(Clicando acima, no nome da cantora Marinês, você acessa um belo clip com voz e imagens tocantes da artista nordestina)
Inês Caetano de Oliveira, a Marinês, nasceu em São Vicente Férrer, em Pernambuco, mas aos quatro anos foi morar em Campina Grande, levada pelos pais. Na cidade paraibana, ainda pequena, começou a se apresentar no rádio, escondida da família. Ela deu o nome artístico de Maria Inês, logo no primeiro teste e o locutor juntou tudo, chamando-a de Marines. Ficou pra sempre. No início ela foi reprovada, porém insistiu e já na segunda semana ganhou o prêmio da emissora. Quando estava começando, cruzou com Genival Lacerda, que também é cantor de forró, e com o músico Abdias. Com este último, deu namoro e casamento e viveram juntos 18 anos. Já popular no interior do Nordeste como cantora, conheceu Luiz Gonzaga, que gostava de apadrinhar os artistas da terra. Convidou Marines e Abdias para irem para o Rio de Janeiro, prometendo que lá daria uma força aos dois. Eles aceitaram o convite de Gonzagão, tempos depois estavam no Sul Maravilha e o Rei do Baião cumpriu o prometido. Com pouco tempo a forrozeira “pernambucana da Paraíba” já se virava sozinha e seguiu pela vida tendo uma carreira de sucessos. O próprio sanfoneiro, compositor e cantor de Exu, reconhecendo o talento da moça, deu a ela este título: “É Luiz Gonzaga de saias”. Numa entrevista, em 2007, a um jornal de Campina Grande, a “rainha do xaxado” (outro título que recebeu na carreira) respondeu assim uma pergunta sobre o forró tradicional e o estilizado:
“É o forró de plástico né, chamam de forró de plástico. Olhe, é o seguinte, não está em mim, falar mal de ninguém, é música tá entendendo? Eu admito que tá tudo certo, tem espaço para todo mundo, para eles. Agora, nosso FORRÒ é outro, eu um FORRÒ RAÌZ, é um forró que Luís Gonzaga criou, Humberto Teixeira, que são os nomes maiores da música, como Patativa do Assaré, Antônio Barros. Quer dizer, as músicas dessa época têm mensagem, era para cantar, não era para tapiar não. A gente cantava era com sentimento, não para falar besteira, porque tem música aí que é besteira, água com açúcar, é aquela história. Mas que eu respeito, porque eles têm público, e eu acho que é cada um na sua”.
Marinês nasceu no dia 16 de novembro de 1935 e morreu em 2007, internada no Hospital Português, do Recife, vítima de um AVC. “Pisa na Fulô, Peba na Pimenta e Por Debaixo dos Panos”, estão entre seus grandes sucessos. Quando fez 50 anos de carreira, em 1999, a artista foi homenageada com um CD produzido por Elba Ramalho, que teve a participação da cantora paraibana e do pernambucano Lenine. Sua morte foi noticiada na Folha Ilustrada, TV Globo, Portal Gl, Tribuna do Norte, Jornal do Commercio do Recife e toda a grande imprensa nacional. (Na foto acima, o jornal paraibano faz homenagem a Marinês, na sua despedida. Ao longo da carreira a cantora gravou mais de 40 discos).
Roberto, alguns personagens de nossa música são eternos. E Marinês é um desses nomes! Nenhuma mulher usou da voz com tanta altivez para defender as coisas da nossa terra em sua música. Você que é um profundo conhecedor do assunto presenteia seus leitores com estes textos sobre nossos artistas.
A cantora Marinês, Sivuca, Jacson do Pandeiro e Luiz Gonzaga foram grandes ícones da nossa música popular nordestina. Fica difícil encontrar hoje, artistas novos, com o perfil de compromisso com a música raiz. Eu conheci o trabalho de um grupo novo da Paraiba, chamado Clã Brasil, que para mim é uma esperança de que a cultura nordestina anda tem um alento, por ser um grupo jovem, de mulheres, que faz um diferencial; uma família bonita e talentosa. Vou defender que essas meninas participem do próximo Festival de Inverno.
Roberto, alguns personagens de nossa música são eternos. E Marinês é um desses nomes! Nenhuma mulher usou da voz com tanta altivez para defender as coisas da nossa terra em sua música. Você que é um profundo conhecedor do assunto presenteia seus leitores com estes textos sobre nossos artistas.
ResponderExcluirA cantora Marinês, Sivuca, Jacson do Pandeiro e Luiz Gonzaga foram grandes ícones da nossa música popular nordestina. Fica difícil encontrar hoje, artistas novos, com o perfil de compromisso com a música raiz.
ResponderExcluirEu conheci o trabalho de um grupo novo da Paraiba, chamado Clã Brasil, que para mim é uma esperança de que a cultura nordestina anda tem um alento, por ser um grupo jovem, de mulheres, que faz um diferencial; uma família bonita e talentosa. Vou defender que essas meninas participem do próximo Festival de Inverno.