O TEMPO E O VENTO - ÉRICO VERÍSSIMO VIVE NOS PERSONAGENS DO FENOMENAL ROMANCE

Érico Veríssimo escreveu sua melhor obra, a trilogia O Tempo e o Vento, entre 1947 e 1961. Foram quase 15 anos de trabalho, 2.200 páginas contando a formação histórica do Rio Grande do Sul. Personagens fascinantes como Ana Terra, Capitão Rodrigues, Pedro Missioneiro, Bibiana, Licurgo, Ismália Caré, Bolívar, Terêncio e Pedro e Juvenal Terra.

Com o seu fenomenal romance, Veríssimo influenciou até Gabriel Garcia Marquez em "Cem Anos de Solidão". O livro consolidou a carreira do colombiano vencedor do prêmio Nobel de Literatura.

"O Tempo e o Vento" teve sucessivas edições e chegou à televisão pela primeira vez em 1967, numa novela da antiga TV Excelsior. A segunda versão veio em 1985, na Globo, em minissérie de Doc Comparato.

Coube a Jayme Monjardim, em 2013, realizar a melhor adaptação do livro. Tivemos o filme e a série exibida na Globo esta semana. Na televisão a história incluiu trechos que ficaram fora da tela grande, com a entrada de uma personagem enigmática do romance, Luzia, esposa de Bolívar Cambará.

É interpretado pela atriz e cantora carioca Mayna Moura, muito convincente na pele da mulher estranha, considerada meio maluca, completamente diferente das mulheres de sua época.

Martin Rodriguez está ótimo na pele de Pedro Missioneiro e Cléo Pires não faz feio como Ana Terra. Temos de reconhecer que a mãe, que viveu o mesmo personagem no passado, tem mais talento.

O Tempo e o Vento é um livro para ler e reler muitas vezes. O filme e a série merecem ser vistos, mas logicamente não trazem toda a riqueza do romance.

A adaptação para o cinema e televisão vale sobretudo por levar ao conhecimento de mais brasileiros essa grande história escrita pelo Érico Veríssimo. Mais pessoas vão passar a lê-lo, sem dúvida.

Mas merece elogios o elenco montado por Monjardim e a forma como ele adaptou o livro. Fernanda Montenegro, que vive Bibiana com quase 90 anos, é o fio condutor da história, relembrando todos os fatos, "desde os tempos de sua avó Ana Terra". 

O "realismo fantástico", presente no romance, aparece no filme e na minissérie e Rodrigo volta 50 anos depois de morto para conversar com Bibiana. Tiago Lacerda, que faz o Capitão, está muito melhor do que podia se esperar.

Luiz Fernando Veríssimo, jornalista e escritor, filho de Érico, escreveu um artigo elogiando a série de TV, que considerou mais completa do que o filme.

"O Tempo e o Vento" nem parece ficção. Esses personagens vivem no imaginário brasileiro há 60 anos e parecem todos de verdade. Érico certamente construiu essa galeria de tipos baseado na história do Rio Grande do Sul, em gente de "carne e osso", que viveu situações semelhantes às que são narradas na trilogia.

Para terminar é preciso destacar mais um ponto positivo no trabalho de Jaime Monjardim (filho da cantora Maysa): ele dá um show de imagens, o visual do filme/série é belíssimo e algumas cenas até lembram "E O Vento Levou", um dos melhores trabalhos da história do cinema até hoje. Claro que não foi coincidência. São dois romances históricos que renderam bons filmes, embora o resultado da adaptação do romance americano seja muito superior a nossa. Mas não dá para competir com Hollywood, não é mesmo?

O importante é que em meio a tanta novela ruim, programas musicais de pouca qualidade e um jornalismo suspeito a TV Globo brindou os telespectadores, neste início de ano, com uma minissérie de qualidade, baseada num livro melhor ainda.

FOTOS: 1) Mayana Moura, a Luzia; 2) Martin Rodrigues como Pedro Missioneiro; 3) Marjorie Estiano, a Bibiana jovem, e Tiago Lacerda, como o Capitão Rodrigo; 4) Cléo Pires interpretando Ana Terra.

Um comentário:

  1. Natividade Leite Ribeiro Dias4 de janeiro de 2014 às 13:11

    Assisti os 3 capitulos e achei maravilhoso...vale a pena ver de novo !

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