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segunda-feira, 10 de abril de 2017

PROFESSOR AMERICANO ANALISA ATAQUE DOS EUA À SÍRIA

Em um contato especial com a equipe jornalística da Rádio CX36 o sociólogo estadunidense, professor James Petras, analisou as causas do ataque estadunidense contra a Síria, ocorrido na noite de quinta-feira, dia 6. Esse ataque com mísseis dos Estados Unidos a Síria “serve a Trump” para demonstrar internamente que é tão militarista e bélico como Obama, disse Petras. 

A esse respeito, recordou que “Trump quer enfraquecer as forças da Síria, Rússia e os aliados que estão avançando contra os terroristas que os Estados Unidos apoiam”; além disso, “quer mostrar uma política agressiva contra a Rússia, muito perigosa obviamente porque pode precipitar um confronto”; é uma forma “de aglutinar a Europa após a agressão, o que é outra razão de que se quer avançar neste confronto militar” e, por último, “esta agressão ocorre precisamente quando Trump está reunido com o presidente da China. Portanto, é uma forma de pressionar a China” para que “tome partido contra a Coreia do Norte”, disse Petras. Transcrevemos esta análise que você pode voltar a ouvir em:

Hernán Salina: Em um contato extraordinário com o professor James Petras, porque os fatos justificam convocá-lo neste momento. Bom dia, professor Petras. Como está?
James Petras: Bom dia. Estou bem, igual a vocês, espero.
HS: Semana que passou veio esta notícia do ataque dos Estados Unidos à Síria. Que elementos é preciso considerar sobre este bombardeio das tropas de Donald Trump a uma base aérea síria?
JP: Devemos entender que serve a Trump para muitas coisas, que há tempos está pensando em como realizar.
Primeiro, está sob um ataque furioso do Partido Democrata, com acusações por qualquer coisa e, particularmente, por sua suposta aproximação com a Rússia, sua falta de política com relação à China e países que resistem aos Estados Unidos como o Irã. A direita do Partido Democrata, a política de (ex-presidente Barack) Obama com múltiplas guerras, pesava muito na mentalidade de Trump. Apesar de ter declarado em sua campanha eleitoral que não se meter nas guerras do Oriente Médio, agora voltou atrás, designou militares em seu gabinete e quer parecer mais militarista que o senhor Obama.
Essa é a interna. É uma luta entre militaristas e militaristas. E para conseguir a vitória, Trump lançou este ataque à Síria para se mostrar como tão militarista como qualquer concorrente do Partido Democrata.
Agora, este é um fator. Porém, existem outras coisas que devemos considerar para entender a razão pela qual Trump lançou um bombardeio de mísseis contra a Síria.
Nesse sentido, o segundo fator é que Trump quer enfraquecer as forças oficiais, a política da Síria, Rússia e os aliados que estão avançando contra os terroristas que os Estados Unidos apoiam. Estes 59 mísseis foram lançados contra um aeroporto do governo sírio. Ou seja, querem enfraquecer a Força Aérea síria para ajudar os terroristas, que vem sofrendo várias derrotas e bombardeios.
Em terceiro lugar, quer mostrar uma política agressiva contra a Rússia, uma provocação contra a Rússia, muito perigosa obviamente porque pode precipitar um confronto. Eles acreditam que é um ato de intimidação e impunidade. A Rússia respondeu acusando-os e agora estão no Conselho de Segurança das Nações Unidas julgando esta agressão. Devemos anotar, também, que os países da Europa, principalmente a França e a Inglaterra, com toda a dissidência que mostraram no passado, se juntaram com a agressão estadunidense, que mostra as cores imperialistas, tanto dos conservadores na Inglaterra como os chamados socialistas na França. É uma forma de aglutinar a Europa após a agressão, o que é outra razão de que se quer avançar neste confronto militar.
É preciso entender outra coisa mais, esta agressão ocorre precisamente quando Trump está reunido com o presidente da China. Portanto, é uma forma de pressionar a China, ameaçá-la com o uso de mísseis, para que tome partido contra a Coreia do Norte ou talvez apoie uma agressão estadunidense contra a os norte-coreanos.
Agora, todos estes mísseis se lançaram com o pretexto de uma guerra química por parte do governo sírio. E isto é totalmente falso. Porque a Síria não tem nada que ganhar com o uso de armas tóxicas, já que a Síria está avançando, está ganhando a guerra e não existem razões para usar armas químicas que poderiam provocar uma agressão internacional. E os Estados Unidos, Trump e companhia, não mostram nenhuma prova, não existe nenhum indício do uso de armas químicas por parte do governo. A Rússia e a Síria negam e afirmam que era um depósito de armas químicas dos terroristas.
Em outras palavras, eles tinham o depósito em um lugar que poderia servir como alvo.
E de onde eles obtiveram as armas químicas? Obviamente não têm a capacidade de fabricá-las sozinhos. Então, a hipótese é que os Estados Unidos tenham colocado as armas químicas em um lugar onde seria bombardeado, para utilizá-lo como pretexto para lançar uma agressão contra a Síria. O mesmo que fizeram na guerra do Vietnã, quando fabricaram a ideia de que o exército da Coreia do Norte tinha atacado um barco estadunidense, coisa totalmente falsa – como foi reconhecido depois. Porém, os Estados Unidos lançaram um ataque feroz com bombardeios a várias cidades da Coreia do norte, utilizando esse pretexto fabricado, conhecido como “incidente de Tonkin”.
Diego Martínez: Em sua campanha eleitoral, Donald Trump surpreendia anunciando medidas de não intervenção no estrangeiro e mais medidas de reativação de armas internas; no entanto, pouco depois de assumir, já atacou a Síria, e provoca permanentemente a Rússia e Coreia do Norte. Trump mudou de opinião ou é parte do mesmo?
JP: Devemos entender que os políticos burgueses, socialdemocratas ou de direita, sempre prometem coisas que o povo apoia: a paz, a justiça, o bem-estar, multiplicar os empregos, uma postura popular, nacional, independente. Porém, uma vez eleitos, todos atuam ao contrário: aumentam os gastos militares, cortam os programas sociais, baixam os salários. E Trump está nessa onda, sempre promete muito e cumpre o contrário.
No caso de Trump, devemos ter claro que não conseguiu nenhum objetivo, diminuiu a imigração, porém não teve êxito no processo de construir o muro (na fronteira com o México); não teve nenhum êxito com os decretos anti-imigrantes; perdeu todas as batalhas no congresso com algumas poucas exceções, como a nomeação de um Juiz para a Suprema Corte.
Parece-me muito mais factível que Trump sempre tenha tido a agenda militarista, por isso nomeou todos os militares no gabinete. Utiliza a guerra como uma vara para pegar os críticos de suas nomeações e, também, uma vara para mostrar aos direitistas de seu partido e dos democratas, que ele pode ser tão bélico como Obama. Existe uma mistura aqui do que poderíamos chamar uma virada demagógica e de uma política militarista frente aos fracassos domésticos.
HS: O que resta esperar da Rússia? Para além do que acontece no Conselho de Segurança, um país que, diferente do que ocorreu no Iraque ou Líbia, está jogando estrategicamente na Síria, fornecendo militares e recursos.
JP: Bom, até agora tomou medidas diplomáticas. Disseram que estão preparando uma autodefesa, avisaram aos Estados Unidos que violaram todas as leis internacionais, e pediram que parem de agredir, porque a Rússia está disposta a responder com a mesma força que eles estão sofrendo.
Até agora, não tomaram nenhuma represália militar, manifestaram críticas e avisos. E até agora, podemos dizer que graças à política racional da Rússia, não se desatou uma guerra nuclear. Porém, pouco a pouco Trump vai nessa direção, que é muito perigosa para todo o mundo. Porém, devemos entender que passo a passo, se hoje bombardearam aeroportos na Síria, amanhã podem atacar lugares onde se encontram os efetivos russos, e isso poderia provocar uma contrarresposta da Rússia contra os aviões e mísseis que os Estados Unidos estão lançando.
No Conselho de Segurança hoje, só a Rússia e a China vão condenar o ataque dos Estados Unidos, pois a França, Inglaterra e qualquer outro membro, vão apoiar os Estados Unidos. Naturalmente que a representante estadunidense nas Nações Unidas é uma louca completa, uma psicopata, chamada Nikki Haley; que fica gritando as coisas mais histéricas e mentirosas. Então, toda a equipe de Trump nas Nações Unidas é da ultra louca direitista.
HS: Professor James Petras, como sempre um agradecimento, um orgulho tê-lo como parte da equipe da 36 a partir dos Estados Unidos.
JP: Um abraço. Bom início de semana.


Tradução: Partido Comunista Brasileiro (PCB). Apoio: PCB de Garanhuns/PE

2 comentários:

  1. PARABÉNS AO CACHORRO LOUCO DONALD TRUMP.

    P.S.: - Sou da opinião que, todo castigo é pouco tanto para terroristas como petralhas...

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  2. Com DESTAQUE:
    "JP: Devemos entender que os políticos burgueses, socialdemocratas ou de direita, sempre prometem coisas que o povo apoia: a paz, a justiça, o bem-estar, multiplicar os empregos, uma postura popular, nacional, independente. Porém, uma vez eleitos, todos atuam ao contrário: aumentam os gastos militares, cortam os programas sociais, baixam os salários. E Trump está nessa onda, sempre promete muito e cumpre o contrário."
    Cuidado também com a direita brasileira.

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