SEBRAE

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domingo, 21 de março de 2010

O PAPA ENVERGONHADO II

A partir de uma notinha lida em algum dos sites que entro todos os dias, escrevi a nota "O Papa Envergonhado". À noite, no Jornal Nacional, a Globo fez uma reportagem sobre a nota de sua santidade condenando os casos de pedofilia na Igreja irlandesa. Uma mulher, defensora das crianças vítimas dos sacerdotes pedófilos, disse que Bento XVI os havia decepcionado, porque escrevera um texto poupando os bispos, responsáveis por acobertar os padres criminosos. A Globo mostrou ainda que um irmão do papa, também da Alta Hierarquia da Igreja, também era responsabilizado por "jogar pra debaixo do tapete" os desatinos cometidos pelos homens de batina. O Jornal Nacional, enfim, mostrou que os casos de pedofilia não se limitavam à Irlanda. Pipocavam no Brasil, Alemanha, México, Holanda...
Tem de se repensar essa Igreja. Uma instituição que queimou mulheres e homens inocentes, no passado, sob acusação de bruxaria. Às vezes a acusação era patética para os tempos atuais: Galileu quase foi parar na fogueira por dizer que a terra era redonda. Giordano Bruno não teve a mesma sorte. As cruzadas, foram um massacre em nome de Deus. E muitos papas foram mulherengos, bissexuais, corruptos ou assassinos.
A Igreja Católica também tem virtudes? Acredito que sim. Os pecados, os dogmas atrasados, porém, terminam mais por prejudicar do que beneficiar a humanidade. Na Idade Média atrasou em muito o avanço da medicina e das ciências, causando danos ao homem e ao planeta. Hoje, lidera a campanha contra a camisinha e o aborto, fechando os olhos para o risco da AIDs e dos milhões de abortos clandestinos que diariamente matam milhões de mulheres. Estão defendendo a vida de inocentes? Acho o contrário: querem perpetuar a matança das mulheres pobres obrigadas a procurar parteiras, enfermeiras, curiosas e médicas inescrupulosas que fazem do aborto um comércio sórdido.
Sou simpático às religiões. Católicos, protestantes, espíritas, budistas, islâmicos... Cada um procura a seu modo O Deus. Cada uma religião é como uma estrada diferente para levar ao criador. Só que nessas estradas, muitas vezes, existem pedras, obstáculos diversos, pessoas oportunistas, fanáticos, loucos, gente ou pedras dificultando o acesso a Deus.
Tem gente que não frequenta Igreja nenhuma e é um verdadeiro santo. Outros não saem da capela e são capazes das piores maldades. Parece que vão só para aliviar a consciência.
Um papa que flertou com o nazismo tem autoridade para mudar o quadro da Igreja e acabar com o crime da pedofilia entre os padres? Deus é muito mais do que esse conjunto de clubes, dogmas, símbolos, ritos, restrições, visões estreitas e limitação do corpo e da alma dos seres humanos, que precisam viver em plenitude, sem medo do "pecado" inventado pela Igreja.
O papa está envergonhado mesmo? Nós estamos.

Um comentário:

  1. A história da religião e, em particular do Cristianismo, é uma sucessão de equívocos, mentiras e assassinatos. Bakunin define a religião como “uma loucura coletiva” O deus dos cristãos não passa de um deus como foram outros criado à imagem e semelhança do homem e que na maioria das vezes serviu para propósitos de dominação e resultou em benefício de tiranos. O Cristianismo promove a domesticação. Adão foi punido – e nós pagamos até hoje – porque desobedeceu e se rebelou contra um deus que o queria ignorante, incapaz de reconhecer o bem e o mal. No mais das vezes, a promessa que a religião faz, notadamente o Cristianismo, é uma fábula que atende a necessidade dos covardes e egoístas que não suportam a idéia de que um dia poderão morrer. Aos cristãos satisfaz a idéia megalomaníaca de que vencerão a vicissitude da temporalidade e isso, somado a um pai “bondoso” e disposto a perdoar todas as nossas ignominiosas depravações, talvez seja a razão que justifica dois mil anos de existência. Não questiono a figura ética do Cristo, e se um dia ele – que não tem nada a ver com a maioria dos cristãos – anunciou uma mensagem de amor e tolerância, isso parece que ficou apenas no evangelho e nele figura como coisa impossível, não condizente com a natureza dos humanos. Temos entre ateus e materialistas mais exemplos de ética cristã do que entre bispos e pastores evangélicos.

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