, o clássico de Renato Teixeira, que a mineira divide com a cantora Tânia Mara. E como para provar que está muito além do sertanejo e pode interpretar canções com toda classe, Paula Fernandes usou a tecnologia para dividir com Frank Sinatra a faixa “Brazil”. O americano, um dos ícones da música do seu país e mundial, morreu em 1998, mas está bem vivo neste disco, dividindo a interpretação de uma música com uma artista que não teve o prazer de conhecer.
O CD tem ainda a participação dos americanos Tim McGraw, Michael Bolton e Eric Silver, do português Mickael Carreira, do colombiano Juanes e dos brasileiros Eduardo Costa, Marcus Viana, além da dupla Victor e Leo. Mas nenhum deles chega perto de Dominguinhos, Frank Sinatra e da própria Paula Fernandes.
A garota tem sido esnobada pela crítica e intelectuais pelas más companhias e por flertar com o sertanejo chinfrim. Mas canta muito e merece o lugar que ocupa num país de tantas cantoras de nível, como Maria Betânia, Gal Costa, Ana Carolina, Vanessa da Mata, Simone, Maria Rita, Marisa Monte.
Paulinha talvez não possa ser comparada a nenhuma delas. Pelo repertório às vezes equivocado, por se vestir tão mal e pelo namoro descarado com o popularesco. É que ela é optou por ser uma espécie de Roberto Carlos de saias, em pleno século XXI. Dá para compreender e perdoar.

Um comentário:

  1. Ola Roberto, tudo que você escreveu sobre a cantora é fato, concordo plenamente.Mas tem um detalhe que nós músicos, talvez pelo ouvido apurado, eu no caso tenho notado, e prestei mais atenção na apresentação dela ontem no Altas Horas. Ela mudou, propositalmente acredito, pois não era assim nas gravações anteriores. Ela está substituindo o C pelo X, ou seja, você agora é voxe..na minha opinião um besteira sem tamanho, ela não precisa disso para agradar os jovens.

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