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quarta-feira, 15 de maio de 2019

TEMA DE LARA PARA DOUTOR JIVAGO


Por Altamir Pinheiro

Dr. Jivago, filme que marcou a juventude de muita gente... Linda música para um lindo filme...


Dr. Jivago, com uma trilha sonora imortal como também uma saga muito linda ou uma narrativa espetacular,  foi filmado em 1965 e conforme nos relata o pesquisador Paulo Telles, para encarnar o papel-título, caracterizado pelo seu desprendimento das coisas, refinamento e nobreza, a escolha recaiu sobre OMAR SHARIF que morreu em 2015 aos 83 anos, ator de grande força e presença. Geraldine Chaplin foi convocada para viver Tonya, esposa de Jivago, mas não demorou, suscitou imediatamente uma onda de comentários maldosos. Segundo as más línguas (e infelizes), o único mérito da atriz era por ser filha de Charles Chaplin e que toda sua arte resumia-se nisto. Contudo, estes boatos (por sinal, burros) foram desmentidos violentamente por David Lean, que afirmou tê-la escolhido pela excelente qualidade de seus testes feitos para o papel antes do contrato.



O filme conta sobre os anos que antecederam, durante e após a Revolução Russa pela ótica de Yuri Zhivago (Omar Sharif), um médico e poeta. Yuri fica órfão ainda criança e vai para Moscou, onde é criado. Já adulto se casa com a aristocrática Tonya (Geraldine Chaplin), mas tem um envolvimento com Lara (Julie Christie), uma enfermeira que se torna a grande paixão da sua vida. Lara antes da revolução tinha sido estuprada por Victor Komarovsky (Rod Steiger), um político sem escrúpulos que já tinha se envolvido com a mãe de Lara, e se casou com Pasha Strelnikoff (Tom Courtenay), que se torna um vingativo revolucionário. A história é narrada em flashback por Yevgraf de Zhivago (Alec Guiness), o meio-irmão de Yuri que procura a sua sobrinha, que seria filha de Jivago com Lara. Enquanto Strelnikoff representa o "mal", Yevgraf representa o "bom" elemento da Revolução Bolchevique.



No filme há uma crítica severa a respeito do regime comunista. O cinéfilo Telles nos alerta para um detalhe importante: “Podemos notar também o discurso de crítica ao sistema socialista nas cenas anteriores e posteriores à revolução. Antes da revolução é mostrada uma Rússia com uma aristocracia rica, belos salões, culta e, até mesmo, despreocupada”. O que é verdade, pois o próprio Jivago é um médico e poeta aristocrata de sucesso. Após a revolução, todo o cenário e a sociedade até então elitista, se empobrecem. Inclusive Jivago, que perde as propriedades e acaba pobre e doente. Este percurso da trama descreve o senso comum de que o socialismo divide a pobreza e a miséria, corroborando ser um método político promotor da desgraça, assim mostra o filme do diretor David Lean.



O filme do diretor David Lean, em mais de 3 horas de projeção, comprime-se com o volumoso romance  do russo Boris Pasternak, um dos primeiros escritores dissidentes da União-Soviética. Pasternak começou a escrever o romance em 1946 e levou dez anos para concluí-lo. Ao terminar, ficou inseguro se devia publicá-lo, pois a obra contrariava as normas ditadas pelo governo soviético para a literatura. Sem condições de publicar seu romance em terras soviéticas, o livro foi publicado na Itália a 23 de novembro de 1957, conseguindo rápida notoriedade em 1958, quando lhe foi conferido o Premio Nobel de Literatura. Infelizmente, por imposição do Kremlin, Pasternak não pôde aceitar a láurea, pois caso fizesse, isso poderia levá-lo à detenção em um campo de trabalho forçado na Sibéria.



A obra literária foi proibida na União Soviética até 1989, quando a política de abertura de Mikhail Gorbachev liberou a publicação do livro. Somente a partir daquele ano, os russos puderam conhecer a saga de Jivago através da literatura. Boris Pasternak morreu a 30 de maio de 1960 de câncer de pulmão, sem poder assistir ao estrondoso sucesso da adaptação cinematográfica de seu famoso e imortal romance. Na Rússia, Boris é mais conhecido como poeta do que como romancista, em virtude de o livro Doutor Jivago não ter feito sucesso na antiga União Soviética por motivos obviamente políticos.



Deixando o regime totalitário russo de lado, quem já assistiu a essa nobreza de fita deve se recordar de sua beleza plástica, seu elenco, a enormidade de sua história e a música (Tema de Lara), que até hoje ainda se ouve com todo o interesse  de antes acompanhado de    um reconfortante saudosismo. Na década de 1970/80 o filme foi uma febre ao ser lançado nos nossos cinemas, tudo isso, pela fama de sua trilha sonora. Essa exuberante película cinematográfica foi filmada na Espanha, Canadá e Finlândia. A música, composta por Maurice Jarre, assim como o filme, são dois espetáculos muito bem percebíveis pela sensibilidade humana. Transportando-nos ao passado ficamos a imaginar: quanta gente nesse mundão de meu Deus não  foi levada ao altar para se casar ao som de TEMA DE LARA...



Ao se ouvir a relaxante melodia, Tema de Lara, os pensamentos flutuam no ar fazendo círculos através de suas notas, descrevendo o frio, a solidão de terras distantes e da beleza daquelas paragens. Na verdade, o tema  dá um ar de saudades de um lugar que nunca se esteve lá. Pois bem!!! Embale a alma com essa harmoniosa valsa muito bem orquestrada e tocada no mundo inteiro,  assistindo ao vídeo abaixo à saga de Lara e Yuri com lindas paisagens da Rússia, uma lição ou uma viagem de emoção pela cultura russa, seus poetas,  escritores e sua história milenar...



Assista ao vídeo:


Um comentário:

  1. Belíssimo filme e contundente crítica ao comunismo. Li e vi um depoimento de Maurice Jarre sobre como criou o famoso tema. Fez um primeiro tem e o mostrou a David Lean, o diretor. Ele não gostou e pediu outro a Maurice; este fez o segundo tema e Lean novamente não gostou. Fez um terceiro tema e Lean não gostou, mais uma vez, e aconselhou a Maurice: " Pegue sua namorada, vá pra sua casa nas montanhas e escreva a música". Foi aí, na quarta tentativa, que nasceu uma da mais emblemática e clássica música da história do cinema.

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