Por Adelmo Camilo
Eu cresci na rua do Bar da Portuguesa.
Lá, ia muita gente importante comer língua de boi.
Lembro que uma vez encontrei Aluísio Alves, o homem da Ronda Policial.
A rua era de barro.
Um dia a caçamba despejou paralelepípedos.
O caminhão levou areia e os homens da prefeitura calçaram a rua.
E mais gente frequentou o restaurante local.
E o povo dizia: ficou foi bom o serviço que Seu Ivo fez!
E eu perguntei, pai quem é Seu Ivo?
- É o prefeito da cidade, meu filho.
A gente corria na rua e ouvia o Programa Repeteco, na Rádio Sete Colinas.
A gente perguntava: mãe, de quem é a Rádio?
- É de Seu Ivo prefeito.
Um dia eu fui para um comício na Rua da Pipoca e o locutor anunciou: o homem chegou! é Ivo!!!
Fiquei feliz. Naquele dia vi quem era Seu Ivo Amaral.
Na escola a professora disse que ia levar a turma para conhecer o Relógio das Flores.
Achei lindo e interessante. A tia da escola aproveitou e mostrou a Rádio Difusora, a Providência E a AGA. Comecei a ver o quanto minha cidade era bonita.
A gente perguntou a tia da escola, quem construiu o Relógio? foi Seu Ivo, disse.
Eu fiquei pensando que esse “Seu Ivo” era o pedreiro aí a professora completou: Foi Seu Ivo Amaral, o prefeito. Lembrei da imagem dele no comício e sua fala que dizia que ia construir uma linda cidade. Fiquei orgulhoso.
Um dia me mostraram uma foto da festa dos 100 anos da cidade. Meu irmão mais velho disse que lembrava do momento. ... Até Luís Gonzaga veio cantar!
Aí, quando já não era mais tão criança, li um livro sobre a vida e obra do artista Luís Jardim, e vi que quem apoiou a publicação foi Seu Ivo, me deu uma alegria! No íntimo do coração eu disse: eu o conheço.
Quando fiz a 1ª eucaristia me tornei coroinha na Paróquia de São Sebastião na Boa Vista. Um dia o padre estava fazendo uns agradecimentos e entre suas palavras disse: que Deus abençoe Seu Ivo que criou o Festival de Inverno.
Após a missa, na casa paroquial eu tomei café na mesma mesa que Seu Ivo... Aí lembrei: da rua onde me criei, do calçamento, da rádio, dos pontos turísticos da cidade, do Festival de Inverno, da Garanheta, dos livros de Luís Jardim e de toda a beleza da cidade.
Enquanto eu lembrava isso, o padre pergunta para Seu Ivo como foi seu tempo de aluno no Colégio Diocesano de Garanhuns... não lembro o que ele relatou. Lembro que o padre só disse: E foi Seu Ivo?
E hoje, quando vou e volto do trabalho, passo perto da CEORGA e lá próximo fica a residência de Seu Ivo Amaral. Aí sinto: orgulho, felicidade e tenho esperança.
Quem fez isso comigo? Sem saber, foi Seu Ivo.
Ele me ensinou a amar Garanhuns!

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