domingo, 17 de julho de 2011

O FESTIVAL SEGUNDO THIAGO

Muito se fala e se escreve sobre o Festival de Inverno de Garanhuns. Quase sempre o lugar comum, o clichê. Quer algo diferente? Então embarque no texto do Thiago Lira (filho da Ana Jaíra, sobrinho do Jonas da Sete Colinas), com sua visão um tanto hermética, mas muito bela do FIG. Ele pergunta, instigante: Pra que serve?

E isso serve pra quê?

Serve pra ser, crescer, sentir, surgir, conhecer, fugir e espalhar. Serve pra ser raso, pra ser fundo, pra mostrar que o mundo não é apenas as sete mulheres, às sete horas, nos sete dias em meio as sete colinas. De que serve o olho sem a retina?

E isso serve pra quê?

Pra lembrar da parte, da arte, esquecer do Domingão, lembrar do Dominguinhos, sair de casa, voltar pra casa e perceber que ela é mais do que aquilo que achava. Que tem mais gente que o esperado, que a única língua não é a sua, que o som não é só seu e que o seu gosto pode não ser o mais gostoso.

E isso serve pra quê?

Pra atracar, atacar, pra decolar, puxar, pra esticar, o corpo, o sonho, o desejo, o que não e o que vejo. Serve pra servir, sevar, suprir, suturar uma ferida que não dói, mas fere em silencio, sob a anestesia de uma agulha fria, de uma fagulha quente.

E isso serve pra quê?

Serve pro Amaro, pro amparo, pro raro, pro faro, pro EU-calipto, pra TU-lipa, pra linha e pra pipa. Isso serve pra todos. E o nome dele não é isso. E enquanto o servirem, ele os servirá pra sempre.

Um comentário:

  1. Esse texto do Thiago não é um simples texto. É um belo poema! Que carrego e trago. Na alma, coisa que nos anima e acalma. Não é um fonema, mas um conjunto de sons. Dos bons! Parabéns Garanhuns, por ter entre seus filhos, alguns Thiagos e tantos outros que não conheço. Garanhuns dos parques e das flores deve ter seus lagos e mais Thiagos para que se encha de odores e ardores outros. Nos festivais dos dias atuais. Ou noutros dias, noites, madrugadas; e também em tardes ensolaradas./.

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