Governo do Estado

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quinta-feira, 3 de agosto de 2017

AMORALIDADE PÚBLICA


Por Michel Zaidan Filho 

Desde a obra do abade Sieys, sobre o terceiro estado, o pensamento social e politico moderno consagrou o povo como titular da soberania política. É o povo que elege, e o povo que destitui o governante, quando ele é ímpio e mau. Um dos campões  da teoria democrática, J.J. Rousseau foi mais radical ao dizer que a soberania popular é inalienável, intransferível, una e indivisiva.  Até os autores liberais e contratualistas admitem que quando o representante trai a confiança dos representados é legítima a desobediência civil e a sublevação popular contra ele.

Imagine como é possível que um governante, não eleito pelo povo,  sem legitimidade política nenhuma, com baixíssima aprovação popular, e acusado de corrupção passiva e formação de quadrilha, possa se manter no cargo, utilizando-se das prerrogativas inerentes a ele, para fazer obstrução à Justiça, num processo criminal onde é réu?  Corromper parlamentares, que serão os responsáveis pela abertura do processo na Câmara e pelo julgamento em plenário do governante em questão é crime, crime de obstrução do processo judicial. Pode parecer uma simples medida da sempre presente fisiologia parlamentar,  tão característica da atual legislatura congressual, no entanto é mais do que isso. Trata-se de uma atitude desesperada que acha que pode prolongar a agonia do mandato tampão, através de escaramuças e estratagemas perdulários e criminosos, pela oferta de vantagens em troca de apoio político.

Naturalmente, o significado desse triste espetáculo de compra-e-venda da democracia representativa em nosso país vai mais além do que a mera sobrevivência de um moribundo, no limiar do cadafalso. Trata-se de manter, para a elite econômica e seus prepostos no Congresso, a execução de uma agenda antirrepublicana, antinacional, antipopular, adrede preparada, que os golpistas enfiaram no bolso do atual  governante. Ele sabe  muito bem que não passa de um representante dessa elite, fará o que ela mandar,  depois será descartado – mais adiante – para responder aos processos, sem foro privilegiado. Mas enquanto  a agenda não for cumprida, ela – a  mal chamada elite – fará tudo para mantê-lo no poder. Pouco  se importa com os escrúpulos da legitimidade democrática, da moralidade pública, do interesse republicano da administração federal, da impopularidade desse dirigente. Nada  disso parece importar para essa elite apátrida, cujos interesses mobilizaram campanhas de massas, de eleitores incautos e desavisados, que foram para rua bater panelas caras nos dias de domingo, para afastar a Presidente eleita.

Enquanto isso, os bandidos riem e conspiram abertamente, à luz do dia, seguros da impunidade e da ineficácia do protesto popular. Até quando?

*Curioso é que o artigo do professor e cientista político Michel Zaidan foi escrito antes da votação de ontem. Mas parece que foi depois, indicando que a votação desta quarta-feira não o surpreendeu nem um pouco.

2 comentários:

  1. Esses esquerdopatas quando estão na oposição, só falam em Moral, quando pisam no Poder a MORALIDADE vira palavrão!

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  2. Do ex-ministro da Cultura Marcelo Calero:
    "Apenas em um país profundamente doente, um deputado é flagrado recebendo uma mala de dinheiro e permanece solto; apenas em um país profundamente doente, um senador da República é flagrado combinando propina e permanece em liberdade; apenas em um país profundamente doente, o presidente é flagrado em evidente prevaricação e permanece presidente; apenas em um país profundamente doente, existem partidos e políticos que se dispõem a defender o deputado da mala, o senador da propina e o presidente da prevaricação."
    Acrescento: - TUDO É MUITO GRAVE!! - Mas a prevaricação foi o crime de pena mais leve! - 3. NÃO estou defendendo petistas, nem Lula. - Assim, registro fatos deprimentes, ocorridos na sessão hedionda da votação: quando o sujeito, ao votar "não", berrava: "Lula 2018"! Isso não estava em votação! Agora, vale relembrar que, quando apearam a ex-presidente Dilma Rousseff, NÃO havia crime de responsabilidade! As ditas "pedaladas fiscais", foram só o pretexto pra tirá-la do poder; já que ela não tem o perfil que eles querem! – 2. E note-se que o procurador Rodrigo Janot usou só 10% dos artigos do Código Penal, na DENÚNCIA! E mais 10% de artigos das demais leis penais pertinentes contra o mister Fora Temer!

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