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sábado, 21 de fevereiro de 2015

A MAGIA DE GABRIEL GARCIA MARQUEZ

Gabriel Garcia Marques passou anos ruminando a ideia de escrever um grande romance até que um dia deu um estalo. O escritor largou tudo e passou 18 meses trabalhando na história que o consagrou na literatura mundial.

“Cem Anos de Solidão”, o romance publicado em 1967 foi um estrondoso sucesso mundial, levando o nome do autor muito além da Colômbia e da América Latina.

O livro é tido como um amplo painel da América Latina, incluindo a tradição militarista, os golpes, avanços, recuos, os preconceitos, as crenças e superstições.

Garcia Marquez nasceu na pequena cidade de Aracataca e alguns críticos literários acham que a Macondo do seu mais famoso romance retrata a cidade natal.

Criado pelos avós, o escritor chegou a frequentar o curso de direito, mas não concluiu. Ainda jovem se dedicou ao jornalismo tendo feito trabalhos em seu país, na Europa e nos Estados Unidos.

Gabriel tinha uma grande paixão pelo cinema, tendo coberto festivais internacionais da sétima arte e produzido muitos textos para jornais sobre filmes e cineastas famosos. Posteriormente parte dessa produção foi reunida em livros.

Dentre as principais obras do escritor colombiano, destaque para Relato de um náufrago (1955), Ninguém escreve ao coronel (1961), A última viagem do navio fantasma (1968), O Outono do Patricarca (1975), O Amor nos tempos do cólera (1995), Do amor e outros demônios (1994). 

A mais importante e popular obra do autor é mesmo “Cem Anos de Solidão”, de 1967. Em 1992 o escritor recebeu, pelo conjunto de obra, o Prêmio Nobel de Literatura. Um dos poucos ficcionistas do continente a receber tal honraria.

Um das características dos romances de Garcia Marquez é o “realismo fantástico”, acentuado principalmente no seu livro mais conhecido.

Muitos escritores da América Latina – até mesmo os brasileiros Jorge Amado e Érico Veríssimo – usaram desse chamado realismo mágico em suas obras, mal talvez não com a maestria do colombiano.

Apesar de ter lido “Cem Anos de Solidão” na adolescência, mais de 30 anos atrás, ainda guardo na memória algo da magia desse belo livro. Os ciganos, o impacto das novidades (como o gelo e o ímã) nas cidades pequenas, a vocação das pessoas para contar e ouvir histórias.

Gabriel Garcia Marquez morreu aos 87 anos, no México, em 2014, tendo deixado um legado imenso para a literatura latino americana e universal.

Abaixo o leitor confere a beleza de um pequelno trecho de “Cem Anos de Solidão”.

Muitos anos depois, diante do pelotão de fuzilamento, o Coronel Aureliano Buendía havia de recordar aquela tarde remota em que seu pai o levou para conhecer o gelo. Macondo era então uma aldeia de vinte casas de barro e taquara, construídas à margem de um rio de águas diáfanas que se precipitavam por um leito de pedras polidas, brancas e enormes como ovos pré-históricos. O mundo era tão recente que muitas coisas careciam de nome e para mencioná-las se precisava apontar com o dedo. Todos os anos, pelo mês de março, uma família de ciganos esfarrapados plantava a sua tenda perto da aldeia e, com um grande alvoroço de apitos e tambores, dava a conhecer os novos inventos.

Primeiro trouxeram o ímã. Um cigano corpulento, de barba rude e mãos de pardal*, que se apresentou com o nome de Melquíades, fez uma truculenta demonstração pública daquilo que ele mesmo chamava de a oitava maravilha dos sábios alquimistas da Macedônia. Foi de casa em casa arrastando dois lingotes metálicos, e todo o mundo se espantou ao ver que os caldeirões, os tachos, as tenazes e os fogareiros caíam do lugar, e as madeiras estalavam com o desespero dos pregos e dos parafusos tentando se desencravar, e até os objetos perdidos há muito tempo apareciam onde mais tinham sido procurados, e se arrastavam em debandada turbulenta atrás dos ferros mágicos de Melquíades. "As coisas têm vida própria", apregoava o cigano com áspero sotaque, "tudo é questão de despertar a sua alma." José Arcadio Buendía, cuja desatada imaginação ia sempre mais longe que o engenho da natureza, e até mesmo além do milagre e da magia, pensou que era possível se servir daquela invenção inútil para desentranhar o ouro da terra.

Melquíades, que era um homem honrado, preveniu-o: "Para isso não serve." Mas José Arcadio Buendía não acreditava, naquele tempo, na honradez dos ciganos, de modo que trocou o seu jumento e um rebanho de cabritos pelos dois lingotes imantados. Úrsula Iguarán, sua mulher, que contava com aqueles animais para aumentar o raquítico patrimônio doméstico, não conseguiu dissuadi-lo. "Muito em breve vamos ter ouro de sobra para assoalhar a casa", respondeu o marido. Durante vários meses empenhou-se em demonstrar o acerto das suas conjeturas. Explorou palmo a palmo a região, inclusive o fundo do rio, arrastando os dois lingotes de ferro e recitando em voz alta o conjuro de Melquíades. A única coisa que conseguiu desenterrar foi uma armadura do século xv, com todas as suas partes soldadas por uma camada de óxido, cujo interior tinha a ressonância oca de uma enorme cabaça cheia de pedras. Quando José Arcadio Buendía e os quatro homens da sua expedição conseguiram desarticular a armadura, encontraram dentro um esqueleto calcificado que trazia pendurado no pescoço um relicário de cobre com um cacho de cabelo de mulher.

2 comentários:



  1. REZA A LITERATURA MUNDIAL QUE DOS CERCA DE 5O LIVROS MAIS FAMOSOS, CITADOS E LIDOS ATÉ HOJE, APARECEM EM TODAS AS LISTAS OS FAMOSOS: 1984 DE George Orwell; CRIME E CASTIGO DE Fiódor Dostoiévski; LOLITA DE Vladimir Nabokov; O ESTRANGEIRO DE Albert Camus E TANTOS OUTROS. PORÉM, CONSTA DA LITERATURA UNIVERSAL QUE O LIVRO CEM ANOS DE SOLIDÃO DE GABRIEL GARCÍA MÁRQUEZ, ESTÁ ENTRE OS DEZ MELHORES FINAIS DE LIVROS ESCRITO NO MUNDO. EIS A ESTROFE FINAL DE CEM ANOS DE SOLIDÃO: “Macondo já era um pavoroso redemoinho de poeira e escombros centrifugados pela cólera do furacão bíblico quando Aureliano pulou onze páginas para não perder tempo em fatos demasiado conhecidos e começou a decifrar a última página dos pergaminhos, como se estivesse se vendo num espelho falado. Então deu outro salto para se antecipar às predições e averiguar a data e as circunstâncias de sua morte. Porém, antes de chegar ao verso final já havia compreendido que não sairia jamais daquele quarto, pois estava previsto que a cidade dos espelhos (ou das miragens) seria arrasada pelo vento e desterrada da memória dos homens no instante em que Aureliano Babilônia acabasse de decifrar os pergaminhos, e que tudo estava escrito neles era irrepetível desde sempre e para sempre, porque as estirpes condenadas a CEM ANOS DE SOLIDÃO não tinham uma segunda chance sobre a terra.”


    P.S1.: - A LISTA É ÓTIMA, MAS, CLARO, SERIA IMPOSSÍVEL LISTAR TODOS OS GRANDES FINAIS!!! MAS, QUANTO À PARTE QUE ME TOCA, CITANDO ALGUNS BELOS LIVROS QUE LI, UM QUE ME LEMBRO DE TER ME TOCADO MUITO FOI O FINAL DE CAETÉS, DO GRANDE Graciliano Ramos; O FINAL DE ENSAIO SOBRE A CEGUEIRA DO PORTUGUÊS SARAMAGO É BELÍSSIMO; A CASA DOS ESPÍRITOS DE Isabel Allende É DE LAVAR A ALMA; Émile Zola, “A BESTA HUMANA”; OUTRO FINAL DE ARREPIAR É O LIVRO DE Érico Veríssimo, OLHAI OS LÍRIOS DO CAMPO QUE É ÀQUELA CARTA DEIXADA POR OLÍVIA A EUGÊNIO... E HAJA!!!


    P.S2.: - FALANDO-SE DOS DOIS OU TRÊS MELHORES ESCRITORES DA AMÉRICA DO SUL QUE SÃO MARIO VARGAS LLOSA(PERUANO) E GABRIEL GARCÍA MÁRQUEZ(COLOMBIANO), EU ACRESCENTARIA O BRASILEIRO MACHADO DE ASSIS COM O LIVRO MEMÓRIAS PÓSTUMAS DE BRÁS CUBAS, COM AQUELE FINAL: "Não tive filhos, não transmiti a nenhuma criatura o legado da nossa miséria". POIS BEM!!! FINALMENTE, EM SE TRATANDO DESSA FERA, UMA DAS FRASES DE ARREPIAR QUE O GRANDE ESCRITOR COLOMBIANO GARCÍA MÁRQUEZ GOSTAVA DE PRONUNCIAR QUANDO EM VIDA ERA MUITO MARCANTE. EI-LA: "Não acredito em Deus, mas tenho medo Dele."...

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  2. José Fernandes Costa22 de fevereiro de 2015 20:21

    Penúltima página do livro: "Do amor e outros demônios", de Gabriel García Márquez: - "Sierva María o esperou em vão. No terceiro dia, deixou de comer, numa explosão de rebeldia que agravou os indícios da possessão. O bispo, transtornado com a queda de Cayetano, pela morte indecifrável de padre Aquino, pela repercussão pública de uma desgraça que escapou à sua sabedoria e ao seu poder, reassumiu os exorcismos com uma energia inacreditável para a sua idade e dado o seu estado de saúde. Sierva María, dessa vez com o crânio raspado a navalha e metida em camisa de força, o enfrentou com uma ferocidade satânica, falando em línguas ou com uivos de pássaros infernais. No segundo dia houve um bramido imenso de gado em fúria, a terra tremeu, e se tornou impossível pensar que Sierva María não estivesse à mercê de todos os demônios do inferno. De volta à cela, aplicaram-lhe uma lavagem de água benta, que era o método francês para expulsar os que pudessem ficar nas entranhas.
    "A perseguição prosseguiu por mais três dias. Embora sem comer havia uma semana, Sierva María conseguiu livrar uma perna e desfechou com o calcanhar um golpe no baixo-ventre do bispo, que o fez cair. Só então descobriram que pudera se soltar porque seu corpo estava tão descarnado que as correias não o prendiam mais. O escândalo aconselhava interromper os exorcismos, e assim entendeu o Cabido Eclesiástico, mas o bispo se opôs.
    "Sierva María não soube jamais que fim tinha levado Cayetano Delaura, porque ele não voltou com sua cesta de doces dos portais e suas noites insaciáveis." - É ISSO. /.

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