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sábado, 23 de março de 2019

OS DEZ MANDAMENTOS, UM FILME ANTOLÓGICO



Por Altamir Pinheiro

Os Dez Mandamentos, um filme  datado do ano de 1956,  em qualquer época nos  deixa  impressionado com toda  essa grande narração  épica, em todo e qualquer aspecto em que isso possa ser considerado, é atemporal e apaixonante. Esplendorosos cenários, belíssima fotografia, interpretações “admirantes”  de Charlton Heston e Yul  Brynner,  com   um roteiro primoroso que justificam estar incluído na maioria das listas de filmes indispensáveis de todos os tempos.  O diretor  CECIL B. DEMILLE(o mesmo de Sansão e Dalila) com seu perfeccionismo ilimitado criou um filme inesquecível. Atuações, cenários, paisagens e efeitos especiais de enlouquecer qualquer espectador seja ele cristão ou não.

Em que pese a pieguice religiosa,  às vezes até irritante,  os filmes épicos seduz os cristãos no mundo inteiro. O lendário Cecil B. DeMille é o diretor por excelência desse gênero. As superproduções como “Ben-Hur” ou “A Queda do Império Romano” são títulos lembrados quando se pensa na epopeia dos reis e heróis bíblicos.   Esse gênero cinematográfico abrange proporções grandiosas, tempos turbulentos e personagens nobremente heroicos. Geralmente a trama se centra em metas ou buscas, muitas vezes de fundo religioso ou político, pois esse tipo de projeção cinematográfica alcançou o seu ápice nas décadas de 50 e 60.

Em sua sinopse que é baseada no Velho Testamento nos mostra que, Moisés, criado desde bebê pela filha do faraó,  cresce e se torna príncipe do Egito. Ao descobrir sua verdadeira origem, ele decide libertar o povo hebreu da escravidão egípcia, sendo guiado por Deus diante dos inimigos e obstáculos que surgem durante esse caminho. Ou seja, A épica vida de Moisés (Charlton Heston), desde recém-nascido, quando foi colocado nas águas em um cesto e acabou sendo adotado por uma princesa egípcia, até quando descobre sua real condição e decide liderar seu povo que, escravizado pelos egípcios, anseia pela liberdade.

Como afirma em suas pesquisas o cinéfilo Paulo Telles, a primeira escolha para interpretar Moisés na segunda versão de DeMille foi o astro cowboy William Boyd (1895-1972), velho amigo do diretor e famoso por ser o destemido herói cowboy Hopalong Cassidy em dezenas de faroestes “B’” das décadas de 1930 a 1950, entretanto ele recusou. Logo, veio a ideia do diretor em escolher um jovem e promissor ator com quem trabalhara dois anos antes, em um outro espetáculo que rendeu a ele não somente boa bilheteria, mas também o Oscar de melhor filme de 1952: O Maior Espetáculo da Terra.  Este jovem era CHARLTON HESTON, no esplendor de sua forma física aos 30 anos, casado e com um filho recém-nascido (que fez participação no filme como sendo o "bebê Moisés" encontrado pela filha do faraó.

Os dez Mandamentos tornou-se também  no mais longo filme da carreira de DeMille, 220 minutos (a versão de 1923 tinha 136 minutos), E O ÚLTIMO DE SUA LONGA TRAJETÓRIA. E de quebra,  a refilmagem concorreu a sete Oscars (inclusive de melhor filme), mas acabou somente ganhando por efeitos especiais, obra do competente John  Fulton,  onde repetiu com os mais modernos efeitos especiais possíveis para 1956 a proeza de dividir o Mar Vermelho para que o grande líder Moisés (Charlton Heston) pudesse escapar com seu povo do exército do faraó Ramsés (Yul Brynner) e atingir o Monte Sinai.

Pra época, há mais de 60 anos, o filme é muito avançado. Fica evidente, que hoje, o formato e a tecnologia são muito mais avançadas.  Mas, claro, sem tirar qualquer valor, do diretor DeMille, que teve garra de, com mais de 70 anos, jogar numa tela tudo aquilo. ele é grandioso mesmo. Ele é fantástico e tudo àquilo é muito bem feito. Hoje, com a tecnologia que dispomos, no filme, as pragas seriam melhor e mais claramente mostradas. Apesar de, ou se bem que: a praga do granizo que vira fogo o DeMille fez perfeito, assim como a água do Nilo ficar tinta como sangue. Bons truques para 1956, sem falar na abertura do Mar Vermelho que, mesmo com tantas falhas de artifícios, anda e um truque e tanto. 

Neste filme o veterano cineasta, aos 70 anos,  cumpriu o trato de produzir coisa de qualidade. Tornou-se o filme mais caro da história da PARAMOUNT, mas acabou se tornando o maior êxito comercial do estúdio, que faturou uma fábula em milhões de dólares só no mercado norte-americano. Por isso é correto dizer que com o cinema de Cecil B. DeMille, a Sétima Arte descobriu como a fé além de remover montanhas, também poderia produzir o milagre da multiplicação de renda. esta grandeza de fita que é Os Dez Mandamentos é um DEZ!!!


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