domingo, 14 de julho de 2013

DRAUZIO VARELLA CRITICA PROGRAMA MAIS MÉDICOS

Estamos despreparados para atender à demanda das enfermidades responsáveis pela maioria das mortes.

A saúde no Brasil padece de dois grandes males: falta de dinheiro e gerenciamento incompetente.
Impossível levar a sério qualquer projeto que não enfrente ao mesmo tempo esses dois desafios. Investir apenas na organização é tão insuficiente quanto alocar mais recursos para um sistema perdulário, contaminado pela corrupção e por interesses políticos da pior espécie.
Há anos gravo programas de educação em saúde pelo interior do Brasil e na periferia das cidades maiores. Nessas andanças, aprendi que o Programa Saúde da Família (PSF) foi um grande avanço para o atendimento dos mais necessitados.
Por meio do PSF, iniciado em 1994, equipes formadas por médicos, enfermeiros, técnicos, auxiliares de enfermagem e agentes comunitários acompanham até 4.000 pessoas distribuídas em áreas geográficas delimitadas. Seus objetivos são a "promoção, prevenção, recuperação, reabilitação e manutenção da saúde da comunidade."
Mais de 30 mil equipes, que contam com pelo menos 250 mil agentes comunitários, estão espalhadas pelo país. Aos olhos do visitante é notável a diferença das condições de saúde das populações que contam com elas. Estudo conjunto das Universidades de São Paulo e de Nova York mostrou que para cada 10% de aumento da população assistida, a mortalidade infantil cai 4,6%.
Pois bem, esse programa de sucesso precisa de médicos nem sempre fáceis de atrair, mesmo com salários mais altos. Precisa também de enfermeiras, dentistas e de técnicos qualificados, mas vamos nos deter na parte médica.
Médicos forçados a passar dois anos nessas equipes antes de receber a autorização definitiva para clinicar podem dar impulso considerável em busca da universalização do programa.
Se a Constituição permitir que o Estado obrigue alguém a trabalhar em local que não deseja, acho que os recém-formados poderão se beneficiar da experiência: aprenderão a exercer uma medicina que não é ensinada nas faculdades, conhecerão melhor as grandezas do país e a realidade perversa que condena à miséria, que governantes ufanistas insistem em proclamar extinta.
Essa medicina de pés descalços, no entanto, é incapaz de resolver problemas mais complexos. Estes dependem de profissionais motivados, com carreiras no serviço público bem estruturadas, unidades de saúde aparelhadas, hospitais equipados e administrados sem corrupção ou ingerências políticas.
Na Constituição de 1988, declaramos que saúde é um direito do cidadão e um dever do Estado. Nenhum país com mais de 100 milhões de habitantes teve a ousadia de fixar meta tão pretensiosa. Infelizmente, os constituintes levantaram da mesa sem indagar quem pagaria a conta.
Passados 25 anos, constatamos que 56% do investimento em saúde vêm da iniciativa privada, para cobrir os gastos dos 48 milhões de brasileiros com mais recursos. Aos 150 milhões que dependem do governo cabe menos da metade do bolo.
Como consequência, esses 48 milhões de usuários dos planos de saúde têm à disposição quatro vezes mais médicos do que os 150 milhões atendidos pelo SUS.
Tal distorção acontece por uma razão óbvia: o médico procura estar no mercado que oferece salários mais altos e melhores condições de trabalho. Num sistema capitalista como o nosso, não são essas as expectativas de advogados, engenheiros, lixeiros, metalúrgicos e agricultores?
Apregoar como um grande salto na qualidade do atendimento à população a medida de obrigar recém-formados a prestar serviços em localidades desprovidas da infraestrutura mais elementar é simplificação demagógica.
Sem equipes treinadas, laboratórios de análises, imagens, centros cirúrgicos, acesso a medicamentos e a hospitais de referência para encaminhar os casos mais graves não se faz assistência médica digna desse nome.
Os especialistas calculam que no Brasil faltem 70 mil leitos hospitalares. Estamos vergonhosamente despreparados para atender à demanda das enfermidades responsáveis pela maioria dos óbitos: ataques cardíacos, câncer, diabetes, obesidade, derrames cerebrais, acidentes de trânsito, tabagismo, doenças pulmonares.
Atribuir a responsabilidade pelo descaso com o SUS à simples falta de médicos é jogar areia nos olhos do povo descontente. (Artigo do médico e escritor Drauzio Varella, publicado no Jornal Folha de São Paulo).

6 comentários:

  1. Precisamos sim ler artigos desta natureza com mais frequência de quem realmente conhece a fundo o assunto com conhecimento de causa e efeito.

    ResponderExcluir
  2. HOJE EU PODERIA TER SIDO UM MÉDICO SE EM 1980 TIVESSE RECEBIDO DE MEUS FAMILIARES O APOIO PARA CONTINUAR ESTUDANDO EM RECIFE.

    QUANDO TENTEI MEDICINA E OBTIVE 592 PONTOS E PASSAVA COM 610 PONTOS FALTANDO APENAS 18 PONTOS,COM CERTEZA,TERIA OBTIDO MUITO MAIS EM 1981 E 1982.

    AO CHEGAR EM CASA OS MEUS IRMÃOS PASSARAM A ME CRITICAR E ENTÃO FUI CHORAR.RETORNEI A RECIFE E FUI ESTUDAR NA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE PERNAMBUCO QUANDO PASSEI EM LICENCIATURA EM QUÍMICA.

    COMO ERA MUITO DIFÍCIL PASSAR NO VESTIBULAR PARA A FEDERAL E PARA A PARTICULAR NÃO TERIA CONDIÇÕES DE PAGAR A UNIVERSIDADE POR SER MUITO CARA.

    HOJE, NÓS ESTAMOS ASSISTIMOS A PRESIDENTA CONVOCANDO MÉDICOS E O BRASIL NÃO TEM E OS QUE TEM NÃO QUEREM VIR PARA O INTERIOR.

    COMO É TRISTE A REALIDADE BRASILEIRA.TANTOS JOVENS QUE TEMOS, TANTAS MENTES CAPAZES DE SEREM BONS MÉDICOS(HOMENS E MULHERES), MAS NÃO SÃO PORQUE O BRASIL NUNCA CRIOU AS CONDIÇÕES PARA UM POBRE CHEGAR A UNIVERSIDADE.

    AINDA VEJO ALGUNS IMBECIS CRITICAREM O LULA QUANDO O MESMO CRIOU MAIS UNIVERSIDADES QUE OS INTELECTUAIS DO BRASIL QUE GOVERNARAM A NAÇÃO E EXPANDIU CENTENAS DELAS PARA O INTERIOR POSSIBILITANDO MUITOS JOVENS POBRES TEREM UM CURSO DE AGRONOMIA,MEDICINA VETERINÁRIA,QUÍMICA, FÍSICA,ENGENHARIA CIVIL,DIREITO,ENGENHARIA ELÉTRICA,ETC.

    CHEGAR AO RECIFE PARA ESTUDAR COMO EU TENTEI EM 1980 NÃO FORA FÁCIL. SAIR DO COLÉGIO MUNICIPAL JANDIRA PEDROSA E COLÉGIO DIOCESANO DE GARANHUNS E PENETRAR NA CASA DO ESTUDANTE DE PERNAMBUCO IDEM.

    ENFRENTAR 5 GREVES NAS UNIVERSIDADES FEDERAIS DURANTE 6 ANOS NÃO FORA FÁCIL. A ÚLTIMA DELAS DUROU 6 MESES EM 1990 QUANDO EU RESOLVI VIR EMBORA TERMINAR O CURSO DE LICENCIATURA EM CIÊNCIAS EM GARANHUNS COM HABILITAÇÃO EM MATEMÁTICA E CHEGUEI A ENSINAR QUÍMICA POR 15 ANOS EM LAGOA DO OURO.

    O BRASIL PRECISA SIM INVESTIR MACIÇAMENTE NESSA JUVENTUDE PARA QUE ELES POSSAM CONSEGUIR PROFISSÕES E SE FORMAREM PARA QUE TENHAMOS MAIS MÉDICOS,MAIS ENGENHEIROS, MAIS TÉCNICOS QUALIFICADOS.

    COMO ESTAMOS ATRASADOS,COMO FOMOS IMPOSSIBILITADOS DE CHEGAR A CURSAR UMA UNIVERSIDADE POR MUITOS SÉCULOS.DEPOIS DE LULA E DILMA O BRASIL NUNCA MAIS SERÁ O MESMO COM SEUS ATRASOS E SEUS ABSURDOS.

    ResponderExcluir
  3. PAULO CAMELO, COMENTA:
    O Hospital Regional Dom Moura é o maior exemplo da afirmativa do médico Drauzio Varella. Faz-se necessário por fim a ingerência política na administração do HRDM.

    ResponderExcluir
  4. Ana Cláudia Silva15 de julho de 2013 13:20

    Muito bom!

    ResponderExcluir
  5. Pagam hoje muito caro os maiores partidos que juntos governaram e governam o Brasil desde 1994.PSDB e PT já estão maduros para perceberem os seus erros cruciais cometidos na política brasileira.Pagam muito caro toda uma população brasileira em sua maioria absoluta pobre e desempregada.

    Primeiro: quando o governo criou o IPMF(imposto provisório sobre movimentação financeira) em 1993 e posteriormente recriou a CPMF (comissão provisória sobre movimentação financeira) via indicação do Médico Dr. Adib Jatene no governo do PSDB em 1996, o PT votou contra e fez uma campanha forte contra o imposto da Saúde atingindo em cheio o Ministro da Saúde.

    O único hospital construído na minha cidade foi na era de FHC e na gestão de Dr. Adib Jatene e José Serra como Ministros da Saúde.E ainda dizem que eles não fizeram nada.

    Segundo: quando o Governo propôs renovar a CPMF a maioria do PSDB votou contra.Apesar das manobras da base aliada e do empenho pessoal do Presidente Lula , a proposta de prorrogação da CPMF foi rejeitada no Senado. É a mais dura derrota do governo Lula.Aprovada na Câmara dos Deputados,a emenda teve apenas 45 votos no senado, quatro (4) a menos que o necessário para a sua aprovação.Com isso, o imposto do "cheque" deixa de existir a partir do primeiro de janeiro.Em 2008, o governo deve buscar novas alternativas para suprir a receita da CPMF,que era estimada em cerca de R$ 40 bilhões.

    Terceiro: Os 3 senadores de Pernambuco Marco Maciel, José Jorge e Sérgio Guerra votaram contra a prorrogação.

    Quarto: tudo o que o Dr. DRAUZIO VARELLA diz na sua avaliação tem a ver com os desmandos e as irresponsabilidades que foram cometidas pelos dois maiores partidos que governaram e estão governando o Brasil atualmente.Ambos brincaram com um dos problemas mais sérios e mais críticos do povo sofrido,humilde,pacato que é a nação brasileira.

    O grito das ruas mostraram isto.E tudo porque a vaidade política não quer e não deseja que as verdadeiras REFORMAS sejam feitas para mudar o Brasil. E a maior de todas elas, chama -se REFORMA POLÍTICA para diminuir a corrupção eleitoral no pais quando o povo se vende de vereador a prefeito,de governador a presidente,deputado a senador via empresas e lobistas do Brasil...etc.

    ResponderExcluir
  6. O DOM MOURA é uma grande exemplo de uma lavanderia de dinheiro dos políticos e de administrações incompetentes. Fazem-se reformas todos os anos e se gasta milhões e não ver melhora nenhuma. Deixo a questão com o tribunal de contas, promotoria e justiça. E deixo também duas perguntas: Por que ninguém vai preso, e por que ninguém devolve dinheiro. Há dois meses levei meu filho ao médico particular, paguei R$ 150,00 e vi que na listagem de pacientes tinha uns 30 pacientes = R$ 4.500,00 por dia. Agora multiplique isto diariamente vezes 5 dias = R$ 22.500,00 e multiplique por 4 semanas R$ 90,000,00 e multiplique por 12 meses R$ 1.080.000,00. Agora explique qual é o médico que vai trabalhar para governo para trabalhar 40 horas semanais e ganhar entre R$ 4.500,00 a R$ 8.500,00 por mês, se for PSF pode ganhar até R$ 15.000,00 por mês. Agora dinheiro tem para se pagar médico bem o que falta é por na cadeia os administradores ladrões e melhoraria não só os médicos e sim todos os profissionais. Trabalho em duas prefeituras, para completar o salário para poder dar um melhor conforto a minha família. O salário das duas chega a R$ 2.500,00 e tenho graduação superior e o governo só valoriza bandidos que pode ganhar até R$ 3.768,45 por mês o auxilio reclusão e as outras bolsas da vida que quem recebe é vagabundo. Quem estuda o governo despreza e quem é marginal ou vagabundo este sim o governo da total apoio com as bênçãos da lei, desta politicagem nojenta e destes políticos corruptos.
    JCG

    ResponderExcluir