Então é Natal, como canta
todos os anos a cantora Simone. Mas o cearense Raimundo Fagner, um dos grandes
nomes da música popular brasileira, lançou neste mês de dezembro um CD
(Biscoito Fino) intitulado “Serenata”.
O disco só tem clássicos da
velha e boa MPB, com autores do porte de Chico Buarque, Orestes Barbosa,
Cartola, Vinícius de Moraes e Pixinguinha.
Um bom trabalho do cearense,
que teve bons momentos em sua trajetória artística, mas também cometeu alguns
deslizes que afugentaram os fãs do começo da carreira.
Álbum “Serenata”, pode ser
considerado bom, até pela seleção apresentada. Não poderia ser ruim um disco na
voz de Fagner com músicas como Malandrinha, Maringá, Lábios que Beijei,
Valsinha, Mucuripe e Serenata do Adeus.
Apesar do ótimo time de
compositores, das canções inegavelmente belas e das interpretações corretas do
artista, o disco não chega a ser uma obra prima e está longe de ser o melhor da
carreira de Fagner.
E sabe por que? Todas as
músicas gravadas neste CD já tiveram diversas leituras e Fagner, mesmo sendo um
ótimo cantor, não conseguiu superar vozes do passado.
Difícil superar Vicente
Celestino na interpretação vibrante de Noite Cheia de Estrelas.
Da mesma maneira é quase
impossível ganhar de Orlando Silva cantando Malandrinha ou Lábios que Beijei.
A Deusa da Minha Rua é muito
melhor com Jessé ou Roberto Carlos do que com o cearense.
Valsinha fica melhor com o
autor, Chico Buarque, ou na voz de Nelson Gonçalves e Amelinha, que arrasou
cantando esta música, acompanhada por Toquinho ao violão.
Fagner conseguiu a proeza de
perder até pra ele mesmo. Gravou pela primeira vez As Rosas Não Falam, de
Cartola, em 1978 e ficou uma coisa linda, a sua voz entrecortada por violinos
que embelezaram por demais os versos. A versão atual perde feio daquela de 42
anos atrás.
A melhor faixa do CD – que não
é ruim, faço questão de repetir – é a música título, “Serenata”, num dueto
incrível com Nelson Gonçalves.
Graças à tecnologia, um dos
melhores cantores da música brasileira foi ressuscitado para cantar junto com
Fagner de maneira soberba. Os dois, um no céu e outro na terra, dão um
verdadeiro show. Se alguém ainda compra disco somente Serenata paga o álbum
inteiro.
Apesar dos pecados políticos –
Fagner apoiou Aécio e Bolsonaro – o cearense já compôs músicas belíssimas,
gravou álbuns incríveis e tem crédito de sobra.
É Natal, mas quem quiser
ouvir “Serenata”, já disponível nas plataformas digitais, não vai perder seu
tempo. Há de gostar de algumas faixas ou mesmo de todas.

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