SECRETARIA DE SAÚDE DO ESTADO

"O CONTO DE AIA" - LIVRO E SÉRIE IMPERDÍVEIS


De Caio Delcolli

Imagine que, em um futuro próximo, o presidente e quase todos os congressistas do Brasil são assassinados por um grupo cristão fundamentalista. Em seguida, ele assume o poder, suspende a constituição e instaura uma ditadura militar. Agora o Brasil é uma teocracia. Os direitos das mulheres são retirados – e elas se tornam o centro desse novo sistema.
Elas são divididas entre férteis e inférteis. As que podem ter filhos – poucas, pois a degradação do meio-ambiente causou danos à fertilidade de quase todas as mulheres – são mantidas na casa dos comandantes do governo para, uma vez por mês, serem estupradas por eles. O objetivo imposto a elas é trazer novas vidas ao país, agora chamado de "Gilead".
Este é, em resumo, o universo no qual acontece a história de O Conto da Aia (The Handmaid's Tale, no título original), romance da escritora canadense Margaret Atwood lançado em 1985. A "República de Gilead" ocupa o que já foi chamado de Estados Unidos.

O livro voltou a ser assunto recorrente quando Donald Trump foi eleito presidente dos EUA em 2016. A obra voltou às listas de bestsellers da Amazon na companhia de outra distopia: 1984, de George Orwell. Inúmeras referências ao livro de Atwood foram feitas em recentes protestos feministas, incluindo a Marcha das Mulheres contra Trump realizada em janeiro. Agora adaptada para a TV, na série The Handmaid's Tale, exibida pelo serviço de streaming Hulu, a história que Atwood criou ampliou ainda mais seu sucesso.

'O Conto da Aia' não é um manual de instrução", diz a placa da manifestante, em registro da própria Margaret Atwood em uma Marcha das Mulheres em 2016, em Toronto.

A ascensão de líderes populistas, como Trump e Marine Le Pen, candidata da extrema-direita à presidência da França que chegou ao segundo turno, tem sido comparada ao enredo de ambos os livros, cujas narrativas distópicas, vistas frequentemente como "proféticas", de fato podem apresentar semelhanças com a vida real.

"O Conto da Aia conversa diretamente com as tensões que têm se construído [no mundo] desde que Atwood escreveu a narrativa", defende Marlene Goldman, especialista em literatura canadense contemporânea da Universidade de Toronto, em entrevista ao HuffPost Brasil.Goldman diz que a história do livro é sobre nações-estados que incitam à xenofobia e usam a religião como estratagema para justificar a remoção de direitos dos cidadãos. Em O Conto da Aia, quando a facção fundamentalista Filhos de Jacob suprime o governo com um golpe, a culpa é atribuída aos fanáticos islâmicos."O romance é estranhamente presciente. Atwood sempre teve um entendimento afiado da política, da família ao estado-nação", diz. A professora de literatura considera o romance "de fato, profético".

A história

 

O Conto da Aia é centrado em Offred. Ela perdeu a filha e o esposo para a República de Gilead e se torna uma das aias; a protagonista serve a um comandante do alto escalão do governo. Não fica claro qual é o nome real da personagem. Ela é apenas chamada de "Offred", que se origina de "of Fred" – em livre tradução para português, "do Fred". Em Gilead, as aias são, literalmente, possessões de seus comandantes.

Elas vestem o corpo todo de vermelho, exceto a cabeça, na qual elas usam uma touca branca com duas grandes abas, que as impedem de ver ao redor e de serem vistas também. As Esposas dos Comandantes são donas de casa inférteis e usam vestidos verdes. As Marthas são responsáveis pela limpeza e pela comida da casa dos Comandantes. As aias são preparadas para o posto pelas Tias – treino que inclui humilhações e tortura.
Os Comandantes as estupram no período fértil, em um ritual bizarro no qual elas se deitam entre as pernas das Esposas dos Comandantes, enquanto os chefes as penetram. Se as aias tentam escapar, são assassinadas, pois a vigilância é intensa nas ruas de Gilead. Gays são chamados de "traidores do gênero" e são enforcados, assim como médicos que praticavam abortos em mulheres, antes dos Filhos de Jacob assumirem o poder.
A história é narrada por Offred e soa como o relato de uma testemunha. Atwood se baseou em notícias para construir o universo e o enredo de O Conto da Aia. Em seu acervo, na Thomas Fisher Rare Book Library, biblioteca da Universidade de Toronto – Atwood se graduou em Inglês na instituição, nos anos 1960 –, encontram-se com o manuscrito do romance os recortes de jornais feitos pela autora. São reportagens sobre o cerceamento às liberdades das mulheres e poluição do meio ambiente."

O Conto da Aia alerta que, tipicamente, pessoas que buscam poder criam hierarquias que consolidam o poder masculino e patriarcal", analisa a professora. "Insistem que a perda da liberdade das mulheres é justificável porque proporciona 'liberdade'. A falsa mensagem nisso é que mulheres precisavam de proteção da brutalidade masculina e essa proteção, supostamente, implica no escravizamento pelo estado."No Brasil, O Conto da Aia foi lançado pela Rocco, e no meio deste ano, ganhará uma nova edição, com nova capa. Tiago Lyra, editor da obra, atribui o sucesso do livro à "força literária" da autora, e por ela trazer à ficção especulativa temas que ainda são mais relevantes no século 21, como a opressão feminina e o fundamentalismo cristão na política.


*Fonte:

Um comentário:

  1. Separar as melhores mulheres para os generais estuprarem. Isso já aconteceu quando a União Soviética invadiu a Alemanha após a segunda guerra, e Stalin ordenou que o "EXERCITO COMUNISTA da União Soviética" estuprasse todas as mulheres alemãs com mais de 8 anos de idade, promovendo o maior estupro em massa da história da humanidade!

    MAIS QUE 2 MILHÕES DE MENINAS, MULHERES E SENHORAS IDOSAS FORAM ESTUPRADAS POR COMUNISTAS, DO VERÃO DE 1945 ATÉ O FINAL DE 1948 NA ALEMANHA, DE FORMA SISTEMÁTICA. ISSO É O MAIOR ESTUPRO EM MASSA DE TOSO OS TEMPOS COMETIDO POR AQUELES COMUNISTA E RATIFICADO HOJE POR CADA UM QUE HOJE SE DIZ COMUNISTA OU SIMPATIZANTE DO COMUNISMO!


    "Tudo que há de atrocidade que esses roteiristas de holiwood possam usar a criatividade para imaginar já foi praticado por comunistas no passado"

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