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quinta-feira, 15 de outubro de 2009

A QUESTÃO DA SAÚDE PÚBLICA

Caruaru (foto) vive o inferno no setor de saúde pública. O prefeito José Queiroz aumentou os salários, porém os profissionais da área fincam pé e não aceitam as condições ditadas pelo município. Depois de oito anos de gestão do democrata Tony Gel, está na cara que há resistências e implicações políticas nessa crise da cidade vizinha. Hoje, no portal da TV Asa Branca, um morador da Capital do Agreste desabafa com uma frase muito forte: "É humilhante um pobre precisar de médico em Caruaru!".

Na verdade, não é só lá que isso ocorre. Em Garanhuns, embora não estejamos enfrentando os problemas da terra de Vitalino, quem não tem dinheiro também é humilhado quando precisa de serviços médicos. É atendido como se fosse cliente classe A se estiver pagando, classe A-B ou B, a depender do plano de saúde, e C ou D dependendo do estado de penúria. Numa sociedade capitalista como a que vivemos, o dinheiro está em primeiro lugar, a saúde não. E aí o problema se repete em todos os municípios brasileiros.


Zé Queiroz pode estar sendo inábil, intransigente, desatualizado com as mudanças porque a cidade passou desde a sua última gestão, mas tenho quase certeza que o nó da coisa está mesmo no espírito mercantilista desses médicos e na herança política deixada por Tony Gel.


A gente sabe que é uma utopia, porém como seria uma maravilha que os médicos fossem grandes humanistas (e existem alguns que são) e sempre lembrassem do juramento feito, não deixando uma criança, uma gestante, um idoso, qualquer homem ou mulher padecer porque não tem recursos para um caro tratamento particular.


Eu tinha um grande amigo, conhecido como Zé Gila, que morreu de apendicite no Hospital Dom Moura, alguns anos atrás. Ficou 24 horas ou mais numa cadeira, sentindo dores terríveis, sem receber o atendimento necessário. Nem ao menos tiveram a decência de deixá-lo morrer numa cama. Um crime. E o culpado ou culpados nunca irão pagar.


Depois que quase bati as portas do céu, para usar aqui a expressão do compadre Ronaldo, deixei de pagar o plano da saúde que mantinha há 10 anos. Hoje uso a Rede Pública e se tiver dinheiro faço uma consulta particular. Esta semana estive novamente com Dr. Sérgio, do PSF da Cohab II. Ele atendeu mais uma vez super bem, ouviu, deu explicações, sugeriu, encaminhou.. Tudo na maior educação e no maior profissionalismo. Por que todos não se portam assim? Será tão difícil? Vocês sabem, caros leitores, mesmo que não usem a Rede Pública, que tem médico por aí que parece mais um açogueiro. Não quero atingir a todos, claro, pois tenho grandes amigos e conheço outros sérgios em Garanhuns, estejam no posto de saúde da prefeitura ou na clínica particular.


Tudo isso por causa de Caruaru. Eu nem moro lá. Talvez esteja por fora da questão. Mas acompanhando assim, pelos jornais, pela TV e internet, a impressão que dá é que esses médicos da terra de Vitalino não estão nem aí para a necessidade dos mais pobres.

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