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sexta-feira, 18 de junho de 2010

PORTUGAL PERDE SEU MAIOR ESCRITOR

Tomei conhecimento pelos blogs de Wagner e Censura Livre da morte do escritor português José Saramago, aos 87 anos. Só depois dei uma passada pelos outros sítios da internet para descobrir que a imprensa do mundo todo noticia a perda, por Portugal, do seu maior escritor nos tempos atuais. O ideal, imaginei, é que Nivaldo Tenório, creio eu um conhecedor profundo da obra do autor de Memorial do Convento, nos brindasse com um artigo sobre este acontecimento que entristece a literatura mundial.

José Saramago foi o único escritor da língua portuguesa a receber o prêmio Nobel de Literatura, isso em 1998. Foi amigo de Jorge Amado, que a seu ver também deveria receber a honrosa premiação e de Chico Buarque de Hollanda, nosso querido compositor. Pessimista, ateu, comunista, o escritor lutou contra a ditadura de Salazar, em seu País, e estava presente na revolução dos cravos, quando a democracia foi restabelecida. Em janeiro deste ano, praticou uma ação típica do humanista que sempre foi: toda a renda obtida com a publicação do livro Jangada de Pedras (e um prêmio Nobel sempre vende bem, é importante ressaltar) foi doada ao Haiti, vítima de um terremoto que matou milhares de pessoas.

Além de Memorial de um Convento, que comecei e não concluí (Saramago não é um autor fácil, espero um dia ainda conseguir decifrar a fera), tive uma outra experiência de sua obra assistindo o filme Ensaio sobre a Cegueira, adptação do seu livro feito pelo brasileiro Fernando Meirelles. Tive também a oportunidade de ler a entrevista do português ao jornalista pernambucano Geneton Moraes, que acaba de ser postada novamente em seu blog, em homenagem ao Nobel de Literatura.

Termino, inclusive, para não me alongar demais, com o final dessa entrevista do português ao repórter brasileiro:

GMN: Qual é a grande pergunta que o escritor José Saramago não conseguiu responder até hoje?

Saramago : “A pergunta que não consigo responder é muito simples : para quê ? Para que tudo isso ? Vou morrer sem encontrar a resposta. Creio que ninguém nunca encontrou”. (Na foto dos arquivos de Geneton Moraes, os escritores Jorge Amado e José Saramago).

Um comentário:

  1. Fiquei muito triste com a morte de Saramago. Uma perda inestimável não só para Portugal, senão para todos os apreciadores de boa literatura.

    Tive o prazer de ler "Memorial do Convento" há menos de um mês, por ocasião de um seminário na universidade. Confesso que a obra é tão surpreendentemente arrebatadora quanto as outras que li - "Ensaio sobre a cegueira" e "Ensaio sobre a Lucidez" são metáforas tristes, mas imensamente belas do que é o comportamento humano.

    Um pouco da literatura em língua portuguesa morreu hoje junto com Saramago. :(

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