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segunda-feira, 31 de maio de 2010

HISTÓRIA E APELAÇÃO

Na foto uma cena comum pós-64

O golpe militar de 1964 transformou vários personagens, nas mais diferentes regiões do país, em marginais, bandidos, proscritos. Os ideólogos do regime de então, de acordo com a filosofia da guerra fria, engendrada nos Estados Unidos, não usavam nenhum desses nomes. Quase todos que lutaram contra a ditadura, de um jeito ou de outro, eram chamados de comunistas. A lista não caberia aqui: Miguel Arraes, Leonel Brizola, Fernando Gabeira, Francisco Julião, Gregório Bezerra, Fernando Henrique, José Serra, José Dirceu, Dom Hélder Câmara, Dilma Roussef...

Todos esses e muitos outros, citados acima, tiveram de deixar o Brasil, pois por aqui, durante os anos de chumbo, só tinha vez para lambe botas dos generais. Os jornais, as universidades, os cientistas, os artistas, qualquer forma de inteligência passou a ser considerada inimiga, perigosa.
Com a anistia, depois a democratização, os brasileiros espalhados pelo mundo puderam voltar e alguns deles conquistaram mandatos políticos nas urnas. Felizmente o país é outro, temos já cinco seis presidentes eleitos pela vontade popular, o comunismo ou socialismo real faliu e o muro de Berlim foi derrubado.

Apesar de tudo isso, ainda tem gente querendo ressuscitar a velha guerra ideológica que transforma jovens capazes de enfrentar uma tirania em criminosos e soldados a serviço de uma ditadura em heróis. Agora mesmo, na internet, circula uma carta dos pais de um militar chamando Dilma Roussef de assassina. O filho é apresentado como um exemplo de rapaz e ela como uma terrorista que jogava bombas e num desses atos tirou a vida do jovem integrante do exército.

Ora, é elementar, é óbvio, que se Dilma fosse criminosa, não teria sido anistiada, trabalhado como secretária no Governo do Rio Grande do Sul e ministra do Governo Lula. Passaram-se tantos anos e nunca ninguém veio a público revelar as barbaridades que esta mulher cometeu. Só agora, quando ela ameaça os interesses da direita, das elites de São Paulo e outras regiões, começa a apelação. O Serrinha Paz e Amor acabou mesmo? Ele, que também foi exilado vai permitir aquela mesma campanha sórdida de 2002, quando tentaram criminalizar Lula?

Os torturadores, carrascos e assassinos de 64 ficaram quase todos impunes, ao contrário do que aconteceu na Argentina, no Chile e outros países da América do Sul, onde até generais foram para a cadeia. Aqui no Brasil, mesmo com tantos avanços, querem de uma forma ou de outra punir os perseguidos do regime. E tem muita gente, que não conhece o mínimo da história (como o treinador Dunga, por exemplo) preparada para engolir todo esse terrorismo de direita que vai ser jogado na mídia, principalmente quando começar a campanha eleitoral. Quando pensamos que estávamos livres dessas coisas, elas voltam a nos assombrar.

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