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sexta-feira, 24 de junho de 2016

HISTÓRIA VIVA: MULHER AGREDIDA PELO BANDO DE LAMPIÃO EM "SERRINHA" COMPLETA HOJE 102 ANOS


Por Junior Almeida

Quando Maria Gracinda da Conceição (foto) nasceu em 24 de junho de 1914 ainda não tinha começado a primeira grande guerra. Ainda não existia copa do mundo e o Brasil era governado pelo Marechal Hermes da Fonseca. Quem governava Pernambuco era o general Dantas Barreto, nascido em Bom Conselho de Papa Caça. 

Branca, como Maria Gracinda é chamada desde pequena, casou-se em 1935 com o filho do seu padrinho Francisco Basílio, o agricultor José Basílio, passando a se chamar Maria Gracinda Basílio. Viveram juntos por quase 67 anos, até quando ele faleceu em 2002 com mais de 100 anos de vida. Da união do casal nasceram 14 filhos, sendo 8 mulheres e 6 homens. Desses vieram 50 netos, 63 bisnetos e 9 tetranetos.

Dona Branca está completando hoje, dia de São João, 102 anos, e uma missa será celebrada por tão importante data. Depois da celebração, será realizada uma festa em sua residência,  no Sítio Azevém em Paranatama, para familiares e convidados. 

Dona Branca já viu e viveu muita coisa em mais de um século de vida. Ela já passou pelo mandato de 34 presidentes da república, e mais as juntas provisórias, a de 1930 e a de 1969. No Estado, 48 governadores já ocuparam o cargo desde o seu nascimento. Branca já viu os golpes de 1930, o de 1964 e o recente,  parlamentar/midiático, de 2016. Ela viu surgir o Rei do Baião, viu chegar a “luz de Paulo Afonso”, os automóveis, o rádio, a televisão, e várias outras coisas da vida moderna. 

Era pequena quando aconteceu a hecatombe de Garanhuns, episódio que assombrou não só a região, como todo o país. Branca viu surgir o banditismo rural, o cangaço, que apavorou todo o interior do Nordeste. Não só soube por ouvi dizer, soube por que foi uma das vítimas do maior de todos os cangaceiros, Virgulino Ferreira, o famigerado Lampião.

Foi assim: No 19 de julho de 1935, por volta das 10 da noite, no Sítio Azevém, em Serrinha do Catimbau, hoje Paranatama (foto ao lado), na época distrito de Garanhuns, bateram à porta do casal Zé Basílio e Branca. Do lado de fora da casa uma voz dizia ser Lampião, que abrissem logo, sem demora. As pessoas dentro da casa ainda pensaram em se tratar de um trote, mas a voz de um conhecido feito refém do bando confirmou a má notícia. 

Zé Basílio de pronto foi ameaçado pelo punhal do “Cego de Vila Bela” em seu peito. Faziam parte do bando o próprio Virgulino Ferreira, o Lampião, sua companheira Maria Bonita, Maria Ema, Medalha, Fortaleza, Juriti, Moita Braba e Gato. 

A casa se encheu de gente. Além dos bandidos, alguns homens acompanhavam a horda como reféns do grupo. A caterva tratou de exigir dinheiro e ouro dos donos da casa, sempre com ameaças. Branca em outro cômodo da residência ainda escondeu algum dinheiro da bodega do seu marido em uns sacos de feijão, mas os cangaceiros descobriram, derramando um saco de feijão branco e um preto, misturando os dois. 

Todas as jóias dentro de casa também foram entregues aos cangaceiros, mas Branca ficou com Maria Bonita e Maria Ema, sendo torturada, apanhando de coronha de rifle, para dar conta de mais ouro, o qual não tinha. A sessão de tortura física e psicológica fez Branca, na época com 21 anos, ficar toda roxa de tanta pancada.

Ao final, a horda maldita deixou o casal arrasado financeiramente e psicologicamente, seguindo para casa do pai de Zé Basílio, onde os cabras de Lampião saquearam o que podiam e estupraram duas moças.

Na madrugada do dia 20, Lampião seguiu para Serrinha, passando antes na localidade Queimada do André,  onde com seus homens assassinou o agricultor José Gomes Bezerra. 

Seguiram para a vila, onde um grupo de resistência liderado por João Caxeado e Oséias Correia travou uma intensa fuzilaria com o Rei do Cangaço e seu bando. O saldo da refrega foi positivo para o povo de Serrinha do Catimbau, pois pelo lado dos cangaceiros ficaram feridas as bandidas Maria Bonita e Maria Ema, além de um cachorro do bando de nome Dourado, que morreu em meio ao fogo cruzado, deixando para algum sortudo uma coleira ornada com moedas de ouro e prata. De Serrinha, ninguém se feriu.

Maria Gracinda Basílio estará daqui a muitos anos com seu nome nos livros sobre o cangaço, como já está hoje, citada por grandes pesquisadores, dentre eles João de Souza Lima, de Paulo Afonso na Bahia, terra de Maria Bonita, Antônio Vilela, aqui de Garanhuns e Paulo Gastão, de Mossoró no Rio Grande do Norte, terra que se orgulha de ter vencido Lampião numa batalha épica em 13 de junho de 1927, em que morreram os cangaceiros Jararaca e Colchete, desmantelando o bando de Lampião, fazendo com que ele fugisse pra Bahia com apenas cinco cangaceiros.

Dona Branca é História do Brasil, do Nordeste, da nossa região. É a nossa História. 

Parabéns Dona Branca pelos seus 102 anos de vida e parabéns a todos os seus descendentes por tão importante figura, memória viva do nosso país. 

19 comentários:

  1. Quero aqui parabenizar o amigo Junior Almeida pela excelente matéria/reportagem sobre Dona Branca e o bando de Lampião. Matéria muito bem escrita e fundamentada. Com as participações de Junior Almeida nas matérias o blog do Roberto Almeida torna-se cada vez maior.
    Abraço a todos.
    Wellington Freitas

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  2. Parabéns pela matéria linda historia minha bisa e um exemplo de vida que deus abençoe.parabéns

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  3. Parabéns pela matéria e uma linda história sou muito grata de ser bisneta da vó Maria parabéns que deus abençoe

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  4. Quero saber mais histórias deste tipo é muito bom saber sobre o rei do cangaço. Moro em São Paulo há 46 anos, mas tô bem informado, sou nascido no Brejo Velho-PE

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  5. José Fernandes Costa24 de junho de 2016 16:29

    Parabéns, Daniele. / Extensivo a toda a família!! - 2. Sugestão: evitemos tratar nossas bisavós, por "bisa" ou "bisas". – Chamemos de BISAVÓS, tal qual ELAS SÃO!! - Essa história de "bisa", é modismo de internet, principalmente, aqui no Nordeste. - E "bisa", passa a ideia de bisonha que, por sua vez, quer dizer "pouco" experiente, inábil, acanhado etc. - E NÃO é isso o que sua BISAVÓ é, nem nunca foi. - ObrigadOOO. /.

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    1. Não concordo com vc bisa e uma forma de carinho pois em meu projeto de vida e sempre ter respeito e da valor as nossas raízes e jamais usarei um termo que desrespeitaria alguém e principalmente da minha família agradeço pela sua critica abraço!!!

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    2. Daniele: discordar é direito de todos nós. - "Toda unanimidade é burra." (Nelson Rodrigues.) - Se todos e todas pensassem iguais, o mundo seria um poço de mediocridade. – 2. NÃO fiz crítica. Deixei uma sugestão, tão somente! - Agradeço-lhe pela gentileza da sua resposta. - Com abraço, apreço e consideração. /.

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  6. Concordo mas aki em são Paulo, chamamos bisa não com desrespeito, mas como uma forma de carinho e respeito pois não pretendo abondonar minhas raízes. Não acredito que seja modismo de internet mas muito obg pela sugestão!!!

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  7. Concordo mas aki em são Paulo, chamamos bisa não com desrespeito, mas como uma forma de carinho e respeito pois não pretendo abondonar minhas raízes. Não acredito que seja modismo de internet mas muito obg pela sugestão!!!

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    1. Por tudo quanto foi dito de PARTE a PARTE, creio eu que estamos ENTENDIDOS, Daniele! - MAIS UMA VEZ, MEUS AGRADECIMENTOS PELA TUA COMPREENSÃO!! - Eu, claro, também entendi TUAS MENSAGENS, SEM problema!!

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  8. Esse jose fernando deve ser um velho conservador do tempo de pidisquero. Ele deve ser do time do Funrural

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    1. José Fernandes Costa26 de junho de 2016 16:13

      Ao anônimo das 20h19, do dia 24.6: - E você, além de anônimo, É ANALFABETO de cabo a rabo. Isto é, de ponta a ponta!! - Xô, traste analfabeto!! /.

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  9. Parabéns para vó Branca, minha bisavó! Um carinho só! <3

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  10. A história faz parte das nossas vidas sejam boas ou ruins.É importante tomarmos conhecimento desses fatos e fenômenos que ocorreram bem pertinho da gente.O meu pai que faleceu com 81 anos de idade em 2001 em casa contava para nós essas histórias verdadeiras,cruéis,injustas que aconteciam com o bando de Lampião e Maria Bonita. O meu pai nasceu em 20 de julho de 1920 aqui no Agreste Meridional bem pertinho de Paranatama e Garanhuns e nos contava muito da violência existente em todo o Pernambuco.

    A violência seja qual for o tipo é uma lástima na sociedade.No mundo político de antigamente existiam os coronéis,aqueles que faziam de tudo para permanecerem no poder com ameaças,mortes e outras coisas mais.

    Quando retornou do exílio em 1979 o ex-governador Miguel Arraes de Alencar trouxe a marca da violência esboçada na revolução de 1964 que o expulsou do Brasil e foi morar na Argélia com sua família.Em 2002 ele queria ser o candidato a governador,mas terminaram apoiando Marcos Freire.Somente em 1986 o velho mestre voltou a vida pública se candidatando ao governo de Pernambuco contra José Múcio Monteiro.

    Na propaganda o poeta Patativa do Assaré dizia assim: " Dr. José Múcio Monteiro os seus cofres de dinheiro o eleitorado não quer,nesse assunto não se meta fique com sua chupeta que a vitória vai ser do Migué".Em outro trecho ele afirmou.Arraes vai tirar a espingarda 12 do campo.

    Hoje a violência é tão grande que,vários agricultores e agropecuaristas pedem as armas de volta.Os assaltos aumentaram assustadoramente que muitos dizem, os bandidos estão armados até os dentes e o cidadão de bem desarmados.

    Nos últimos 12 meses 6 compradores de gado somente de nossa região foram assaltados e levaram coronhadas e todos os ladrões com armas de fuzis e escopetas.Ao todo levaram dos compradores mais de R$ 200.000,00.Parece que em nada mudou desde a época de LAMPIÃO E MARIA BONITA para os dias atuais.

    Centenas de vidas são ceifadas todos os dias e meses no Brasil inteiro e principalmente nas grandes capitais do Brasil.As mortes são de diversas formas e cada uma mais cruel que a outra.É o pior assunto para se comentar.

    Quando se tem um prefeito que age aplicando o olho por olhe e dente por dente,muitos que faziam parte desse mundo do crime condenam, mas quando não se toma as devidas providências,todos passam a dizer cadê o prefeito que nada faz?

    Uma certa vez eu viajei com um pastor.Ele chegou para mim e disse que não gostava do prefeito porque ele era muito violento.Eu disse para ele assim: "o prefeito representa o bem e o mal.Quando alguém rouba um comerciante qualquer e na outra semana vão na casa do prefeito e ele telefona para as autoridades e os homens das fardas vão a cidade e bota torando mesmo,as famílias dos lampiões acham ruim,mas as famílias das vítimas acham bom e aplaudem.Por isso que as polícias perto da gente incomodam,mas quando ficam distante faz uma falta danada.

    Eu já enfrentei uma meia dúzia de pistoleiros,aqueles que matam para ver a queda.Esses sim ainda hoje fazem medo a população em geral.Mas infelizmente ninguém consegue acabar por completo com a violência existente na sociedade moderna.Lamentavelmente.

    Que história de vida JÚNIOR ALMEIDA nos transmitistes ao lado de DONA MARIA GRACINDA DA CONCEIÇÃO.Dona Gracinda,quando a gente escapa das mãos de bandidos temos que viver 100 anos para contar a história.

    Eu passei 1 hora nas mãos de 10 bandidos que vieram me matar em 1990.Por 20 vezes ele me disse que me mataria.Terminou matando muita gente aqui no Agreste Meridional e era famoso.Em minha cidade ele tirou a vida com rifle em praça pública matando uma pobre mulher.Foi um covarde que imitou o bando de LAMPIÃO E MARIA BONITA.Ele viveu muitos anos matando em Garanhuns,Brejão,Paranatama,Correntes,Terezinha,Bom Conselho, Palmeiras dos Indios,Quebrangulo,São João,Saloá,Águas Belas,Pernambuco,Alagoas, Sergipe e Paraiba,etc.

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  11. Quero saber mais histórias deste tipo é muito bom saber sobre o rei do cangaço. Moro em São Paulo há 46 anos, mas tô bem informado, sou nascido no Brejo Velho-PE

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  12. coitado desse jose fernando so leva na mulera. nunca vi esse cara ser elojiado aqui nesse blog ninguem gosta desse cara parece que o bixo e chato mesmo

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  13. Também é minha bisa <3 , vamos fazer uma caravana para vista-lá . Fernando Francisco :*

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