Seres de outros planetas descem e admiram as estruturas da cidade.
São estudiosos e já passaram por Caruaru, Pesqueira e Petrolina.
Gostaram da Capital do Agreste.
Lamentaram o fechamento da fábrica Peixe e se empolgaram com o desenvolvimento do município sertanejo.
O calor os incomodou um pouco já que vêm de lugares frios, de muitas luas e montes.
Por isso logo começaram a gostar de Garanhuns.
Seus neurônios hiper desenvolvidos fotografaram as Sete Colinas, o Pau Pombo, o Parque Euclides Dourado.
O paladar rústico - um paradoxo - aprova a Picanha do Sargento, a buchada do Gago e a feijoada da Vila do Quartel.
Curiosa, essa gente do espaço, invisível, quando quer espreitar a vida dos moradores da Boa Vista, do Magano, da Várzea, do Indiano e das Cohabs.
Como se fossem cientistas, sociólogos ou poetas Conseguem ver beleza no andar e na luta dessa gente simples da periferia.
Os ETs estão para ir embora.
Ouviram as rádios, leram os jornais,
Atentaram para as conversas da República do Café e do Restaurante Novo Íris.
Fizeram compras no home center dos Ferreira Costa e na loja do Marinho.
Espantaram-se com o shopping popular
Um tanto espremido na Avenida Santos Dumont.
Até deram um pulo no Tavares Correia, plantado em meio à exuberância da Avenida Rui Barbosa.
A nave já vai zarpar, qual um Titanic ou Arca de Noé que nunca afundará.
Os homenzinhos azuis, que são vários, carregam barris com o líquido cristalino das sete fontes de água mineral.
Levam frutas compradas na Ceaga
E lembranças da Catedral de Santo Antônio.
Até o dia amanhecer ainda irão passar no Recife, dando um rasante na praia de Boa Viagem.
Levam a lembrança do relógio de flores, do perfume dos eucaliptos da espiritualidade do Columinho e da Mãe Rainha, além da garoa cantada em música de Luiz Gonzaga, possível de visualizar a partir da entrada leste da cidade.
*O texto original, que mistura ficção e realidade, é do início dos anos 2000. Foram feitas pequenas alterações.

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