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domingo, 25 de março de 2012

COMO A VIDA DEVIA SER



O texto e a poesia, publicados abaixo,  foram escritos por Chico Anísio quando se descobriu doente, em 2008. Ambos foram postados pelo humorista em seu blog:

Eu acho que o ideal seria que as pessoas nascessem velhas e morressem crianças. O homem nasceria com 90 anos, ia ficando mais moço, mais moço, até morrer de infância.

Nascendo com 90 anos, você aos 65 se casaria com uma mulher de 59, mas e a recompensa? A cada dia, a cada semana, a cada mês, ela ia ficando mais nova, mais nova, até se transformar numa gata de 20.

Entendeu? E, depois do casamento, vocês dois ficariam noivos, seriam namorados, até chegar ao amor infantil, branco e desinteressado... mãos dadas... (no máximo) e apagando das árvores, os corações entrelaçados.

Você nasceria rico, aposentado e sábio. Começaria a ganhar cada vez menos... até entrar para a Faculdade para ir desaprendendo tudo e ir ficando mais ingênuo e mais puro. Depois a bicicleta, o velocípede, desaprenderia a andar, esqueceria como engatinhar, o voador, o cercadinho... do cercadinho pro berço, as fraldinhas molhadas, três gotas de Otalgan para a maldita dor de ouvido, o chá de erva doce para a dorzinha de barriga...a mamadeira de água, o peito da mãe e, num dia qualquer, pararia de chorar.

Com o tempo correndo para trás, a humanidade regrediria nos séculos até aparecer o último homem: Adão. Último-primeiro quando então, pegando-o na mão, ao invés de soprar sobre ele Deus inspiraria o homem outra vez para dentro de si mesmo.

VIDA E MORTE


Por esses caminhos rudes

que o Destino nos impõe,

entre defeitos, virtudes,

tudo o mais que se compõe,

Morte e Vida se encontraram

e logo reconheceram

quem eram. E se falaram

de coisas que ocorreram.



"Como é que vai essa vida ?"

- perguntou a Vida à Morte.

"Está sendo bem servida ?

Como é que anda esta sorte ?"

A Morte então respondeu:

"Vou vivendo sem reclamos.

Carregando quem morreu

e por outros que chamamos.



E você, que é que me conta

antes que um dia eu te corte ?"

"Viver hoje é um faz-de-conta,

porque a vida é de morte.

Doenças, vírus, bacilos,

desastres em profusão,

os corpos, nos seus vacilos,

provocando infecção...



Mas dá pra espichar os dias

de ficar por esse mundo".

"Não são as más companhias

que te carregam pro fundo ?"

"Não, não" - respondeu a Vida

com um pequeno sorriso.

"Eu sou mesmo uma perdida

que nem vive o que é preciso".



A Morte, então, num deboche,

disse à Vida: "Até um dia...".

A vida é mero fantoche

da Morte e, com tirania,

carregando o seu cajado

que simboliza o poder,

deixou a Vida de lado

pra mais um pouco viver.

vida, que sabe ter

um tempo certo na Terra,

soube, astuta, se conter

(o seu semblante até cerra).

Depois que a morte sumiu

com sua carranca adunca,

a Vida ao seu Deus pediu:

"Que a Morte não viva nunca !"

3 comentários:

  1. O blog OABELHUDO postou essa mesma matéria na sexta-feira, à tarde.É muita coincidência (?)

    Dom Pablito
    Editor

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  2. Os textos são de autoria de Chico Anísio e estão na internet disponíveis para todo mundo. Não sabia que as criações do humorista agora são propriedades dos abelhudos.

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  3. Roberto,

    Parabés pela materia, e quero me associar a esta homenagem a este grande Cearnse que mereceu o respeito e admiração de todo Pais.

    Criança

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