A Companhia Energética de Pernambuco,
Celpe, acaba de fazer mais uma vítima: o catador Wagner José de Melo, de apenas
28 anos de idade, morreu de choque elétrico no Bairro da Muribeca, em Jaboatão
dos Guararapes, no Grande Recife, neste 30.04.14, ao
pisar num fio de energia que havia caído algumas horas antes em cima de uma
poça de água.
A Celpe, mais uma vez, e não será a
última, se continuar reinando solitária sob as bênçãos da inoperância do
Ministério Público de Pernambuco e da bondade da nossa (In)Justiça, mostra a
sua sede criminosa com $ua omissão e irresponsabilidade na manutenção decente
da rede de energia elétrica que cobre Pernambuco. Um serviço escroto e de
péssima qualidade. Depois de privatizada e abocanhada numa manobra em que só
havia um único interessado, o grupo espanhol que detém a Empresa, que hoje está
nas mãos da Neoenergia, se não me engano, só visa o lucro fácil. Lembro de uma
entrevista do governador Eduardo Campos, dois ou três anos atrás, à Rádio Pajeú
AM de Afogados da Ingazeira, na qual ele afirmou que “eles (os espanhóis)
raspam o tacho dos pernambucanos para mandarem seus dólares para lá (a
Espanha)”.
Com mais esta morte provocada, e não
acidental, já são 108 mortes nos últimos cinco anos. O mais grave, e
revoltante, é que uma moradora do lugar onde o fio caiu pouco antes das 05h00
da manhã telefonou para a Companhia comunicando o ocorrido. Nada foi feito e
cerca de duas horas após, mais um ser humano estava estendido no chão, sem
vida, agarrado ao fio num gesto último de desespero para salvar a sua vida.
Mas, para esses espanhóis da Celpe, nós, pernambucanos, nordestinos, somos raça
inferior. Não merecemos respeito algum. Esses caras são, perdoem-me, uns filhos
da puta capitalistas que só respiram lucro$. Sabe por que não se chega antes da
morte com uma equipe de prontidão?
A resposta é simples e eu sei o que estou
dizendo. Depois da privatização, uma das manobras dos tais empresários privados
é a terceirização dos seus serviços, em massa, para burlarem a legislação
trabalhista brasileira, livrarem-se das chamadas obrigações sociais com seus
empregados. Aí, passam a chamar funcionários de “colaboradores”, sem direitos
garantidos e sem porra nenhuma. É isto o que acontece na prática sob os olhares
cegos da Justiça do Trabalho, que faz de conta que não conhece esta realidade.
Neste lado da moeda, sofre o trabalhador que presta serviço terceirizado à
infame Celpe.
No outro lado da moeda, sofre a população,
eu, você, que está lendo este artigo, seu vizinho e todos os que usam um
péssimo serviço, com quedas de energia constantes, todos os dias. A manutenção
é zero porque, com a privatização, essas empresas terceirizadas não possuem a
quantidade suficiente de pessoas para executar o serviço por simples razão
matemática: O número individual é muito menor do que o de funcionários da
antiga Celpe. Assim, não existe manutenção. O que se faz é o conserto ruim
quando a falha acontece. Se há cinco ocorrências ao mesmo tempo e somente duas
equipes para atendimento, é feita uma espécie de ‘sorteio guiado’, atende-se
primeiro o lugar dos ricos para somente depois, se der, preocupar-se com os
moradores da periferia. A Muribeca, para os espanhóis da Celpe, só merece ser
atendida depois que ela mata mais um.
Na Rádio JC News, nesta última terça-feira
(29.04.14) de manhã, Graça Araujo comentava com o jornalista Laurindo Ferreira
sobre as faltas de luz constantes, para as quais a Celpe sempre alega como
causa as ventanias que derrubam seus fios. Vergonha!!! Putaria verbal. Hoje, se
há qualquer ventinho, falta luz em todos os cantos de Pernambuco porque não
existe trabalho preventivo na rede, MANUTENÇÃO, como havia com a Celpe pública.
Quem não se lembra daquele boneco de barro
de Vitalino retratando um eletricista da Celpe pendurado num poste, fazendo seu
belo e importante trabalho? Energia é serviço público essencial e não moeda
para lucro.
Finalizando, reproduzo trecho de artigo do
professor da Universidade Federal de Pernambuco e um dos mais competentes
especialistas em energia elétrica no País, Heitor Scalambrini Costa, sobre a
ineficiência da Celpe, publicado no site http://congressoemfoco.uol.com.br/opiniao/forum/eu-tenho-a-forca/:
“No ano 2000, a
Celpe foi leiloada (único interessado) e vendida, sob o pretexto de que a
privatização era necessária, inexorável, devido às restrições orçamentárias e
administrativas do Estado para cumprir com suas obrigações nesse setor
estratégico. Alegavam ainda a suposta competência e eficiência da empresa
privada em comparação com a empresa de domínio público. Indo de encontro a uma
tendência mundial, onde o Canadá e os EUA, p. ex., privatizaram a distribuição
de energia elétrica e em seguida a reestatizaram, depois de seguidos (e
gigantescos) apagões. E ainda, que a competição (?) do mercado iria provocar
uma redução nas tarifas. Triste lorota, que parte da sociedade pernambucana,
além de aceitar, apoiou enfaticamente os defensores de tais teses. Políticos
foram eleitos e reeleitos, e estão até hoje no topo das preferências do
eleitorado. Curta memória a nossa…
A Celpe tem
mostrado que não basta pertencer à iniciativa privada para fornecer com
qualidade e eficiência um serviço público de extrema necessidade à população,
que é o fornecimento da energia elétrica. Por outro lado, mesmo diante de tanta
ineficiência e falta de investimentos, a Celpe continua i-na-ba-lá-vel, in-to-cá-vel”.
Celpe: Manutenção zero é crime! Pela
reestatização Já!
(Texto: Ruy
Sarinho - Cidadão pernambucano e jornalista profissional. Foto: Débora Soares - reproduzida do G1 PE).

em um pais de governo corrupto quem manda são essas empresas mesmo, elas patrocinam a campanha desses bandidos e em troca massacram a população e fica por isso mesmo.
ResponderExcluirNós não temos somente um país de governo corrupto, temos um país de pessoas corruptas. É bom lembrar que a corrupção passa por todas esferas socioeconômicas da nossa população, desde o empresário que cobra preços exorbitantes, quanto aquele que sonega impostos ao cidadão que quer levar o melhor no trabalho em detrimento de alguém. Então vivemos em um país de corruptos que está além da esfera política, está do mais humilde ao mais rico brasileiro. Claro que temos muitas exceções, mas infelizmente o percentual de corrupto aqui é grande. Se o brasileiro compreendesse que rouba e destrói seu próprio patrimônio teríamos outro país.
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