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domingo, 15 de agosto de 2010

FILMES INESQUECÍVEIS XVIII


TITANIC

Neste domingo acabei de ler o livro “A Cidade do Sol”, do escritor afegão Khaled Hosseini, autor também de “O Caçador de Pipas”. É um excelente romance, tão bom quanto o best seller anterior, que também foi transformado em filme. Se for possível, na próxima edição do Correio Sete Colinas publico uma resenha completa sobre esta obra literária, pois o espaço aqui está reservado mais a uma pequena análise do cultuado longa de James Cameron.

Por que então a citação a “Cidade do Sol”? Poderá perguntar o leitor curioso, sem saber ainda onde quero chegar. Explico: Muitas coisas chamam a atenção no romance do afegão. Com relação ao seu país de origem, as guerras, o atraso, a pobreza e o sofrimento, principalmente das mulheres. Uma das coisas mais curiosas, no entanto, são as citações, em mais de um momento, ao filme “Titanic”. Na história contada por Hosseini a badalada produção chegou ao mercado mundial quando o Afeganistão vivia sob o severo regime dos talibãs. Estes proibiram as pessoas no país de dançar, cantar, ver televisão ou assistir filmes.

Vivendo esse regime de opressão, não faltaram pessoas a se arriscar para comprar uma cópia em videocassete do Titanic no mercado negro. Corriam perigo de vida, mas não resistiam ao desejo de ver em casa, às escondidas, a fantástica história de amor entre Jack e Rose, emoldurando o desastre do majestoso navio.

Ora, pensei com meus botões... Se até no Afeganistão oprimido houve uma febre do Titanic, imagine o que aconteceu no resto do mundo, principalmente nos países livres do Ocidente.

Lembro que em Garanhuns, à época de chegada desse filme nas locadoras, foi uma verdadeira loucura. As pessoas começaram a procura pelas fitas em VHS muito antes e quando o produto chegou não parava nas prateleiras. Antes disso, o longa já fizera estrondoso sucesso nas salas de cinema do Recife, São Paulo, Brasília, Buenos Aires, Lisboa, Madri, Paris, Nova Iorque, para falar só numas poucas cidades importantes.

A princípio nem pensava incluir o Titanic nesta série, que é mais voltada para filmes de arte do que sucessos comerciais, embora aqui já tenha escrito sobre ET e recentemente analisado O Sexto Sentido. Mas essa revelação do interesse causado pela obra de Cameron no Afeganistão mexeu comigo. Não se pode ignorar um negócio desses, raciocinei.

James Cameron, o diretor da mais famosa versão de Titanic no cinema (há outras, sem os recursos técnicos-financeiros e sem os requintes do filme de 1997), é um cineasta conhecido, voltado para a ficção científica e a ação. São dele True Lies, com Arnold Schwarzenegge; Exterminador do Futuro (estrelado pelo mesmo ator americano), Aliens – O 8º Passageiro e, o mais recente deles, Avatar.

Apesar de ser um diretor competente, a fama e o reconhecimento mesmo chegou com Titanic, que custou mais de 200 milhões de dólares, mas rendeu quase 10 vezes mais que isso e conquistou 11 Oscar da Academia de Hooywood, inclusive os de Melhor Diretor e Melhor Filme.

É mesmo uma obra prima? O melhor filme de todos os tempos, como defendem alguns?

De maneira nenhuma. Titanic é um trabalho muito bem realizado, do ponto de vista técnico quase que perfeito, apresenta um roteiro bem costurado e bons atores, a começar de Leonardo Decaprio, que faz o mocinho da história, Kate Winslet (a mocinha), embora o vilão Billy Zane deixe um pouco a desejar e seu personagem em alguns momentos beire o rídiculo.

Juntando, contudo, todas as qualidades do longa ao fato histórico do naufrágio do navio, ocorrido em 1912, tem-se aí todos os elementos para encantar o distinto público com a magia que só o cinema pode proporcionar.

Temos na tela a partida dos passageiros, a grandiosidade do transatlântico, o romance que começa a se desenhar entre a menina rica e o rapaz pobre, cenas muito belas com a embarcação no meio do oceano, o perigo que se aproxima, o baque no enorme iceberg e o desastre a comover o mundo tantos anos depois (a ficção trazendo de volta a realidade).

As cenas do naufrágio, das pessoas pulando na água, do desespero, do sofrimento de pessoas de todas as idades, atos de heroísmo e de covardia, tudo isso fazem da obra de Cameron quase um épico, embora o mais forte mesmo seja o drama, a história de amor inventada para atrair público e fazer sucesso.

Visto mais de uma vez, Titanic perde um pouco da magia, parece um tanto óbvio. Isso, porém, não liquida suas qualidades nem fazem esquecer o impacto que causou no mundo inteiro à época do seu lançamento.

Na vida real, 2.227 pessoas viajavam a bordo do navio. Mais de 1.500 morreram no mar e 705 conseguiram escapar. No filme os números são os mesmos, só que tantos os vivos quanto os mortos são ofuscados por Rose e Jack, os personagens criados por Cameron para mesclar a ficção e a realidade. Rose escapa para contar a história, Jack se vai heroicamente nas águas do oceano gelado para deixar milhões de meninas chorando ou com pena do rapaz bonito e de bons sentimentos.

Titanic é um bom filme, é baseado numa história que jamais será esquecida e por isso também ficará para sempre na história da indústria do cinema americano. Ainda mais que faturou 11 Oscar e muitos milhões de dólares, não é mesmo?

(Fontes de Consulta: Titanic Site, Filmografia de James Cameron, Enciclopédia Google, Livro Cidade do Sol, artigos de jornais e outros sites da internet).

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