SECRETARIA DE SAÚDE DO ESTADO

OS FAZENDEIROS, OS CAPATAZES E A BOIADA


Por Júnior Almeida (Com exclusividade para o Blog de Roberto Almeida)

Desde domingo passado que ecoa em todo país a repercussão das passeatas pedindo a saída do PT do poder. Mesmo com notícias requentadas, não se fala em outra coisa. Como era muita gente, não se tinha uma pauta certa, parece que os manifestantes não se entendiam no que queriam, só tinha uma que era consenso: A reivindicação que queria que Dilma Rousseff​ saísse, por bem ou por mal. Tinha uma faixa que sugeria dois caminhos para a presidente: Renúncia ou suicídio. Como são bonzinhos. Ainda bem que deram mais de uma opção, não é?  Tinha uma senhorinha fofa, de cabelos brancos com cara de vovó querida que segurava um cartaz que dizia ser uma pena Dilma não ter morrido no DOI CODI, que era o órgão do regime militar que torturava e matava quem não concordava com o sistema. Essa senhora, portanto, reivindicava a morte da presidente. 

Vi também uma mulheres bonitas e elegantes batendo panelas, que pelo que vi eram as caras panelas  Tramontina de aço inox com tampa de vidro temperado. Pelo que entendi reivindicavam que suas empregadas lavassem a louça direito. Muita gente também usava a camisa da seleção, a amarelinha. 

Que importa se o presidente da CBF não sai do país com medo de ser preso pelo FBI, por desvio de dinheiro? Pelas pessoas que protestavam, não tem nada demais essa federação fazer contratos altamente suspeitos com empresas de material esportivo, ou com emissoras de TV, onde uma concorrente ofereceu bem mais dinheiro pelo direito de transmitir o campeonato brasileiro, e mesmo assim não conseguiu. 

A pauta desses canarinhos era anular os 7 X 1 que o Brasil levou da Alemanha, se possível revertendo o placar para a nossa seleção. Seria 7 pra nós, e não pra eles. No meio do povo tinha também alguns com fardas militares, numa quase ordem unida. Peito pra fora, barriga pra dentro, colando os cascos e prestando continência, a que eu não sei. Esses queriam a volta da ditadura. 

Tinha também uns meninos até bem parecidos, bem vestidos, com jeito muito refinado, que não podiam ver um fotógrafo que abaixavam as calças e mostravam a bunda. Esses, eu tenho certeza: Queriam a dita dura. Bem dura. 

Teve socialite mostrando os peitos, que desconfio que pedia a criação do bolsa soutien ou bolsa silicone; teve boneco inflável de Lula​ vestido de presidiário, que custou 12 mil reais e mais um monte de coisas bem carnavalescas. Foi uma festa. De todas as fotos que observei, não lembro de ter visto ninguém com cara de pobre, se é que pobreza tem cara. Mas era gente bem vestida, com os dentes todos certinhos, mulheres produzidas, maquiadas... 

Foi muita gente. Se fala em 800 mil em todo o Brasil. A última manifestação desse tipo se calcula em 2 milhões, que também é gente demais, só não passa dos 54 milhões que botaram a mulher lá pela soberania do voto.

E o título da postagem, que diabos tem a ver com tudo isso que foi falado? Ah, já ia esquecendo. Patativa do Assaré tem um poema chamado O BOI ZEBU E AS FORMIGAS, onde ele fala do boi, que é o governo, que é forte e faz o que bem quer, e por fazer o que quer, deita sobre um formigueiro, atrapalhando o trabalho das formigas, que representam o povo. O animal se  valendo do seu tamanho não se deu conta que as formigas eram milhares, e que com sua união subiram no boi, o picando e o deixando agoniado, sendo posto pra correr. 

Pegando o gancho do maravilhoso poeta cearense, percebi uma semelhança do causo com as manifestações, mesmo que um pouco em sentido contrário. Nos donos das mídias eu enxergo os fazendeiros. Donos de tudo, de todas as vontades dos que vivem em suas órbitas. O capatazes são alguns políticos. Muitos eleitos com propósitos definidos de defender classes, indústrias, religiões, de vender patrimônio do povo, como os que querem entregar a Petrobrás aos americanos, por exemplo. 

Alguns desses capatazes participaram da manifestações pedindo decência na coisa pública. Um deles, Cássio Cunha Lima, da Paraíba, que foi cassado por corrupção, outro era o Agripino Maia, que recebeu 1 milhão de reais em propina em esquemas com empresas de ônibus no RN. E tem Ronaldo Caiado, Eduardo Cunha, e muitos outros capatazes que levam o gado a lhe seguir, ora chamando pelo berrante das mídias, ora com a vara de ferrão. A boiada? Sim, somos nós o povo. Ou pelo menos os que estavam lá protestando. Esses em sua maioria seguem uns aos outros sem saber direito o que está acontecendo. 


Tivemos algumas pérolas ótimas desses bois. Já vi nas redes que "o PT lavou tanto dinheiro, que hoje falta água em São Paulo", que "Lula cortou o dedo de propósito só para se aposentar", que "quem defende o PT ganha dinheiro pra isso" e outras maravilhas que não sei se choro de pena ou dou risada. Parece que essas pessoas não entendem que não se defende quem errou, que quem fez algum mal feito que pague. O que se defende é a melhoria na vida das pessoas, principalmente as mais pobres. Mas como tenho certeza que muitos não vão entender PN do que eu falei, vou mudar a língua: MUUUUUUUHHHHHHH!!!!

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