Professora Lucimar Oliveira
não é mais Secretária de Desenvolvimento Rural e Meio Ambiente de Garanhuns.
Ela enviou uma carta ao
Diretório Municipal do Partido dos Trabalhadores comunicando seu afastamento do
cargo, alegando falta de autonomia para o seu trabalho. Segundo ela, que foi
presidente do PT em Garanhuns, as funções de sua pasta vinham sendo usurpadas
pela Secretaria de Obras do Município. “Acreditei, ingenuamente, que no
ambiente da Secretaria haveria alguma autonomia, mas me surpreendi ao ser
limitada a indicar apenas duas pessoas para compor minha equipe”, se queixou
Lucimar, na mensagem entregue a instância partidária.
Hoje à tarde a Secretaria de
Comunicação da Prefeitura, divulgou nota comunicando que a secretária tinha
deixado o cargo de forma pessoal e voluntária.
A nota informa que o prefeito
Sivaldo Albino se mostrou surpreso com o argumento da ex-secretária, uma vez
que todos os ocupantes do primeiro escalão têm exercido suas funções dentro da
realidade em que se encontra o município.
Ainda de acordo com a nota da
Secretaria de Comunicação, o prefeito reiterou o compromisso com o Partido dos
Trabalhadores, a quem cabe indicar o substituto (a) de Lucimar Oliveira.
Não conseguimos falar com a
vereadora e presidente do PT Garanhuns, Fany Bernal. Uma pessoa próxima a ela
na Câmara Municipal acredita que a parlamentar continuará próxima ao governo e
deve avaliar a saída de Lucimar como uma decisão pessoal e não do partido.
Segue a íntegra da carta da ex-secretária:
Ao Diretório Municipal do Partido dos Trabalhadores - PT
Ref. Renúncia.
Eu, LUCIMAR MARIA DE
OLIVEIRA, filiada ao Partido dos Trabalhadores, onde exerço o cargo de
Secretária Agrária, venho informar meu comunicado de renúncia ao cargo de
Secretária de Desenvolvimento Rural e Meio Ambiente (SDRMA), que ocupo desde
04/01/2021, até o presente momento, feito ao Prefeito Sivaldo Albino. Neste
ensejo, informo as razões e motivos que me levaram a esta decisão.
Desde que fui chamada a
compor a Secretaria de Desenvolvimento Rural Meio Ambiente, através da aliança
política construída entre o Partido dos Trabalhadores de Garanhuns e o Partido
Socialista Brasileiro de Garanhuns, que integraram com outros partidos a Frente
Popular de Garanhuns e que disputaram, com sucesso, a eleição municipal do
último ano de 2020, acreditei, pelos compromissos e acordos firmados, que
estaria compondo nova gestão, com uma nova visão estratégica, uma visão que
buscaria a integração, o respeito e a concretização de um programa de governo
que embasou a referida aliança, denominada: Coragem para Mudar.
Acreditei, ingenuamente, que
no ambiente da Secretaria haveria alguma autonomia, mas me surpreendi ao ser
limitada a indicar apenas duas pessoas para compor minha equipe. Logo na
primeira semana, percebi que a situação era muito grave, ao constatar que os
equipamentos e máquinas operadoras, locadas na SDRMA para realização de
serviços de aração de terras, limpeza de barragens, barreiros e recuperação de
estradas estavam sendo utilizadas pela Secretaria de Obras, Infraestrutura e
Serviços Públicos, a qual é gerida por Sinval Albino e que vem detendo o controle sobre as mesmas, bem como, também,
vem exercendo o controle sobre os Operadores e a coordenação dos trabalhos
realizados na área rural, além de destinar o uso desses equipamentos a maior
parte do tempo, para ações na zona urbana, na Operação Carga Total, e atualmente,
denominada Operação Reconstrução. Esse modelo de gestão exclui o papel da
SDRMA, evidenciando o desvio da finalidade dos equipamentos, que deveriam estar
à serviço da população do campo.
Entendemos que se deve
otimizar e economizar recursos públicos, mas não vemos que esse seja o caminho,
pois sacrificado está sendo o homem e a mulher do campo. Economia essa feita
com a não renovação do contrato de locação existente entre a empresa Locaserv e
a Secretaria de Obras, Infraestrutura e Serviços Públicos, ainda que
sacrificando e penalizando as ações da SDRMA, causando um impacto econômico e
social imenso, ao impedir de executar minha função enquanto Secretária.
Transferindo recursos humanos e maquinário da SDRMA ao controle direto da
Secretaria de Obras, Infraestrutura e Serviços Públicos, sem nada que
justifique essa atitude, esvaziando a atuação da SDRMA, subordinando esta ao
bel prazer das vontades do Secretário de Obras e assim limitando e esvaziando
as atribuições e impedindo a realização de qualquer plano pela SDRMA.
Isso tem ocasionado uma
sobreposição de ações, causando um claro prejuízo para a zona rural, que ou tem
ficado sem a prestação de serviços essenciais como recuperação de estradas,
limpeza de barreiros e barragens, ou estão sendo feitos de forma reduzida e sem
monitoramento, o que podemos deduzir, entrega de serviços aos quais não
poderemos responder pela qualidade, comprometendo o trânsito nas estradas da
zona rural e o escoamento da produção de agricultores/as e até gerado conflitos
entre agricultores/as, quando a Secretaria de Obras, Infraestrutura e Serviços
Públicos desvia os Operadores de Máquinas para realizarem arações fora da rota
estabelecida pela SDRMA, para atender interesses não previstos no planejamento.
Essas queixas chegam constantemente à nossa Secretaria e percebemos que além de
ignorada, não há canais para resolução.
Apesar das inúmeras
tratativas, com o Secretário de Obras, Infraestrutura e Serviços Públicos e
mesmo com a pessoa do senhor Prefeito, buscando o diálogo, marcando reuniões,
telefonando, trocando mensagens via o aplicativo WhatsApp ou mesmo através de
ofícios, a situação permaneceu praticamente inalterada, apenas sofrendo uma
leve mudança após intervenção do vice prefeito, Dr. Pedro Veloso, quando
ficou acordado que os dois únicos
tratores que estavam em condições de uso, de um total de quatro, passariam a
ficar disponíveis para uso da SDRMA de segunda a quinta feira, já que os outros
dois precisavam da contratação de motoristas, que embora solicitado ao Gestor
por diversas vezes a contratação, foi negada, ainda que sendo advertido que o
período de aração de terras é muito curto e seria necessário inclusive locar
mais tratores para atender à esta demanda. Pedido infelizmente sempre negado.
Ademais, esses serviços ainda
ficavam mais comprometidos porque dependiam de manutenção preventiva e
corretiva das máquinas, cuja gestão está sob controle da referida Secretaria de
Obras, bem como controle de abastecimento, embora essa seja uma atribuição da
SDRMA. Todas essas situações aqui relatadas geraram atrasos imensos na aração
de terras, comprometendo definitivamente a produção de centenas de
agricultores/as que dependem deste serviço e eu tenho um compromisso pessoal e
profissional em atender e ajudar as famílias rurais e não posso concordar com
esse modelo de gestão e responder por esse resultado.
Quanto aos serviços de
recuperação de estradas, barreiros e barragens, os mesmos continuam sendo
controlados pela Secretaria de Obras, Infraestrutura e Serviços Públicos, que
gerencia os poucos serviços realizados de recuperação de estradas, sem nenhuma
comunicação ou agenda previamente combinada com a SDRMA, embora essa atribuição
não seja da Secretaria de Obras, Infraestrutura e Serviços Públicos, mas da
SDRMA.
De modo que, no meu caso
específico, tive minha condição de Secretaria apenas proforma, sendo a SDRMA
desconsiderada, sufocada, asfixiada e esvaziada de seu papel deliberadamente, o
que tem gerado queixas e reclamações constantes de agricultores/as e inúmeros
constrangimentos e desgastes a mim, enquanto Secretaria, formal e legalmente
responsável por responder por tais serviços, impedindo-me de poder efetivamente
cumprir o papel a mim designado na gestão pública, ficando a mim reservado
apenas a função de assinar as requisições de empenho para pagamento de
servidores, locação das máquinas, manutenção e combustível, cuja atribuição
administrativa é de competência formal da SDRMA. Entretanto, na prática atuando
numa clara relação de total subordinação a outra Secretaria.
Em recentes reuniões com
Secretariado e até Vereadores/as para tratar de temas afetos ao campo, não fui
convocada para participar, nem me foi passada qualquer decisão das reuniões com
as autoridades, prerrogativas que, como Secretaria de Desenvolvimento Rural,
deveria ter sido incluída, para desempenhar minhas atribuições em prol dos/as
agricultores/as.
Durante esse período, fiz
todo esforço possível para desempenhar minhas atribuições, inclusive para
executar outros projetos com outros parceiros, a exemplo do IPA, Residentes em
Saúde do Campo, contando apenas com a
boa vontade e compromisso de valiosos servidores/as, buscando parcerias para
suprir a falta de estrutura e de contratação de técnicos e fui duramente
alijada, tendo as minhas ações completamente inviabilizadas, o que torna
insustentável a minha permanência no cargo. Resolvi permanecer nessa função e
dar o meu melhor, durante esses meses, apesar de tudo, com o intuito defender
os interesses dos/as agricultores/as representados dentro da pasta que coube a
mim, no entanto, diante desse conjunto de fatos e acontecimentos aqui
relatados, estou convencida de que há fatores que extrapolam a minha boa
vontade e que o modelo de gestão atual não coaduna com minha perspectiva de
bons serviços públicos para as famílias.
Vale ressaltar que todos
esses acontecimentos desfiguraram completamente a SDRMA, e que apesar de todos
os esforços feitos por mim, de todas as minhas atitudes proativas em favor de
ter o mínimo de autonomia para assegurar uma gestão em prol do fortalecimento
da agricultura familiar e defesa do meio ambiente, foi uma luta inglória, que
muito me frustra, portanto, não posso mais compactuar com essa situação e
permanecer de mãos atadas, sob pena de falhar com as pessoas que acreditaram em
mim, às quais eu prezo e me dedico.
Portanto, depois de muito
refletir, por uma questão de responsabilidade e coerência com minha trajetória
militante e profissional, nada mais me resta, a não ser apresentar minha
decisão de renúncia, sob pena de estar sendo negligente e conivente com essa
situação absurda, com a qual discordo radicalmente. Diante de tudo isso,
comuniquei a minha renúncia, em caráter irrevogável, em relação ao meu cargo de
Secretaria de Desenvolvimento Rural e Meio Ambiente.
Atenciosamente,
Lucimar Maria de Oliveira.
A NOTA DA SECRETARIA DE
COMUNICAÇÃO
A Prefeitura Municipal de
Garanhuns comunica à população a saída de forma voluntária e de caráter
pessoal, da Secretária Municipal de Desenvolvimento Rural e Meio Ambiente,
Lucimar Maria de Oliveira.
O Prefeito Sivaldo Albino
recebeu seu pedido de desligamento e agradeceu pelos serviços prestados com
responsabilidade nestes primeiros meses de gestão em que esteve à frente da
pasta.
O prefeito se mostra surpreso
pelo argumento da ex-secretária, uma vez que, todas as secretarias, sem
exceção, têm exercido suas funções administrativas dentro da realidade do
município, inclusive com a estrutura sucateada na agricultura, e os orçamentos
limitados pelas dívidas herdadas que têm levado a cortes nos recursos federais,
a exemplo do Fundo de Participação dos Municípios. Quanto ao uso de máquinas e
equipamentos por outras secretarias, vimos de forma emergencial a necessidade
de utilização de caminhões e tratores do município na Operação Reconstrução,
após os estragos causados pelas chuvas no mês de abril. Esta integração entre
secretarias é fundamental na gestão pública, onde precisamos da estrutura comum
para as prioridades.
Por fim, aproveitamos para
reafirmar o alinhamento com o Partido dos Trabalhadores, que deve indicar o
sucessor para a pasta, através da liderança de Fany Bernal, presidenta do PT no
município, e demais filiados.
Não vamos deixar que eventuais interesses pessoais e político-eleitorais contaminem a gestão, especialmente neste momento tão difícil que estamos enfrentando, de combate à pandemia. Seguimos firmes e unidos com a Frente Popular de Garanhuns.

Boa noite, aqui particularmente nos arredores do (Distrito de São Pedro)neste ano,não foi feita a limpeza de barreiros,aração de terras e recuperação das estradas vicinais.
ResponderExcluirPAULO CAMELO: Eis o resultado quando uma pessoa de esquerda ocupa um cargo no secretariado de um prefeito de direita. Não é a primeira vez que o PT age desta maneira. Afinal foram 8 anos com o "carrasco" Izaías Régis. Agora, são mais 4 anos com "carrasco" Sivaldo Albino. Com essa atitude do PT local, a esquerda só acumula derrota.
ResponderExcluirTaí o seu momento, se oferece lá, quem sabe assim tu aprende algo em política, pq se ELEGER é pra quem é competente e tem realmente ideias!
ExcluirEis um excelente secretário!!!!!
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