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sábado, 27 de agosto de 2011

ADEMILDE FONSECA - GRANDES NOMES DA MPB - 76º

 ADEMILDE FONSECA


A primeira surpresa que tive ao pesquisar um pouco sobre a cantora Ademilde Fonseca foi descobrir que a artista ainda vive. A Rainha do Choro, como passou a ser chamada desde a década de 40, nasceu em Pirituba,  no Rio Grande do Norte, no distante dia de quatro de março de 1921. Está portanto com 90 anos de idade.

Aos quatro anos a futura artista foi morar em Natal, tendo ficado na capital potiguar até os 20 anos. Desde criança gostava de cantar e adorava participar das serestas do seu tempo de mocinha. Terminou se interessando por um desses boêmios da noite, Naldimar Gedeão Delfino, com quem casou e foi morar no Rio de Janeiro, em 1941. A união entre o músico e a cantora não demorou muito e depois de se separar Ademilde decidiu cuidar da carreira.

Em 1942, numa festa na Cidade Maravilhosa, ela teve o primeiro grande momento como intérprete. Acompanhada do regional de Benedito Lacerda, cantou o choro “Tico Tico no Fubá”, do compositor Zequinha de Abreu, com letra de Eurico Barreiras. Agradou tanto em sua apresentação que foi convidada para gravar. Neste mesmo saiu o 78 rotações, incluindo duas músicas: a própria Tico Tico no Fubá e o samba Voltei pra o Morro, assinada também por Benedito Lacerda.

O chorinho de Zequinha de Abreu foi composto em 1917 e pela primeira vez era gravado cantado, com a letra de Eurico.

Não demorou muito Ademilde voltou a gravar. Sambas de Humberto Teixeira (o famoso parceiro de Luiz Gonzaga), choros de Ernesto Nazaré – um dos grandes instrumentistas do país – e Urubu Malandro, música de domínio público que recebeu arranjos de Lourival de Carvalho e letra de João de Barro. Foi o segundo grande sucesso da nordestina de Pirituba.

A partir de 1943 assinou contrato com a Continental e se especializou como cantora de chorinhos. Um dos destaques em meados da década foi a gravação da polca “Rato”, em ritmo de choro. Neste tempo, já estava contratada pela Rádio Tupi, onde ficaria muitos anos.

Outro momento marcante na vida de Ademilde Fonseca foi a gravação de “Brasileirinho” de Waldir Azevedo e Pereira da Costa. Um sucesso retumbante, uma interpretação diferenciada que faria eco nas décadas seguintes.

Mais de 20 anos depois, andando pelas ruas do centro do Recife, lembro que comprei um vinil de Ademilde, de capa preta, ainda hoje guardado nos meus arquivos, reunindo seus grandes sucessos. Dentre eles esta jóia que é Brasileirinho na interpretação elétrica da artista do Rio Grande do Norte.

Reconhecida no Brasil como uma das grandes cantoras do rádio, única na interpretação do chorinho, Ademilde Fonseca teve seus momentos de estrela também na Europa. Primeiro se apresentou em Paris, causando sensação, depois passou uma longa temporada em Portugal, fazendo shows e por pouco nossos descobridores não a roubam de nós.

Nos anos 50, 60 e 70 a Rainha do Chorinho continuou a gravar os mais renomados compositores brasileiros. Pixinguinha, Jararaca e Ratinho, Assis Valente, Wilson Batista, Ary Barroso, Altamiro Carrilho e até o nosso Luiz Gonzaga, estão entre os mestres que assinaram composições que se tornaram mais conhecidas na voz da baixinha de voz estridente.

Dentre as canções desses imortais da MPB, destaque para “Carinhoso”, de Pixinguinha e “Na Baixa do Sapateiro” de Ary Barroso.

Nos anos 70, gravaria compositores mais contemporâneos, incluindo João Bosco e Aldir Blanc, Martinho da Vila e Paulinho da Viola.

Antes, nos anos dourados do Rádio, integrou o elenco da Nacional do Rio de Janeiro, que tinha prestígio, à época, equivalente a TV Globo atualmente.

No final dos anos 90 integrou-se ao conjunto As Eternas Cantoras do Rádio, ao lado de Carmélia Alves, Violeta Cavalcanti e Ellen de Lima. E também recebeu a Medalha de Mérito Pedro Ernesto, a mais alta comenda da Câmara Municipal do Rio de Janeiro. No início da década passada participou do CD “Café Brasil”, produzido por Rildo Hora, juntamente com Marisa Monte, Martinho da Vila, Paulinho da Viola, Conjunto Época de Ouro e Leila Pinheiro.

Uma curiosidade, na carreira de Ademilde Fonseca, é a admiração que despertou na cantora japonesa Yoshimi Nakayama. Esta, tendo conseguido um CD da brasileira, em seu país, decorou as músicas sem saber absolutamente o significado das palavras. Passou inclusive a cantar algumas dessas canções em seus shows. Posteriormente a artista veio ao Brasil conhecer a Rainha do Chorinho, esteve com ela em sua casa e até aprendeu o significado de algumas palavras do seu repertório.

Yoshimi e Ademilde chegaram a fazer uma gravação no Rio de Janeiro, acompanhados pelo violinista Walter Silva, o Waltinho.

Até pouco tempo atrás, já com mais de 80 anos, a cantora do Rio Grande do Norte fez uma série de shows, acompanhada da filha, Eymar Fonseca, também interpretando sambas e principalmente chorinhos.

Em 2007, uma escola de samba de Natal, Imperatriz Alecrinense, desfilou no Carnaval fazendo uma homenagem a mais notável intérprete de Brasileirinho.

“Saudação da Imperatriz a uma Rainha”, foi o tema da escola. Homenagem justa a uma grande cantora, que seu Deus quiser vai chegar aos 100 anos. Um século a serviço da Música Popular Brasileira.

(Principal fonte de consulta:  Dicionário da Música Popular Brasileira).

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