Carrero publicou mais de 20 livros, no Diario de Pernambuco foi repórter, editor e colunista. Em 1998 assumiu a Fundarpe, a fundação de cultura do Governo do Estado.
O professor e poeta Carlos Janduy escreveu uma singela homenagem ao escritor:
Obrigado, Raimundo Carrero!
Hoje o Brasil se despede de uma de suas vozes mais potentes. Raimundo Carrero não escrevia apenas livros. Ele escrevia abismos, escrevia silêncios, escrevia a alma agreste e universal do ser humano. Foi um dos maiores escritores que este país já teve, mestre da palavra densa, do mergulho sem medo na complexidade da vida.
Com ele aprendemos que literatura não é enfeite. É faca, é sangue, é revelação. Em obras como Sombra Severa, Somos Pedras que se Consomem e O Amor Não Tem Bons Sentimentos, Carrero nos ensinou a encarar o que dói e transformar em arte.
Salgueiro e Pernambuco perderam um filho. O Brasil perdeu um gigante. E a língua portuguesa imprimirá saudade.
Devo muito a Raimundo. Quando lancei meu primeiro livro, Inspirações, ainda neófito, cheio de sonhos, foi ele quem primeiro me abriu as portas, me recebendo no seu programa de debates culturais e literários, Painel, na TV Universitária (TVU) do Recife, com a generosidade dos grandes. Não me tratou como estreante. Me tratou como escritor, como poeta.
Aquele gesto contribuiu com minha trajetória, foi um incentivo para que, posteriormente lançasse mais alguns livros.
Carrero entendia que a literatura só sobrevive se passarmos o bastão, se acolhermos quem está chegando. Ele foi ponte, foi farol.
Se hoje continuo escrevendo, é porque um dia Raimundo Carrero me olhou, me enxergou e validou minha palavra quando eu mais precisava de apoio, para seguir em frente com meu atrevimento na escrita.
Obrigado, mestre. Sua obra permanece. Sua generosidade permanece em cada autor que você ajudou a levantar.
Descanse em paz. E que suas histórias continuem nos salvando.

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