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segunda-feira, 26 de março de 2018

PCB: 96 ANOS DE LUTA PELA CLASSE TRABALHADORA



PARTE  I

O Partido Comunista Brasileiro (PCB), fundado em 25 de março de 1922, é parte constitutiva da história do Brasil. Se, na sua gênese, convergiram os ideais libertários do nascente proletariado, no seu desenvolvimento e consolidação foram sintetizados os processos de maturação de uma organização política que buscava (e o faz até hoje) conjugar em suas fileiras os mais destacados militantes das lutas dos trabalhadores e representantes da intelectualidade e da cultura brasileira.

Quando se tornou um verdadeiro partido de dimensões nacionais, no imediato pós-guerra, o PCB revelou-se como a instância de universalização de uma vontade política que fundia o mundo do trabalho com o mundo cultural. Intelectuais do porte de Astrojildo Pereira (um de seus fundadores), Caio Prado Jr., Graciliano Ramos e Mário Schenberg, dentre muitos outros, vinculavam-se a projetos e perspectivas que tinham nas camadas proletárias o sujeito real da intervenção social.
Se a história do PCB foi marcada por uma sistemática repressão, que o compeliu à clandestinidade por mais da metade de sua existência e que entregou ao povo brasileiro boa parte de seus maiores heróis do século XX, nem por isto o PCB foi um partido marginal. Ao contrário: da década de 1920 aos dias atuais, os comunistas, com seus acertos e erros, mas especialmente com sua profunda ligação aos interesses históricos das massas trabalhadoras brasileiras, participaram ativamente da dinâmica social, política e cultural do país. Por isso mesmo, resgatar a história do PCB é recuperar a memória de um Brasil insurgente, ao mesmo tempo premido pelas imposições do modo de produção capitalista e do imperialismo, para comprovar que só pode fazer futuro quem tem lastro no passado.
Os anos de formação
Os primeiros anos, que vão da fundação do Partido a 1930, assinalaram o esforço de criar no país uma cultura socialista e um modo proletário de fazer política. Recorde-se que, ao contrário de outros países, o Brasil não teve, antes de 1922, qualquer experiência partidária anticapitalista de alguma significância (exceção feita à pioneira ação dos anarquistas, cujo protagonismo esgotou-se com a greve geral de 1917 e a algumas tentativas malogradas de se constituir no Brasil um partido de matiz operária).
Nestes anos, realizando três congressos (o de fundação, em 1922, e os de 1925 e 1928/29) e já operando na clandestinidade, o PCB deu conta da sua dupla tarefa: de um lado, traduziu e divulgou o Manifesto do Partido Comunista e lançou o jornal A Classe Operária, tentando divulgar as teses marxistas junto ao operariado. De outro, dinamizou o movimento sindical com uma perspectiva classista e independente, inserindo-se no cenário da política institucional, através do Bloco Operário Camponês, quando então lançou o nome de Minervino de Oliveira, operário negro, para presidente da República.
Em 1930, já reconhecido pela Internacional Comunista e tendo criado a sua Juventude Comunista, o PCB multiplicou por quinze os 73 militantes que se integraram ao Partido em 1922. A década de trinta marcou dois movimentos na trajetória do PCB: o primeiro, até 1935, de afirmação política; o segundo, até 1942, de refluxo – ambos compreensíveis na conjuntura das transformações que a sociedade brasileira vivia com a chamada Revolução de 1930, que pôs fim à Primeira República e abriu caminho para a era Vargas.
ANL e revolta de 1935
Mesmo sem participação direta no evento político que derrubou a república oligárquica, o PCB logo se colocou como uma força política importante nesta nova quadra da história brasileira: foi a organização que mais coerentemente enfrentou o avanço do integralismo (caricatura do movimento nazifascista no Brasil). Já contando em suas fileiras com a presença de Luiz Carlos Prestes – que haveria de se tornar o seu dirigente mais conhecido – o PCB articulou uma grande frente nacional e antifascista, propondo à sociedade um projeto político democrático, anti-imperialista e antilatifundiário.
O Partido tornou-se o núcleo dinâmico da Aliança Nacional Libertadora (ANL), frente antifascista na qual se reuniram comunistas, socialistas e antigos “tenentes” insatisfeitos com a aproximação entre o governo de Vargas e os grupos oligárquicos afastados do poder em 1930. Com a ilegalidade da ANL decretada por Vargas, o PCB passou a adotar uma ação insurrecional, que desembocou na revolta armada de novembro de 1935.
A insurreição comunista partiu da tomada de quartéis no Rio Grande do Norte, Pernambuco e Rio de Janeiro e, devido à sua desarticulação e ao não envolvimento das massas no movimento, foi rapidamente dominada, tendo sofrido violenta repressão por parte das forças de segurança do Estado.
Derrotada a ação insurrecional, abateu-se sobre o país uma onda repressiva sobre todo o campo democrático, em especial sobre o PCB que, até inícios dos anos quarenta, viveria sob intensa repressão política, chegando a casos de extermínio físico de dirigentes e diversos militantes. Mas nem a duríssima clandestinidade impediu que os comunistas cumprissem com seus compromissos, até mesmo os internacionalistas: o PCB não só organizou a solidariedade à República Espanhola como, ainda, enviou combatentes para as Brigadas Internacionais.


“Partidão” e ilegalidade
A conjuntura internacional ao final da Segunda Guerra Mundial, quando se destacaram a derrota fascista em Stalingrado, o avanço das tropas soviéticas sobre o Leste Europeu e a ocupação de Berlim pelas forças antinazistas (com a União Soviética à frente), favoreceu a ação dos democratas brasileiros na abertura dos anos quarenta e, como força inserida no campo da luta democrática, os comunistas ampliaram suas possibilidades de intervenção na sociedade.
Recuperando-se das perdas orgânicas dos anos imediatamente anteriores, o PCB – que exigira a participação do Brasil na guerra contra o nazifascismo e orientara seus militantes a se incorporarem à Força Expedicionária Brasileira (muitos deles voltariam do campo de batalha reconhecidos oficialmente como heróis) – se reestruturou, com a célebre Conferência da Mantiqueira, realizada em agosto de 1943.
A partir dela, o Partido conquistou espaços na vida política e, quando da redemocratização, cujo marco é o ano de 1945, tornou-se um partido nacional de massas, atingindo a marca de cerca de 200 mil filiados em 1947. Conquistando plena legalidade, constituiu significativa bancada parlamentar e elegeu, pelo Estado da Guanabara, ao cargo de senador, o então Secretário-Geral do Partido, Luiz Carlos Prestes.
Protagonista essencial dos processos políticos, o PCB contribuiu significativamente para a unificação do movimento sindical classista, criou uma notável estrutura editorial e jornalística, empolgou a intelectualidade democrática e passou ser a vanguarda democrática na Assembleia Nacional Constituinte.
Mas este movimento de afirmação política foi brutalmente interrompido pela Guerra Fria: entre 1947 e 1948, o Partido foi posto na ilegalidade e perseguido pelo Governo Dutra. Compelido à clandestinidade, o PCB respondeu à truculência do governo do Marechal Dutra com uma política estreita e sectária (expressa nos Manifestos de 1948 e 1950), o que conduziu os comunistas a um profundo isolamento, além de ter dado início a uma luta interna entre diferentes grupos partidários.
A conjuntura de retomada das lutas operárias, que se acirrou com o suicídio de Vargas em 1954, acabou empurrando a militância do PCB a atuar diretamente nas grandes greves do período e a participar por dentro dos sindicatos, na contramão da linha esquerdista adotada pela direção, expressa na orientação de promover o paralelismo sindical. Esta atitude dos militantes de base exerceu grande influência entre os dirigentes, forçando que aos poucos se definisse a reformulação da linha política do PCB, para o que também muito contribuiu o intenso debate interno desencadeado pela divulgação dos informes do Congresso do PC da União Soviética.
XX Congresso do PCUS: conflitos
As tensões explodiram em 1956, com o impacto do XX Congresso do Partido Comunista da União Soviética (PCUS): a denúncia do chamado “culto à personalidade de Stalin” catalizou a atenção dos militantes e irrompeu no interior do PCB, provocando a emersão de divergências e conflitos internos reprimidos por uma década.
A luta interna que se seguiu ao impacto causado pelo XX Congresso do PCUS (na qual, além de um número expressivo de militantes, o PCB perdeu importantes dirigentes e quadros intelectuais) começou a ser ultrapassada em março de 1958, quando se divulgou a Declaração Política que propôs uma nova perspectiva de ação dos comunistas.
A Declaração de Março reconheceu o forte desenvolvimento das relações capitalistas no Brasil, vinculou a conquista do socialismo à ampliação dos espaços democráticos e formulou uma estratégia revolucionária de longo prazo. Se esta nova orientação permitiu uma atuação destacada junto às mobilizações de massa do final dos anos 50 e início dos 60, com o PCB assumindo a dianteira das lutas e de diversos movimentos e entidades, a leitura da realidade brasileira ainda apegada à ideia de que o imperialismo agia como uma força externa à economia brasileira e de que haveria uma burguesia nacional disposta a enfrentá-lo, na prática desarmou o Partido para o grande embate que viria no ano de 1964.
DIREÇÃO NACIONAL DO PCB (PARTIDO COMUNISTA BRASILEIRO)
APOIO: PCB DE GARANHUNS/PE

Um comentário:

  1. PCB? class trabalhadora. H muito os comunas os cumunas abandonam os trabalhadores para atracarem com travecos, bandidos, putas e drogados!

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