CAETÉS COMPLETA HOJE 57 ANOS DE EMANCIPAÇÃO POLÍTICA



Por Junior Almeida

 

Hoje, 13 de setembro, o município de Caetés completa 57 anos de sua emancipação política. Em anos anteriores, durante esse período, a cidade estava em festa, pois desde o início do governo Armando Duarte que é realizada a chamada “Caetés Fest”, um mega evento, com desfiles, trios elétricos e shows em palco, para celebrar o aniversário do lugar. Nomes de peso da música brasileira já se apresentaram em Caetés durante as comemorações. Esse ano, por conta da pandemia da Covid-19, infelizmente, não deu pra se realizar a grande festa, como Caetés merece. O prefeito Armando Duarte, no entanto, gravou e divulgou nas redes sociais um emocionante vídeo (abaixo), onde fala do município onde nasceu e viveu toda a sua vida. Para lembrar a data, postamos abaixo uma pequena parte da história de Caetés.

 

Dez prefeitos já administraram a terra do ex-presidente Lula. Os que já não estão mais entre nós, Zé Alfaiate, Rafael Brasil, Manoel Malaquias, Hermínio Sampaio e Severino Gerino, além de Zé da Luz, Lindolfo Almeida, Sampainho, Aécio Noronha e o atual Armando Duarte.



Caetés tem uma área territorial de 330.472 km² e aproximadamente 28 mil habitantes, segundo o censo do IBGE de 2014. Faz limites com Venturosa, Capoeiras, Paranatama, Garanhuns e Pedra. Sua história recente data de pouco mais de um século, mas a colcha de retalhos que é a história, remete o ex-distrito de Garanhuns ao Brasil colônia. Vejamos:

 


ORIGEM REMOTA DE CAETÉS

 

Data de poucos anos depois do descobrimento do Brasil, por volta de 1534, a expulsão dos índios Caetés de sua aldeia primitiva, “Marin”, do litoral para os sertões. Já em 17 de dezembro de 1548, o monarca Dom João III ordenou que o Governador Geral do Brasil, Tomé de Souza, enviasse alguns barcos (bergantins) pelo Rio São Francisco acima com alguns   soldados da milícia para “descobrir” as terras sertanejas, fincando marcos e tomando posse das mesmas.


Em 1560 o filho de Duarte Coelho, Donatário da Capitania de Pernambuco, Duarte de Albuquerque Coelho, ao substituir o pai como mandatário da Capitania, uniu-se com o irmão Jorge de Albuquerque Coelho, e organizou uma grande expedição para conquistar as terras do São Francisco. A jornada conquistadora durou cinco anos, com o exército pernambucano percorrendo os desertos, planícies e montanhas daquela zona sertaneja, escravizando e exterminando os verdadeiros donos da terra, dentre eles muitos índios Caetés.

      

Em 1573 o feudatário da Casa da Torre, Garcia d’Ávila, chegou a Sergipe, na margem direita do Rio São Francisco, onde fincou marco de sua capitania. Em 1590 Cristóvão de Barros tomou posse do Governo da Bahia, conquistando as terras de Sergipe e todos seus habitantes, dentre eles os índios Caetés. Conta Alfredo Leite Cavalcanti que:

      

Não podendo os selvagens resistir ao embate de um considerável exército, dispondo de grossa artilharia e de numerosas forças de infantaria e cavalaria, além de quase três mil índios flecheiros aliados, viram eles, inopinadamente, invadidas e taladas as suas terras, destruídas as suas aldeias e lavouras e, por fim, depois de uma defesa heroica em combates e assédios, saem vencidos, custando-lhes a terrível campanha cerca de três mil mortos e caindo prisioneiros e escravos quatro mil, que foram divididos pelos expedicionários, como vantagens de guerra.

 

Os sobreviventes desse massacre fugiram para o Amazonas, a centenas de quilômetros de distância, e outros tantos para a Serra da Borborema, interior do Ceará, Bahia e Pernambuco, na região de Garanhuns, aonde viria a ser a vila e depois município de Caetés.

 

Ainda sobre os índios Caetés, esses não eram vistos com bons olhos pelos governantes da Coroa Portuguesa, pois além de terem literalmente comido o primeiro bispo brasileiro, Dom Fernando Sardinha, em 1556, se aliaram aos holandeses na guerra contra os portugueses alguns anos depois. A antipatia era recíproca. David Gueiros Vieira conta que “os índios Caetés guardaram, por séculos, grande ressentimento contra os portugueses, pela guerra de extermínio que lhes fora feita."


O mesmo autor diz ainda que “o seu parente, pastor Antônio Gueiros, em suas andanças pelo sertão nordestino – na década de 1910/1920- aprendeu um ‘coco’, em verso de pé-quebrado, cantado e dançado pelos Caetés na Serra do Teixeira, na Paraíba, que dizia:


       Tomara não ir pro Céu

       Para São Clemente não ver.

       Dele não quero saber,

       Nem quero sua amizade.

 

O coco era uma alusão ao Papa Clemente VI, que quatro séculos antes, tinha permitido o extermínio dos índios Caetés. Por falar em índio, a bandeira e o brasão do município usam uma imagem que não tem nada haver com o gentio da etnia Caetés, como logicamente deveria ser, e sim um “índio genérico”, que lembra mais os índios norte americanos. Bem que algum historiador local poderia alertar as autoridades para sanar esse pequeno erro.

 

A HISTÓRIA DE CAETÉS

A Vila de São Caetano foi fundada em 12 de abril de 1913, por Miguel Quirino dos Santos, e pertencia ao município de Garanhuns. Sua sede fica distante 248 quilômetros de Recife. De acordo com Luiz Quirino dos Santos, inicialmente existiam cerca de vinte famílias de lavradores, que residiam em pequenas casas de pau a pique, e ficaram conhecidas em outras comunidades próximas como “Mocós do Sítio Caetano”. Essa denominação está relacionada à vegetação do lugar, que possuía muitas pedras, onde se originavam os mocós. Muitas são as versões sobre a origem e a emancipação da Vila de São Caetano, das quais confirmou-se o estabelecimento de famílias nessa localidade devido à terra fértil e  à aproximação com um açude conhecido como Cacimbão, e ainda de acordo com Luiz Quirino dos Santos.

O município de Caetés teve sua emancipação político-administrativa no dia 13 de setembro de 1963 e foi criado pela lei estadual número 4.987 de 20 de dezembro do mesmo ano, sendo desmembrado de Garanhuns. A sua sede foi elevada a categoria de cidade pela mesma lei que criou o município tendo sido instalada no dia 16 de março de 1964.

Caetés ficou conhecido nacionalmente por ser a terra natal de Luiz Inácio Lula da Silva, que nasceu no Sítio Várzea Comprida, na divisa com o município de Garanhuns. Desde 2013 Caetés se destaca devido ao parque eólico instalado no município, gerando energia elétrica limpa para todo Brasil, através da integração do sistema nacional. Em setembro de 2015 foi aprovado na Assembleia Legislativa de Pernambuco, ALEPE, o projeto de lei 423/2015, de autoria do deputado Claudiano Martins Filho, que concede o título de “Terra da Energia Eólica em Pernambuco”.

 


*Fontes:

Junior Almeida, "Lampião, o Cangaço e Outros Fatos no Agreste Pernambucano", Alfredo Leite Cavalcanti, "História de Garanhuns", David Gueiros Vieira, "Trajetória de uma Família; A História da Família Gueiros", Manoel Quirino dos Santos em depoimento à historiadora Giselma Correia de Araújo Alves em 12 de abril de 2013, Site da ALEPE e Wikipedia.

**Fotos: Giselle Correia e Pinterest.

***Abaixo o vídeo de Armando Duarte:




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