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domingo, 26 de setembro de 2010

FILMES INESQUECÍVEIS XXIII


CINEMA PARADISO

UM HINO DE AMOR AO CINEMA – Nas listas de melhores filmes de todos os tempos, muitos cinéfilos ou críticos não terão dificuldades de incluir Cinema Paradiso, a obra prima do diretor italiano Giuseppe Tornatore. Lançado em 1988, o longa chegou ao Brasil no ano seguinte e foi um tremendo sucesso de público, arrastando multidões às salas de exibição das grandes cidades e ficando até meses em cartaz em alguns lugares.

Passados tantos anos, a produção italiana e francesa permanece atual, tanto pode ser apreciada pela carga dramática, pelo lado cômico, por ser um documento de uma época, ou por homenagear de forma tão poética a grande arte do século XX, o cinema.

Embora a história desse filme se passe na Itália, numa pequena cidade da região da Sicília, sua mensagem é universal e muito do que se rola na trama leva povos de diferentes países a se identificar com o trabalho de Tornatore.

Acredito que qualquer cinquentão como eu, que viveu sua infância numa das cidades pequenas no entorno de Garanhuns – Bom Conselho, Lajedo, Jupi, São João, Canhotinho, São Bento do Una, Capoeiras ou Caetés – viveu situações semelhantes as que são narradas em Cinema Paradiso.

Lembro que na minha terra, acho que na época ainda um distrito de São Bento, havia uma pequena sala de cinema de um senhor chamado Otacílio. Às vezes nós tínhamos que levar as cadeiras de casa para poder assistir o filme. Na hora do beijo, num faroeste ou romance exibido na tela, impreterivelmente o proprietário do estabelecimento colocava a mão na fita e não deixava o público ver a “cena pornográfica”.

Tenho quase certeza que em outras cidades aqui da região as pessoas viveram momentos semelhantes, pois os municípios do Agreste (e do interior em geral) têm muitas características muito parecidas. Em Garanhuns, honestamente, não sei dizer se isso acontecia, pois quando era criança a cidade já tinha “cinemas de verdade”, como o Glória, depois o Jardim, o Veneza e o Eldorado, que felizmente renasceu há cinco anos (a Suíça Pernambucana ficou mais de 20 anos sem uma única sala de exibição).

No belo Cinema Paradiso quem exerce o papel de censor e não deixa passar as cenas de beijos ou outras mais "calientes" é o padre da cidadezinha italiana. E numa parte do filme, como acontecia no interior do Brasil nos anos 60, muitos levam cadeiras de casa para assistir uma estréia muito aguardada.

A história do longa se passa logo depois da segunda guerra mundial, pouco antes da chegada da televisão. Em meados da década de 40 o cinema era mesmo a maior diversão, reunindo as pessoas numa grande sala como hoje a TV junta os casais ou a família em casa mesmo, para acompanhar a novela, uma minissérie ou o telejornal.

Não tinha televisão, ninguém sonhava ainda com celular ou internet, faltavam estradas interligando as cidades, a expectativa de vida num país como o Brasil era em torno de 40 anos de idade. O cinema trazia as notícias, alimentava as fantasias, provocava risos e choro, mantinha a esperança...

A obra de Tornatore, é importante esclarecer, não retrata um capítulo da história da arte cinematográfica só do ponto de vista das cidades médias ou pequenas. Haverá uma identificação também dos moradores das grandes metrópoles. Em Recife, nossa capital, também houve uma época de glória para os cinemas, que se espalhavam no centro e pelos bairros, como em Casa Amarela, Afogados, Torre, Cordeiro, etc. A partir de certo momento todas as casas de exibição começaram a virar supermercados ou templos de igrejas evangélicas. 

Cinema Paradiso mostra que o processo foi o mesmo na Itália (ou o Brasil repetiu o que aconteceu na Europa, nos Estados Unidos e na maior parte do mundo): havia paixão pelos filmes, a vida de muitas pessoas nas cidades girava em torno da fábrica de sonhos e vieram as novidades – a maior delas foi a televisão – e mudaram tudo, de modo que o cinema deixou de ter tanta importância no dia-a-dia de homens e mulheres.

Mas o filme italiano-francês não é bom só por fortalecer a sétima arte, registrando o peso que tinha em determinada época. Esse é um elemento forte, inclusive com muitas citações de personagens extremamente importantes na área cinematográfica. Assistindo Cinema Paradiso, você se depara o tempo todo com cartazes ou imagens de Humphrey Bogar e Ingrid Berman (Casablanca), John Wayne, Chaplin, O Gordo e o Magro, Fred Astaire, Luchino Visconti e atores ou diretores europeus ou americanos.

Independente de tudo isso, porém, Paradiso, narra de forma bastante simples uma boa história, com direção impecável, trilha sonora brilhante e atores escolhidos a dedo. Merece destaque, especialmente, o Totó quando criança, interpretado por Salvatore Cascio, e o Alfredo, um personagem cativante, que deu a Philippe Noiret vários prêmios na categoria de Melhor Ator.

O filme já abre conquistando quem o acompanha com uma bela visão de mar, uma varanda, um jarro e a música envolvente. Surge pouco depois o Salvatore já maduro, rico e de ar um tanto triste. A companheira avisa que a mãe ligou dando a notícia da morte de Alfredo. Então tudo volta ao passado e estamos na cidadezinha em que o Cinema Paradiso era o centro dos acontecimentos. Vamos conhecer o gracioso Totó e sua sofrida mãe, o bondoso Alfredo, o padre Adelfio e mais uma galeria de curiosos e apaixonantes personagens, sem faltar nem mesmo o louco de cidade pequena. 

O longa de Giuseppe Tornatore, pelas suas qualidades, conquistou o público e a crítica no mundo inteiro. Ganhou o Oscar de Melhor Filme estrangeiro em 1990, recebeu o Grande Prêmio do Júri e a Palma de Ouro em Cannes, na França, recebendo ainda troféus no Reino Unido, na Itália e no Japão.

Se você ainda não viu procure uma locadora ou mande baixar na internet. Se quer rever faça o mesmo caminho. Cinema Paradiso é um filme imperdível e inesquecível.

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