Governo do Estado

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quarta-feira, 22 de março de 2017

ÁLVARO DENUNCIA EMPREGUISMO DE POLÍTICOS NO ESTADO

A crise utilizada pelo Governo do Estado para justificar limitações da gestão de Paulo Câmara não tem impedido contratações de cargos comissionados. Levantamento apresentado pelo deputado Álvaro Porto (PSD) nesta terça-feira (21.03), na Assembleia Legislativa, mostra que mais de 300 nomeações foram feitas entre novembro de 2016 e março deste ano pelo Executivo estadual. Entre estes estão filiados do PSB ou de partidos aliados que foram derrotados nas eleições em outubro do ano passado. Também há correligionários que encerraram mandatos em dezembro.

“O Palácio do Campo das Princesas vem se transformando num generoso abrigo de partidários do poder. Muitos recursos são empregados para bancar esses cargos. Por baixo, cerca de R$ 2 milhões mensais estão sendo destinados aos salários dos contratados”, afirmou Porto em discurso no plenário. Estão na lista, já divulgada pela imprensa, os ex-prefeitos de Paulista, Ives Ribeiro, e de Moreno, Adilson Gomes Filho. Há ainda, entre outros nomes, os candidatos a prefeito derrotados em Jaboatão, Heraldo Selva, e em Garanhuns, Sivaldo Albino. 

O deputado destacou que a eficiência do Governo em criar vagas tem motivado comentários carregados de ironia. “Tenho ouvido que em pouco tempo a sede da Agência do Trabalho vai cruzar a ponte Princesas Isabel e ser transferida da Rua da Aurora para a Praça da República”, disse. Ele ressaltou, porém, que o bom humor contido nesse tipo de observação costuma ser acompanhado de indignação e falta de esperança.

“Afinal, como não se indignar com tantas falhas em políticas públicas enquanto o Governo contrata aliado para assessor e gerente? Como manter a esperança em melhoria dos serviços se entre as prioridades do Governo está o inchaço de cargos comissionados? Como não se incomodar com os milhões empregados para agradar parceiros, se as polícias seguem carentes de estrutura e de equipamentos, servidores do Detran penam para conseguir condições dignas para exercer suas funções e gente continua a morrer por falta de atendimento e medicamento na rede estadual?”, arrematou.

Em aparte, Silvio Costa Filho (PRB), líder da oposição, afirmou que o debate sobre as mais de 300 contratações precisa ser feito e que causa preocupação a possibilidade de o critério para as nomeações ser meramente eleitoreiro, já com vistas para a disputa de 2018.

O líder do governo, Isaltino Nascimento (PSB), utilizou o tempo que tinha reservado para outro tema para rebater Porto. Naturalizou as contratações, afirmou que a política no Brasil é assim mesmo e que os governos são eleitos a partir de composições entre partidos que indicam nomes para cargos. Lembrou que Álvaro Porto é do PSD, sigla governista que ocupa a secretaria das Cidades e, para arrematar, recorreu ao campo pessoal: “se o deputado que me antecedeu não foi aquinhoado (com cargos), não posso fazer nada”.

“GOVERNADOR NÃO CUMPRIU” - Porto não foi à tréplica por entender que os argumentos do líder do Governo em nada contribuem para o debate. “O Governo esquece a crise quando assunto é nomeação de aliados e só recorre a ela quando se vê cobrado pelas ineficiências em segurança, saúde, transporte. Infelizmente, não nos surpreendemos com os argumentos usados para justificar as contratações. O Governo fez suas escolhas e tem suas prioridades. A população bem sabe. É ela quem paga pelas deficiências e limitações da gestão”, frisou, após a sessão desta tarde.


Eleito pelo PTB, o pessedista diz que se filiou ao PSD por apostar que o governador iria honrar a palavra empenhada. “Já disse por diversas vezes que minha adesão foi condicionada a obras para o Agreste Meridional. No entanto, como se sabe, os acordos não foram cumpridos pelo governador. Nunca pedi cargo nem ao PSD bem ao Governo. Nenhum cargo. Achar que faço críticas e cobranças porque não teria sido aquinhoado com cargos, revela bem como esse governo funciona. Levar o debate para esse campo é desviar foco, é algo improdutivo”.

*Na foto do Portal do Agreste o ex-prefeito Yves Ribeiro, um dos políticos "empregados" pelo governador Paulo Câmara com intenções "eleitoreiras".

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