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terça-feira, 23 de abril de 2019

JORNALISMO E PUBLICIDADE - A LIÇÃO DE UM MESTRE

ESCRITOR GEORGE ORWELL

Noticiamos que o programa “Porta Voz da Notícia” passaria a ser apresentado, a partir desta semana, pelo radialista Marcos Cardoso, substituindo Tony Lucas.

Também informamos que o programa na emissora da Boa Vista é bancado pelo deputado federal Fernando Rodolfo (PR), que aproveita o horário para divulgar suas ações parlamentares e abrir espaço para seus aliados políticos na cidade.

Por conta dessa publicação, recebemos indiretamente o pedido de uns dos produtores do programa para retirar ou modificar a postagem.

À tarde e à noite recebemos dois telefonemas de um rapaz de Caruaru fazendo o pedido para retirada da postagem.

Ao fazer a solicitação, o rapaz, de forma educada, disse que a “ajuda do blog” sairia amanhã (hoje).

Não acertei nenhuma ajuda de ninguém e nunca, em 10 anos do blog retirei uma notícia do ar mediante pagamento financeiro.

Como quase todos em Garanhuns sabem, sobrevivo exclusivamente desse trabalho na internet e alguns patrocinadores investem na minha ferramenta de comunicação.

Acredito que nenhum deles faz isso por caridade, por ter pena de mim e sim porque sabe que o blog tem credibilidade e audiência em todo o Agreste Meridional.

Ninguém aqui é enganado: Algumas postagens são puro jornalismo, informação, notícia. Outras estão direcionadas a divulgar comercialmente as atividades dos meus apoiadores, sejam agentes públicos ou privados.

Mas continuando com o assunto da troca de locutores no programa “Porta Voz da Notícia”, hoje acordo com uma mensagem do radialista Tony Lucas falando sobre sua saída da FM Sete Colinas e confirmando que seu patrão é o deputado Fernando Rodolfo, de quem garante não irá falar mal, dando a entender que continuará na equipe do parlamentar.

Tony interpretou que a nota teve o objetivo de atingir o deputado Fernando Rodolfo.

Está enganado. O fato do parlamentar comprar um horário numa emissora de rádio não constitui nenhuma ilegalidade, é uma forma absolutamente lícita de divulgar seu trabalho.

Daí que não entendo o incômodo todo por levar a público essa informação verdadeira.

Rodolfo hoje é um homem público e deve agir de forma transparente, como acredito que o faz.

Não há porque sonegar essa informação do povo de Garanhuns e isso não descredencia o programa, que foi bem apresentado por Lucas e continuará em boas mãos (ou boa voz) com Marcos Cardoso, além de ter na produção um jovem talentoso, que é Gustavo Henrique.

Tony recomenda que eu publique sua nota fazendo ctrl+v. Costumo usar muito pouco esse recurso, a não ser quando desejo reproduzir artigos importantes de juristas, cientistas políticos ou jornalistas que admiro.

Quem acompanha de fato o meu trabalho sabe que 80% das publicações são escritas por mim e os 20% restantes reservo para abrir espaço para colaboradores diversos e reproduzir textos de alto nível de pessoas como Michel Zaidan Filho, Ricardo Kotscho, Jânio de Freitas, Altamir Pinheiro, Júnior Almeida e Homero Fonseca.

O jornalista e deputado Fernando Rodolfo não teve contato comigo e imagino que ele não autorizou assessores e empregados a pedirem para que eu retirasse uma notícia que incomodou a determinadas pessoas.

Seria estranho uma atitude dessas da parte dele, já que o ano passado, foi demitido da TV Jornal Caruaru por pressões do governador Paulo Câmara, segundo o próprio revelou na época.

Foi uma demissão dolorosa, que chocou a sociedade pernambucana e o povo, solidário, lhe concedeu a honra de ser deputado federal, para representar Garanhuns, Caruaru e outras cidades importantes do estado em Brasília.

Não tenho mais idade nem saúde para brigas, sejam físicas, sejam no campo das ideias. Considero Tony Lucas e Marcos Cardoso bons profissionais, apoio a caminhada de Rodolfo desde a campanha e acho que sua eleição foi um marco na história política de Garanhuns.

Se a nota foi mal interpretada lamento. Mas não é a primeira vez que acontece algo assim no exercício da profissão. Afinal são 40 anos de batalhas, algumas vitórias, decepções.

Toda às vezes que isso se repete lembro do jornalista e escritor George Orwell, autor dos livros 1984 e Revolução dos Bichos: "Jornalismo é publicar aquilo que alguém não quer que se publique. Todo o resto é publicidade”.

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