Por Junior Almeida
Hoje,
13 de setembro, o município de Caetés completa 57 anos de sua emancipação política. Em anos anteriores, durante esse período, a cidade estava em festa, pois
desde o início do governo Armando Duarte que é realizada a chamada “Caetés Fest”, um mega evento, com desfiles, trios elétricos e shows em palco, para
celebrar o aniversário do lugar. Nomes de peso da música brasileira já se
apresentaram em Caetés durante as comemorações. Esse ano,
por conta da pandemia da Covid-19, infelizmente, não deu pra se realizar a grande
festa, como Caetés merece. O prefeito Armando Duarte, no entanto, gravou e divulgou
nas redes sociais um emocionante vídeo (abaixo), onde fala do município onde nasceu e
viveu toda a sua vida. Para lembrar a data, postamos abaixo uma pequena parte
da história de Caetés.
Dez
prefeitos já administraram a terra do ex-presidente Lula. Os que já não estão
mais entre nós, Zé Alfaiate, Rafael Brasil, Manoel Malaquias, Hermínio Sampaio
e Severino Gerino, além de Zé da Luz, Lindolfo Almeida, Sampainho, Aécio
Noronha e o atual Armando Duarte.
ORIGEM REMOTA DE CAETÉS
Data
de poucos anos depois do descobrimento do Brasil, por volta de 1534, a expulsão
dos índios Caetés de sua aldeia primitiva, “Marin”, do litoral para os sertões.
Já em 17 de dezembro de 1548, o monarca Dom João III ordenou que o Governador
Geral do Brasil, Tomé de Souza, enviasse alguns barcos (bergantins) pelo Rio
São Francisco acima com alguns soldados
da milícia para “descobrir” as terras sertanejas, fincando marcos e tomando
posse das mesmas.
Em 1560 o filho de Duarte Coelho, Donatário da Capitania de Pernambuco, Duarte de Albuquerque Coelho, ao substituir o pai como mandatário da Capitania, uniu-se com o irmão Jorge de Albuquerque Coelho, e organizou uma grande expedição para conquistar as terras do São Francisco. A jornada conquistadora durou cinco anos, com o exército pernambucano percorrendo os desertos, planícies e montanhas daquela zona sertaneja, escravizando e exterminando os verdadeiros donos da terra, dentre eles muitos índios Caetés.
Em
1573 o feudatário da Casa da Torre, Garcia d’Ávila, chegou a Sergipe, na margem
direita do Rio São Francisco, onde fincou marco de sua capitania. Em 1590
Cristóvão de Barros tomou posse do Governo da Bahia, conquistando as terras de
Sergipe e todos seus habitantes, dentre eles os índios Caetés. Conta Alfredo Leite
Cavalcanti que:
Não podendo os selvagens resistir ao embate de um considerável exército, dispondo de grossa artilharia e de numerosas forças de infantaria e cavalaria, além de quase três mil índios flecheiros aliados, viram eles, inopinadamente, invadidas e taladas as suas terras, destruídas as suas aldeias e lavouras e, por fim, depois de uma defesa heroica em combates e assédios, saem vencidos, custando-lhes a terrível campanha cerca de três mil mortos e caindo prisioneiros e escravos quatro mil, que foram divididos pelos expedicionários, como vantagens de guerra.
Os
sobreviventes desse massacre fugiram para o Amazonas, a centenas de quilômetros
de distância, e outros tantos para a Serra da Borborema, interior do Ceará,
Bahia e Pernambuco, na região de
Garanhuns, aonde viria a ser a vila e depois município de Caetés.
Ainda
sobre os índios Caetés, esses não eram vistos com bons olhos pelos governantes
da Coroa Portuguesa, pois além de terem literalmente comido o primeiro bispo
brasileiro, Dom Fernando Sardinha, em 1556, se aliaram aos holandeses na guerra
contra os portugueses alguns anos depois. A antipatia era recíproca. David
Gueiros Vieira conta que “os índios Caetés guardaram, por séculos, grande
ressentimento contra os portugueses, pela guerra de extermínio que lhes fora
feita."
O
mesmo autor diz ainda que “o seu parente, pastor Antônio Gueiros, em suas
andanças pelo sertão nordestino – na década de 1910/1920- aprendeu um ‘coco’,
em verso de pé-quebrado, cantado e dançado pelos Caetés na Serra do Teixeira,
na Paraíba, que dizia:
Tomara
não ir pro Céu
Para
São Clemente não ver.
Dele
não quero saber,
Nem
quero sua amizade.
O
coco era uma alusão ao Papa Clemente VI, que quatro séculos antes, tinha
permitido o extermínio dos índios Caetés. Por falar em índio, a bandeira e o
brasão do município usam uma imagem que não tem nada haver com o gentio da
etnia Caetés, como logicamente deveria ser, e sim um “índio genérico”, que lembra
mais os índios norte americanos. Bem que algum historiador local poderia
alertar as autoridades para sanar esse pequeno erro.
A HISTÓRIA DE CAETÉS
A
Vila de São Caetano foi fundada em 12 de abril de 1913, por Miguel Quirino dos
Santos, e pertencia ao município de Garanhuns. Sua sede fica distante 248
quilômetros de Recife. De acordo com Luiz Quirino dos Santos, inicialmente
existiam cerca de vinte famílias de lavradores, que residiam em pequenas casas
de pau a pique, e ficaram conhecidas em outras comunidades próximas como “Mocós
do Sítio Caetano”. Essa denominação está relacionada à vegetação do lugar, que
possuía muitas pedras, onde se originavam os mocós. Muitas são as versões sobre
a origem e a emancipação da Vila de São Caetano, das quais confirmou-se o
estabelecimento de famílias nessa localidade devido à terra fértil e à aproximação com um açude conhecido como
Cacimbão, e ainda de acordo com Luiz Quirino dos Santos.
O
município de Caetés teve sua emancipação político-administrativa no dia 13 de
setembro de 1963 e foi criado pela lei estadual número 4.987 de 20 de dezembro
do mesmo ano, sendo desmembrado de Garanhuns. A sua sede foi elevada a
categoria de cidade pela mesma lei que criou o município tendo sido instalada
no dia 16 de março de 1964.
Caetés
ficou conhecido nacionalmente por ser a terra natal de Luiz Inácio Lula da
Silva, que nasceu no Sítio Várzea Comprida, na divisa com o município de
Garanhuns. Desde 2013 Caetés se destaca devido ao parque eólico instalado no
município, gerando energia elétrica limpa para todo Brasil, através da
integração do sistema nacional. Em setembro de 2015 foi aprovado na Assembleia
Legislativa de Pernambuco, ALEPE, o projeto de lei 423/2015, de autoria do
deputado Claudiano Martins Filho, que concede o título de “Terra da Energia
Eólica em Pernambuco”.
*Fontes:
Junior Almeida, "Lampião, o Cangaço e Outros Fatos no Agreste Pernambucano", Alfredo Leite Cavalcanti, "História de Garanhuns", David Gueiros Vieira, "Trajetória de uma Família; A História da Família Gueiros", Manoel Quirino dos Santos em depoimento à historiadora Giselma Correia de Araújo Alves em 12 de abril de 2013, Site da ALEPE e Wikipedia.
**Fotos: Giselle Correia e Pinterest.
***Abaixo o vídeo de Armando Duarte:



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