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terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

ALEXANDRE AVALIA A GARANHUNS DO SEU TEMPO


EXCLUSIVO - O promotor Alexandre Augusto Bezerra, 44 anos, é natural do Recife, onde estudou Direito e através de concurso ingressou no Ministério Público. Veio trabalhar em Garanhuns bastante jovem, gostou da cidade e por aqui criou raízes. Há 16 anos atua no município, com ações de destaque na área de cidadania, na política e no campo social.

Por conta do seu trabalho na Suíça Pernambucana e outras cidades do Estado, já recebeu títulos de Cidadão em Garanhuns, Águas Belas e Floresta. Outros municípios do Agreste Meridional estão para lhe conceder a cidadania.

Alexandre está à vontade em Garanhuns, confessa que aqui pretende trabalhar até se aposentar e depois viver entre as sete colinas até quando Deus permitir.

Desde que chegou à cidade, até por conta de sua atuação, convive com os poderes Executivo, Legislativo e Judiciário. Atende em seu gabinete pessoas de diferentes classes sociais. Conhece os empresários, os intelectuais, o povo, tem uma visão bastante ampla de Garanhuns e por isso pode avaliar o município de forma bastante precisa, com os olhos no passado, no presente e no futuro.

EVOLUÇÃO – O promotor reconhece que Garanhuns evoluiu, desde 1998, quando veio morar e trabalhar na cidade, até os dias de hoje. Pondera, no entanto, que o desenvolvimento do município poderia ter sido maior, num ritmo semelhante ao verificado em Petrolina e Caruaru, por exemplo.

O representante do Ministério Pública acredita que a cidade sofre sobretudo por falta de consenso entre as elites políticas e empresariais. “As divergências atrasam a evolução de Garanhuns”, frisa o promotor, comungando do pensamento comum de que as lideranças de Caruaru e Petrolina se unem mais na defesa dos seus interesses.

‘É preciso que cada um deixe as vaidades de lado. É necessário sentar, conversar, procurar as soluções. Dar mais importância a solução do que ao problema”, filosofa Alexandre Bezerra.

ADMINISTRAÇÕES – Como cidadão e promotor de justiça, Alexandre vê o município retomando o caminho certo em termos de gestão. Embora tenha chegado a Garanhuns no Governo de Silvino, tem uma visão do que foi a administração de Bartolomeu Quidute e faz uma análise descomplicada do trabalho de cada gestor, de 1993 até os dias atuais.

“Eu acredito que Silvino foi melhor, em termos de administração, do que seu antecessor. Mas depois veio a estagnação e até a involução”, avalia, se referindo aos três últimos governos municipais.

Deixa claro que todos os prefeitos do período analisado tiveram algum tipo de problema com o Ministério Público e o Judiciário, mas a impressão que passa é que a situação foi pior na gestão passada. “Tivemos o prefeito, secretários municipais e 9 vereadores processados”, revela.

Com relação aos erros cometidos, às denúncias, ações, investigações, não pode precisar como vai terminar, se os agentes envolvidos um dia serão punidos. “Depende agora do Judiciário”, completa, reconhecendo que as respostas neste poder são bastante lentas, demoram às vezes 15 anos ou mais para serem dadas.

DIÁLOGO – Alexandre Bezerra avalia que o prefeito atual faz um esforço muito grande para “recuperar o tempo perdido”. É um gestor, acredita, que tenta superar seus antecessores, mesmo Silvino Andrade.

Para ele no atual governo existe mais profissionalismo, mais seriedade e mais compromisso. “Na relação com o Ministério Público a gente sente esta realidade. E também percebemos que existe mais diálogo”, elogia.

O promotor dá como exemplo a questão do Matadouro Público. O órgão esteve para fechar porque não atendia os requisitos exigidos pelas leis do Estado e do País. O próprio prefeito conversou com o Ministério Público, pediu tempo para fazer as adequações necessárias e o governo municipal vem atendendo as solicitações que foram feitas.

Garanhuns, na visão do promotor, precisa de gente com espírito público, capacidade de liderança e compromisso social. “É preciso também experiência administrativa e um discurso com conteúdo”, salienta.

DEPUTADO – Alexandre Bezerra não entende como um município com quase 140 mil habitantes, mais de 90 mil eleitores, está sem representação na Assembleia Legislativa e Câmara Federal.  “Houvesse o consenso, a união das diversas forças políticas, sociais e econômicas havia condição de eleger um federal e dois estaduais”, observa.

Essa representação política mais forte, no seu entender, ajudaria a cidade a se desenvolver num ritmo mais rápido. “É preciso um alinhamento dos empresários, dos políticos e da sociedade em geral para fazer Garanhuns avançar cada vez mais”, defende.

EXEMPLO – Na visão do promotor o município deve ser bem gerido, como uma empresa, para se possível “dar lucro”. Ele não vê porque o Poder Público tem de trabalhar no vermelho e cita exemplos em Garanhuns mesmo de órgãos ligados à administração municipal que têm dado certo.

“A AESGA trabalha no verde, se mantém e ainda cumpre sua finalidade social”, citou. Está convencido de que a Autarquia Municipal do Trânsito, bem administrada, pode ser tão “lucrativa” quanto a Autarquia de Ensino Superior.

Alexandre questiona inclusive por que setores como os de transporte e coleta de lixo não são geridos pelo próprio município. “Quanto se gasta na colega de lixo na cidade? Esse dinheiro que as empresas ganham não podia ficar no próprio município?”, aprofunda a questão, lembrando também a necessitade de tornar mais eficiente a arrecadação de IPTU e ISS. “Garanhuns não pode depender só de repasses federais”, completa.

OPOSIÇÃO - O raciocínio do promotor é que a oposição cumpre um papel importante no município e precisa agir, mas levando em conta os interesses da cidade e não projetos pessoais. Defende responsabilidade e coerência, "de modo a evitar o discurso fácil e o denuncismo que compromete a credibilidade".

Dentro deste amplo raciocínio do promotor sobre Garanhuns, ele defende um maior estímulo ao cooperativismo, o incentivo de culturas como a do caju e do tomate, nos distritos de Miracica e São Pedro e a recuperação da bacia leiteira. Sente a necessidade também de um olhar mais atento sobre os jovens por parte dos poderes públicos. "Falta para a juventude oportunidades de emprego, qualificação profissional e mais investimento na cultura, no lazer e nos desportos", reforça.

Alexandre reconhece como fator mais positivo na cidade, nesse seu tempo convivendo com a nossa realidade, a chegada de muitos cursos de nível superior, como direito, engenharia, psicologia, veterinária, zootecnia e medicina. O lado negativo, a seu ver, é a falta de estímulo às atividades econômicas para dar sustentação financeira ao município.

No final, perguntamos ao representante do Ministério Público se ele ainda pensava em participar da vida política do município, já que foi candidato à prefeitura em 2004. “Isso aí só vou pensar um dia quando me aposentar”, respondeu na bucha. Em outras palavras nem tão cedo vai pensar em política partidária. Até botar o pijama ainda vai trabalhar 15 anos como promotor.

A cidadania. Esta sim parece ser a grande preocupação de Alexandre Augusto Bezerra.

4 comentários:

  1. Muito Bom.

    Arnaldo Ferreira Júnior/pelo face

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  2. Muuuuito boooom!!!

    Cilene Espinhara/pelo face

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  3. Quero aproveitar esse espaço e parabenizar o Dr. Alexandre Bezerra pelo excelente trabalho, e brilhante desempenho a cada passo e tarefa realizada. Desejo a Excelência muita saúde, paz e mais sucesso.Ilustre Representante do Ministério Público de nossa belíssima cidade/Garanhuns-PE-. Deus abençoe sempre.

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  4. Parabéns ao ilustre promotor

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