SECRETARIA DE SAÚDE DO ESTADO

UMA ANÁLISE DA CANDIDATURA DE SERRA


Um tucano, um lobo, um cordeiro ou um blefe?


A candidatura Serra representa o estuário do que há de pior no conservadorismo brasileiro. Um verdadeiro cavalo-de-tróia pintado com palavras de um difuso 'progressismo' para edulcorar o verdadeiro projeto por trás das rédeas: derrotar o avanço popular obtido a duras penas com o governo Lula nos últimos anos, mas sobretudo agora no segundo mandato; trazer a direita de volta ao comando do Estado brasileiro (de onde nunca saiu, mas perdeu a hegemonia absoluta da era FHC). E, estrategicamente, impedir que a continuidade desse processo possa aprofundar a democracia social no país. O artigo é de Saul Leblon.

A mídia conservadora bateu bumbo nos últimos dias na tentativa de tornar o lançamento oficial da candidatura de José Serra pela coalizão demotucana um fato político novo no cenário nacional. Notável, sobretudo, o esforço de pintá-lo com as cores de um 'progressismo palatável'; adepto da 'indução estatal sem Estado forte', seja lá o que isso significa. Um verdadeiro bambolê ideológico. Tudo para conciliar a imagem de um candidato oferecido pelo marketing como 'popular' --ancorado na história passada de presidente da UNE-- mas cercado ao mesmo tempo de um núcleo de campanha derivado da cepa mais reacionária da política nativa, do qual constam nomes como os de José Agripino, Paulo Bornhausen, Arthur Virgílio, José Carlos Aleluia entre outros. O malabarismo é típico de quem quer engrossar o glacê da narrativa para ocultar o azedo do recheio. A verdade é que não importa o que Serra diz que pensa em seu discurso de candidato oficial; não importa o que seus amigos pensam que ele pensa; objetivamente, a candidatura Serra lançada em Brasília neste sábado representa o estuário do que há de pior no conservadorismo brasileiro. Um verdadeiro cavalo-de-tróia pintado com palavras de um difuso 'progressismo' para edulcorar o verdadeiro projeto por trás das rédeas: derrotar o avanço popular obtido a duras penas com o governo Lula nos últimos anos, mas sobretudo agora no segundo mandato; trazer a direita de volta ao comando do Estado brasileiro [de onde nunca saiu, mas perdeu a hegemonia absoluta da era FHC]. E, estrategicamente, impedir que a continuidade desse processo, representada por Dilma Rousseff, possa aprofundar a democracia social no país. Serra reúne os ingredientes para essa investida ainda que não seja o candidato ideal da direita por seu ''desenvolvimentista de boca', como diz Maria da Conceição Tavares.O alardeado 'progressismo desenvolvimentista', na verdade, resume-se à prática de um fiscalismo autoritário que se harmoniza com a sua outra face, esta sim, muito apreciada pela coalizão que o apoio: o arraigado anti-sindicalismo; a aversão doentia à negociação com os movimentos populares que cobram a democratização efetiva do poder, que passa necessariamente pela maior participação nas decisões sobre onde, como e quando investir os fundos públicos. Por exemplo, quanto investir na remuneração de funcionários públicos que prestam serviços essenciais à população? O menosprezo serrista a essa lógica ficou mais uma vez evidenciado na recente greve de um mês dos professores da rede pública do Estado de São Paulo. Há cinco anos sem correção salarial, com quase a metade dos contratos de trabalhos em regime precário eles não foram sequer recebidos em audiência para uma negociação trabalhista trivial.'Lobos em pele de cordeiro', disse-o bem a candidata do PT esta semana sobre a dança dissimulada de discursos e projetos adotada como enredo de campanha pela coalizão demotucana. Um historiador não alinhado ao PT, Luiz Felipe de Alencastro, em entrevista ao jornal Valor Econômico da última sexta-feira, cuidou de dar a essa metáfora sua explicitação sintética ao perguntar e explicar por que, em sua opinião, Serra tem tudo para ser um blefe. (Enviado por Fátima Farias).


*O artigo acima pode não representar exatamente a opinião do titular do blog. Assim como o discurso de Serra, posto na íntegra neste espaço da internet, não expressa necessariamente o pensamento político do jornalista. Cabe a cada leitor fazer a sua leitura, analisar e chegar as suas próprias conclusões.

Um comentário:

  1. POR PAULO CAMELO: Caro amigo Roberto Almeida. Em primeiro lugar quero lhe parabenizar por só permitir divulgação de texto, em seu blog, mediante identificação do autor mais análise do conteúdo, desde que não seja ideológico, mas de princípío ético e de respeito. Aqui em Garanhuns é assim, algumas pessoas gostam de dizer os seus desaforos e ficar no anonimato. Outros costumam gravar conversas dos políticos. Um dos fatores que inibe o avanço da política em Garanhuns, é exatamente o habitar das questões pessoais, onde as pessoas deixam de votar em boas propostas pelo simples prazer de derrotar A ou B. Essa ocorrência se elevou a superfície na eleição de 2008 para Prefeito. Mas, deixando de lado a referência ao passado, gostaria de comentar o artigo intitulado "UMA ANÁLISE DA CANDIDATURA DE SERRA", ora enviada pela jovem Fátima Farias. É preciso que as pessoas deixem as ilusões de lado e compreendam que o PSDB é um Partido Político de conotação Social Democrata, a exemplo do PT de hoje. O PT em sua Fundação tinha uma característica de Partido Operário Independente, do qual Paulo Camelo fez parte. Mas, com as transformações ocorridas passou para um Partido Operário Pequeno Burguês e finalmente é, hoje, um Partido Social Democrata com inserção no movimento popular, enquanto que o PSDB é uma Partido Social Democrata sem inserção no movimento popular. Mas, as lideranças do movimento popular foram cooptadas pelo PT, incluindo as da UNE. Sobre o movimento estudantil, Vide artigo do líder estudantil Pedro C. Josephi, vice-presidente do D.A da faculdade de Direito da UNICAP, divulgado no J.C de 10.04.2010. A UNE de José Serra (não sou defensor de Serra), que não recebia verba do governo federal, certamente era bem melhor do que a UNE de hoje, a qual recebe verba do governo federal e é linha auxiliar do governo capitalista de Lula. Mas, é sabido que a UNE de Serra, não era a mesma de José Dirceu, Luiz Travassos, Vlademir Palmeira e outros, na segunda metade da década de 1960. Mas, o PT de hoje é o Partido da ORDEM BURGUESA, DO CAPITAL NACIONAL E INTERNACIONAL, E DO IMPERIALISMO NORTE AMERICANO. A Política do Bolsa Família é a continuação do Programa Comunidade Solidária iniciada no governo FHC. É a mesma política do PRONASOL no México. É o que chamamos de Políticas Sociais Compensatórias que o PT e Lula combatiam antigamente. Para as forças populares e de esquerda, o debate socialista, em 2010, enfrenta um dos momentos mais difíceis de sua história no Brasil, diante da sacralização da figura de Lula no conjunto da população. O desafio é criar o consenso entre os excluídos e consciência política para enfrentar o capitalismo.

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