sábado, 14 de agosto de 2010

GRANDES NOMES DA MPB XXXV



Zélia Cristina Gonçalves Moreira nasceu em Niterói, no Rio de Janeiro. Viveu na cidade natal até os seis anos, indo morar, no início dos anos 70, em Brasília, onde ficou por 16 anos. Foi na capital federal que começou a cantar profissionalmente, a partir de 1981, com menos de 20 anos. Sua primeira apresentação foi na Sala Funarte, quando mandou uma fita cassete e ficou em primeiro lugar entre os selecionados. “Era um espaço para que os artistas novos se apresentassem. Cantei Fazenda, de Milton Nascimento e o show teve uma boa repercussão naquela época”, confessa a cantora e compositora, em seu site oficial.

Ainda vivendo em Brasília, Zélia abriu um show de Luís Melodia, cantor já consagrado, no Teatro Nacional e chamou a atenção do público e da crítica, sendo selecionada para participar do Projeto Pixinguinha, juntamente com Wagner Tiso e Cida Moreyra. Foi a primeira vez que cantou fora da capital brasileira e pode conhecer novas pessoas do meio artístico e ganhar experiência.

Aos 22 anos resolveu morar no Rio de Janeiro. Chegou à cidade maravilhosa com o violão, as idéias e um fusquinha branco, que ela adorava. O carro foi roubado um ano depois de sua chegada a segunda metrópole do país. A cantora, mais madura, começou a mudar um pouco o repertório, incluindo nas suas apresentações composições de Caetano Veloso, Itamar Assunção e dos Beatles. “Descobri o prazer de cantar em inglês e procurar músicas brasileiras menos inusitadas, que tivessem uma interpretação menos óbvia”, revela.

Em 1989 a artista montou o show “Zélia Cristina, o Caos”, que se apresentou em duas casas cariocas, com boa resposta do público, embora a cantora ainda fosse desconhecida, não tivesse mídia de jornais, rádio ou televisão. O resultado dessas apresentações foi um convite da Eldorado para gravação do primeiro disco. O trabalho rendeu duas indicações ao prêmio Sharp, uma como revelação na MPB e outra como melhor cantora de pop-rock. “Tive também o prazer de dividir uma faixa com o Luís Melodia”, salienta.

Depois desses shows no Rio e do disco, ainda usando o nome de Zélia Cristina, a cantora se apresentou em São Paulo, Porto Alegre, Florianópolis e sua conhecida Brasília. Também começou a aparecer na TV, em programas como o Jô Onze e Meia, Programa Livre e Vídeo Show.

No ano de 1991 Zélia recebeu um convite inesperado: cumprir um contrato de três meses nos Emirados Árabes. Foi uma viagem totalmente diferente, cantando para pessoas que não sabiam uma palavra de português e não sabiam nada do Brasill. Passou quase meio ano nessa turnê, sendo apreciada por árabes, australianos e europeus, numa experiência que considera enriquecedora.

Voltou ao Brasil em maio de 1992, conheceu Guto Graça Melo, influente na área da música; gravou uma música de Dorival Caymi, com Marco Pereira, um empresário que investiu muito na boa MPB e em 1994 saiu o seu segundo disco, quando adotou o nome artístico de Zélia Ducan (o sobrenome tomou emprestado da avó).

A crítica nacional avalia que Zélia e Cássia Eller foram os grandes nomes surgidos nos anos 80/90, depois de Marina Lima, que vem do final da década de 70.

Uma das músicas mais conhecidas na voz da cantora carioca é Catedral, uma versão. Mais ela também se destacou como compositora, fazendo parcerias com Luiz Melodia, Gilberto Gil, Rita Lee, Chico César, Zeca Baleiro. Muito presente no seu repertório o compositor Itamar Assunção.
Zélia Ducan também se destacou regravando Jura Secreta, de Sueli Costa; com a interpretação de Alma, de Pepeu Gomes e Arnaldo Antunes; Nos Lençóis desse Reggae, uma composição sua com C. Oyens; Sexo, também dela e de Christiaan Oyens, que aparece como parceiro em muitas de suas músicas.

Esteve no palco com Melodia, Renato Russo, Simone, Lenine, mais recentemente com a Isabela Taviani, uma das boas revelações da MPB dos últimos anos.

Cantora de voz grave e suave, repertório caprichado, boa presença no palco, discos preparados com cuidado e muitas músicas que nos últimos 30 anos fizeram a cabeça de diferentes gerações, tornam Zélia Ducan um dos grandes nomes da Música Popular Brasileira.

*Clicando no nome da artista, em cima, todo maiúsculo, você acessa um vídeo do youtube com a interpretação de Alma, uma das músicas mais expressivas da carreira de Zélia.

2 comentários:

  1. Não sei porque mas... Eu acho essa cantora a cara do Festival de Inverno '-'

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  2. Compositora consagrada. Dona de uma voz inconfundível, forte e suave que passeia sem obstáculos do samba ao rock, com a mesma naturalidade de seu sorriso. Zélia Duncan é assim, uma artista sem fronteiras, capaz de inovar com o antigo e resgatar o que há de melhor na música contemporânea, em meio à voracidade do mercado pelo novo a qualquer preço.

    Zélia no seu último disco pelo sabor do gesto vence não só pelas músicas, mas por representar o que há de bacana no popmainstream brasileiro. Não, não… Não há nada de errado com a nossa cena da música nacional, mas hoje em dia em todo lugar está faltando força criativa. tem uma discografia segura e bem construída. Sempre inquieta, já gravou com dezenas de artistas e recentemente fez parte da banda Os Mutantes, num convite muito especial feitos pelos heróis da sua infância. Depois dessa incursão dentro de uma banda lendária (o que mataria a carreira de muitos artistas superficiais da nossa bandeira verde-amarela) ela ainda consegue seguir em frente com uma imagem segura e moderna. Sua divulgação é bem trabalhada, tem um site bacana e o my space, mesmo tendo menos de 40 mil acessos (um número pequeno para os padrões do mercado) é bem feito, atraente e ao mesmo tempo sofisticado, a idéia que dá é que o lugar é seleto, para poucos e calorosos fãs.

    Seus discos sempre feito com amor e dedicação. O que hoje é raridade entre artistas, ainda mais quando estão numa grande gravadora (como a Universal Music – a maior do mundo). Zélia representa a renovação do pop no Brasil, digo isso sem medo. Ela consegue o equilíbrio perfeito entre uma boa produção e entrega num só disco, é como um mascate vendendo quilos de sua própria carne, como já disse um grande crítico. Quem acha que ela é uma grande intérprete da música brasileira está atrasado, esse posto a cantora já conseguiu a muito tempo. Nesse novo disco ela não assume nenhuma música sozinha, o que faz do disco um sortimento de bons arranjos e ideias, composições que vão de Chico Cézar (que também participou da música), Zeca Baleiro, Moska, Rita Lee e do Pato Fú John Ulhoa que inclusive produziu o disco junto com Beto Villares, que entrou na história por indicação do paralama Herbet Viana.

    Não é a toa que quando ela foi ao festival de garanhuns em 2001 foi tido como um dos melhores shows do ano. Logicamente que ela não agrada a todos que tenham a perspicácia e sensibilidade de entenderem a sua letra e o que nela expressa.

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