Celso Marconi, jornalista recifense, está completando 90 anos esta semana.
Ele foi meu professor de cinema na Universidade Católica, no curso de
jornalismo.
Excelente figura humana e crítico sensível e inteligente de cinema. É bom ter notícias do velho mestre, saber que a Companhia Editora de Pernambuco
está lançando uma biografia para homenageá-lo.
Segue matéria que nos foi enviada pela Assessoria de Comunicação da Companhia Editora:
A Cepe Editora lançará na próxima sexta-feira (21), em live no seu canal
no YouTube, a biografia do jornalista, crítico, professor, programador,
curador cinematográfico e cineasta Celso Marconi.
Celso, que completará 90 anos de idade no domingo (23), tem
trajetória de vida intrinsecamente ligada ao cinema e à formação de gerações de
cinéfilos e cineastas em Pernambuco. O livro Celso Marconi, o senhor do
tempo, quinto título da Coleção Perfis, leva a assinatura do também
jornalista, professor, escritor e realizador Luiz Joaquim. A live começará às
17h30 e contará com a participação do autor, do biografado e do editor da Cepe,
Diogo Guedes, na mediação da conversa.
Considerado o mais longevo crítico de cinema em atividade no Brasil,
Celso Marconi de Medeiros Lins, recifense nascido no Poço da Panela, que um dia
pensou em ser médico, se preparou para cursar Direito e mergulhou na Filosofia,
se mantém em plena atividade há 66 anos ininterruptos.
Tempo marcado por vigorosa contribuição, em várias frentes, que sempre
convergiu para a democratização do acesso ao cinema. “Formidável é também
conhecer a trajetória de Celso Marconi ao longo das quase sete décadas [...] e
entender que sua bandeira seguiu flamulando, coerentemente, sob o mesmo vento
que sopra a ideia do cinema brasileiro como uma arte popular, para o povo e
sobre o povo”, destaca o autor no livro.
Celso Marconi, o senhor do tempo é a primeira biografia de Luiz
Joaquim. Autor de Cinema brasileiro nos jornais (Editora Massangana, 2018), ele levou 11 meses em um profundo
mergulho no universo pessoal e profissional de Celso Marconi para
revelá-lo a partir de extensa pesquisa em livros e acervos jornalísticos,
depoimentos de familiares, amigos, colegas de profissão e do próprio
biografado.
“A experiência foi excitante, e não apenas do ponto de vista
intelectual (pela erudição que Celso carrega com ele), mas também por me pôr à
prova para tocar um projeto tão valioso em termos pessoais para o biografado -
que tanto admiro - e para mim. O leitor, claro, também estava nesse horizonte.
A ele me propus entregar um material sedutor, rico e, em vários sentidos,
inspirador e revelador sobre a trajetória e importância de Celso”, revela Luiz
Joaquim.
Em 167 páginas e com fotos do acervo pessoal, o livro evidencia
marcos da vida de Celso Marconi, referenciando-os a fatos históricos e
cotidianos da cidade, do país e do mundo. Entre tantos balizadores, a
infância impactada pela morte da mãe; os sucessivos lares (e cidades) em que
viveu sob a guarda de parentes; a adolescência de menino tímido que viu o mundo
se revelar em tardes de leituras (Charles Dickens, Dostoievski, Jorge Amado); o
envolvimento com a cena cultural recifense (que nos anos 1950 já buscava
ressignificar o cinema); a generosa amizade com Jomard Muniz de
Brito; as tantas colaborações para a cultura e para o audiovisual; a carreira
jornalística estelar; os anos de chumbo e os novos espaços ocupados num mundo
essencialmente digital.
Luiz Joaquim acredita que o título chega para reparar lacunas. “Entre os
vários méritos que o livro resgata a Celso está a sua contribuição na formação
de dezenas (ou centenas) de milhares de interessados por arte no Estado. E não
apenas como um jornalista cuja proposta era difundir e promover reflexão sobre
esse campo - e sempre com um pé (ou os dois) fincado(s) na responsabilidade
social da arte-, mas também como curador e programador de cinema. Junto a
Fernando Spencer (que também carece de uma biografia), Celso sedimentou no
morador do Grande Recife, dos anos 1950 aos 2000, o hábito de sair de casa para
ver e debater um filme autoral e, assim, afinar sua personalidade com o que havia
de melhor no mundo. E isso não é pouco”.

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