Escritor, advogado e jornalista, Manoel Neto Teixeira, natural de Itaíba, mas garanhuense de coração, é um dos maiores críticos de se comemorar o aniversário de Garanhuns no dia 10 de março.
A cidade vinha festejando há anos a emancipação política no dia quatro de fevereiro.
Em 1979, quando Ivo Amaral era prefeito, foi realizada uma mega festa para comemoração do centenário da cidade.
Até Luiz Gonzaga, o rei do baião, e Luiz Inácio da Silva, então líder sindicalista, estiveram presentes na grande festa.
Na prática, com a mudança de data, na administração passada, como que anularam a Festa do Centenário.
Em artigo célebre, publicado no Jornal do Commercio, da capital, Manoel Neto escreveu que a mudança fez com que Garanhuns passasse de cidade à vila.
Transcrevemos abaixo o texto do jornalista e advogado:
É dado saber que o processo evolutivo não tem volta, principalmente em se tratando de datas históricas. Como diria o professor, historiador e editorialista Aníbal Fernandes: “O fato é sagrado, apenas o comentário é livro”. Queiram ou não alguns o fato, o fato normativo e histórico, imutável, é que Garanhuns galgou o status de cidade em quatro de fevereiro de 1879. Percorrer o caminho inverso, ou seja, festejar-se simplesmente a condição de vila, ao invés de cidade, é retrocesso a troco de nada e que só confunde as cabeças das novas gerações, milhares de alunos das redes pública e privada de ensino.
A formação dos primeiros núcleos comunitários, com suas características rurais, desde o Brasil Colônia até o Império até chegarmos à condição de República foi e continua sendo conhecida como vilas. Eram formadas por casebres, geralmente de taipas (ver Sobrados e Mocambos, de Gilberto Freyre), pequenas ruas, serviços mínimos, como fornecimento de água potável, energia elétrica (esta, só para as vilas surgidas nas últimas décadas, pois nos velhos tempos luz só de vela e candeeiros). Esse estágio, primitivo, é que evoluiu como ainda evolui até galgar o definitivo status de cidade. O caminho inverso, não se tem notícia, exceto agora, lamentavelmente abarcando a nossa Garanhuns.
Trata-se de uma evolução natural e artificial, ao mesmo tempo, como é próprio da condição humana. E não ocorre da noite para o dia, é um processo, evolutivo, ao que sabemos sem volta; nenhuma cidade quer retroagir à antiga e superada condição de vila. Com todo respeito a essas pequenas comunidades quando desenharam ou nada serviram de linha para o atingimento da condição de cidade.
Está registrado no volume 2 da coleção de documentos históricos municipais, edição 1994, trabalho de grande alcance realizado pela FIAM, a seguinte evolução histórica e normativa de Garanhuns: "Criação do termo - 20 de maio de 1833; Criação da Comarca: 7 de junho de 1836; Retorno da freguesia de Altinho ao termo de Garanhuns - 8 de maio de 1945; elevação à cidade - 4 de fevereiro de 1879; constituição do município (com base no Art. das disposições gerais da Lei Nº 3/8/1892 - 7 de janeiro de 1893".
Esse é o fato. Nenhum comentário, ou procedimento, particular nem mesmo emanado de órgãos públicos é capaz de alterá-lo, substituí-lo. Quem conhece um pouco de história sabe que do estado primitivo, nômade, o homem foi evoluindo até chegar à grande e definitiva criação - a cidade. Conquista irreversível e proclamadora do grau civilizatório e urbanístico dos povos dos povos de todos os continentes.

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