A POLÍCIA DE SÃO PAULO MATA "DENTRO DA LEI"

A policial Yasmin,  que matou
Thawanna a mãe assassinada

A morte de Thawanna Silva, 31 anos,  na madrugada do dia 3 de abril, repercute em todo o Brasil.

O crime ocorreu em Cidade Tiradentes, na zona leste de São Paulo.

Thawanna estava com o marido, Luciano,  numa rua estreita do bairro da periferia paulista.

Um carro da polícia militar passou pelo casal e o retrovisor do veículo bateu no homem, que reclamou.

Quem dirigia a viatura deu ré e os policiais começaram a discutir com o casal.

A policial Yasmin, ainda em fase de estágio, desceu do carro e prosseguiu a discussão com Thawanna.

Em questões de segundos ouviu-se um tiro. A moradora de Cidade Tiradentes fica no chão, sangrando,  e a prestação de socorro demora.

Questionada por um companheiro de farda por que atirou, Yasmin justifica dizendo que levou um tapa no rosto.

A versão é contestada por Luciano, que ficou viúvo,  e por outras testemunhas presentes no local.

As câmeras não mostram tudo, mas o que se vê corrobora com a versão do marido e das testemunhas.

Há indícios de que a policial, além de matar uma mulher ainda jovem, mãe de cinco filhos, mentiu.

De acordo com Luciano, durante a discussão acalorada Thawanna deu um tapa na mão do policial.

O advogado da policial, com o sugestivo nome de  Alexandre Guerreiro, disse que Yasmin agiu dentro da lei.

Que lei é essa? Mesmo que a policial militar tivesse levado um tapa no rosto, como alegou, isso não lhe dá o direito de atirar numa pessoa desarmada.

Pelos vídeos dá para perceber que houve a omissão de socorro. Thawanna está no chão, agonizando e um policial militar aponta um fuzil para ela, como se oferecesse algum perigo.

Ministério Público informa que vai abrir protocolo para investigar, a Polícia Militar age como sempre, embora tudo indique que foi praticado um crime.

E se Yasmin, além de matar, mentiu?

Vai ficar por isso mesmo, como em tantos casos ocorridos em São Paulo, na gestão de Tarcísio de Freitas?

No principal estado do Brasil, a letalidade da PM é de assombrar. Cresceu de modo assustador em 2023, 2024 e 2025. Este ano segue em crescente.

O governador não faz nada para mudar essa situação. Segundo ele na polícia não há bandidos.

Daí se deduz que só existem marginais na periferia, entre os pobres e pretos.

Por ironia do destino, dessa vez a vítima é branca e a PM negra.

Não houve racismo então.

Mas tivemos arrogância, uso excessivo da força, despreparo, completa falta de sensibilidade com a vida humana.

E um advogado, com o sobrenome de Guerreiro, falando na grande imprensa que a policial agiu dentro da lei.

As polícias, desde o surgimento do bolsonarismo, pioraram muito. Em São Paulo, no Rio de Janeiro, em Pernambuco, no Brasil.

A violência, o crime, o tiro, tudo foi banalizado e as vidas não mais importam.

Passados mais alguns dias ou meses vão esquecer a Thawanna, sua morte injusta e as cinco crianças que ficaram sem mãe ninguém sabe qual será o destino delas.

Muitos brasileiros perderam a capacidade de se indignar, de se revoltar, de exigir justiça.

Reclamam e reclamam pela redes sociais. Criticam por criticar. Sem senso crítico, desprezando informações,  deixam de lutar pelo que realmente interessa.

E seguimos assim. Não adianta reclamar ao padre, ao juiz, ao promotor ou qualquer outra autoridade.

Thawanna daqui a alguns anos estará esquecida e Yasmin, quem sabe, no futuro receberá uma promoção.

Afinal de contas agiu dentro da lei, conforme palavra do seu advogado.

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