Governo do Estado

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sexta-feira, 24 de março de 2017

A PODRIDÃO DO AGRONEGÓCIO E A AGIBRÁS


Gabriel M. Colombo de Freitas*
A operação “Carne Fraca” da PF exaspera a necessidade de se criar uma empresa público-estatal de agricultura e alimentação, a “AgriBras”, para colocar a produção de alimentos ao serviço dos trabalhadores.

A venda de carnes vencidas e podres é um dos resultados do domínio do capital sobre a produção da nossa comida. Passa a predominar o interesse em elevar os lucros por quaisquer meios, enquanto a qualidade dos alimentos e a conservação dos recursos naturais passam a segundo plano ou se restringem a produtos que atendem “nichos de mercado”.
Por outro lado, a liberalização da agricultura acompanhada da subordinação aos mercados globais de commodities aliena a produção de alimentos das necessidades da população. A cada ano, aumentam as áreas plantadas com soja, cana-de-açúcar e eucalipto, por exemplo, enquanto diminuem as áreas de arroz e feijão [1]. Como consequência, passamos a depender mais da importação de alimentos básicos e ficamos mais vulneráveis às oscilações de preço do mercado internacional, como o sensível aumento do preço do feijão em 2016. Outra consequência da liberalização da agricultura é a “queima de produção” para diminuir os estoques e elevar o preço de mercado, a fim de assegurar os lucros. É o que acontece frequentemente com o tomate.

A questão central para defender a estatização da agricultura, me parece, é que os pilares da hegemonia do capitalismo no campo, a grande propriedade da terra e a modernização da agricultura, são PODRES como as carnes da JBS:

– As grandes propriedades de terra são resultado da expropriação violenta de camponeses e populações tradicionais [2] e da grilagem de terras públicas [3]. Não bastasse, muitas vezes são produto do desmatamento ilegal.
– A expansão do capital no campo foi consolidada com a Ditadura Civil-Militar e é calcada no Estado até hoje, a partir de subsídios fiscais e créditos públicos. Por exemplo: o Plano Safra 2016/2017 é de 185 bilhões de reais [4]; os investimentos do BNDES nas agroindústrias [5]; a isenção de ICMS sobre a soja em grão e processada destinada à exportação [6].
Ao invés de atender os interesses privados dos proprietários de terra e capitalistas da agricultura, o Estado deve expropriar as terras griladas e investir os recursos que hoje financiam o agronegócio na “AgriBras”. O objetivo desta empresa estatal é organizar a produção de alimentos, fibras e madeiras nas terras públicas, de acordo com as necessidades da população e interesse dos trabalhadores; gerar condições dignas de trabalho e empregos com remuneração adequada no campo; produzir alimentos de qualidade preservando o meio ambiente e sem pressionar as terras do campesinato e das populações tradicionais.
Cabe observar que a “AgriBras” é uma das propostas para a resolução da questão agrária brasileira, adequada ao atual estágio de desenvolvimento das forças produtivas na agricultura, em que estão dadas as condições tecnológicas da produção em solo nacionalizado.

*Engenheiro Agrônomo, mestrando em Ecologia Aplicada na ESALQ/USP; Secretário Político do PCB-Piracicaba/SP

Apoio: PCB (Partido Comunista Brasileiro) de Garanhuns/PE

Um comentário:

  1. hahahahahahahahahahaha


    O Agrônomo Mestre Comunista quer aplicar no Brasil as ideias que já mataram e continuam matando milhões de pessoas de fome mundo a fora. O pior não é ter um doente mental capaz de propor esse monte de porcaria, o pior é ter alguém que leve a sério esse monte de bosta, e se julga ainda capaz de criticar qualquer coisa.

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