segunda-feira, 24 de novembro de 2014

OUTRA VISÃO DE GARANHUNS

Garanhuns durante o Festival do Jazz

Em artigo publicado hoje, neste blog, o engenheiro Paulo Camelo fala das perdas de Garanhuns nas últimas décadas e volta a criticar o que chama de “Legião Estrangeira”. O representante do PSOL tem razão em algumas coisas e certamente é bem intencionado. Ninguém tem dúvidas de que ele ama a cidade e deseja o melhor para ela.

Mas é preciso considerar que se Garanhuns perdeu cinemas, lojas, clubes sociais e esportivos e áreas territoriais, com a emancipação dos distritos, também teve ganhos significativos nos últimos anos.

Os mais velhos sabem que o município até o começo dos anos 80 não tinha nem mesmo um sistema de transporte urbano. O que circulava entre os bairros eram “latas velhas” que dava até vergonha de subir numa coisa daquelas.

Durante anos só tivemos a Faculdade de Formação de Professores e hoje os cursos de nível superior se espalham pela cidade: Direito, Medicina, Psicologia, Engenharia, Agronomia, Veterinária, Zootecnia e muito mais.

O fechamento de cinemas, o declínio das festas tradicionais a decadência da cultura cafeeira ou de outros produtos não foram fenômenos exclusivos de Garanhuns. Veja que mesmo no Recife fecharam praticamente todas as salas de exibição do centro e o carnaval hoje não tem a pujança do passado em nenhuma cidade do interior.

Ora meu caro Paulo Camelo: não faz muito tempo Garanhuns só tinha praticamente Ferreira Costa e o Pérola dominando o comércio e as duas casas comerciais praticavam o preço que queriam. Um aparelho de TV ou qualquer outro eletrodoméstico por aqui custava um absurdo.

Depois que vieram essas outras lojas: Insinuante, Eletro Shopping, Laser, Maia (Luíza), Casas Bahia é que a situação melhorou muito. Hoje, devido a concorrência, o preço em Ferreira Costa melhorou bastante e a tradicional loja vende muita coisa (fogões, geladeiras, etc) por preços mais amigáveis do que das concorrentes.

Garanhuns não tinha vida noturna. Depois das oito horas da noite a Avenida Santo Antônio e a Rui Barbosa ficavam completamente desertas. Hoje a realidade é outra, temos boas lanchonetes e restaurantes, alguns deles oferendo música ao vivo o que é ótimo para quem curte.

Sinceramente, Garanhuns era uma província nos anos 60, 70 e 80. Começou a melhorar depois da década de 90 e o Festival de Inverno, criado na época de Ivo Amaral contribuiu muito com o desenvolvimento cultural, social e econômico do município e região.

Surgiram hotéis, cresceu o polo gastronômico e a mentalidade dos moradores locais se abriu. Garanhuns, claro, não é uma metrópole. Não se pode comparar a Recife, Natal, Salvador, Rio ou São Paulo. Mas ganha dia a dia ares de cidade. Os colégios tradicionais, como Diocesano, Quinze, Estadual, Monsenhor Adelmar e Santa Sofia continuam tão bons quanto no passado; o setor médico ampliou muito nos últimos 20 anos e o comércio de nenhuma maneira é menor do que no passado.

Em relação à parte médica podemos registrar ainda o seguinte: houve um tempo em Garanhuns em que praticamente só tínhamos Dr. Couto e Dr. Jurandir (este pediatra). Dentista tinha que se correr para Jonas. Hoje temos quantos profissionais em todas as áreas? Falta muita coisa ainda? Falta. Mas temos avançado.

E precisa acabar com essa história de esperar tudo do poder público. Um bom gestor é importante sim, mas quem faz Garanhuns andar é um povo inteiro. As classes produtoras, a imprensa, os intelectuais, os professores, os engenheiros, os advogados, os médicos, os operários, as donas de casa, os estudantes, os carpinteiros, os pedreiros.

Garanhuns tem complexo de Peter Pan? Nem sempre, muitas vezes a população local tem mania de grandeza. Quantas vezes ouvimos reclamações de pessoas de outras cidades com relação aos moradores locais, que seriam “metidos a besta”.

Esse Plano Diretor que proíbe a construção de prédios de mais de três andares é um equívoco. A cidade precisa crescer também verticalmente, como já aconteceu com Caruaru. Cabe ao prefeito e principalmente aos vereadores mudar essa lei e deixar Garanhuns livre para crescer, em todos os sentidos.

Garanhuns não pode ser Peter Pan, o personagem do conto de fadas que tinha medo de crescer. Garanhuns pode se imaginar como o gigante bíblico Golias e alçar voos cada vez maiores, sem perder o rumo, a humildade, para não ser atropelado pelo pequeno David.

Num mundo globalizado como o que estamos vivendo não faz sentido falar em “Legião Estrangeira”, quando todos somos um só povo: somos pernambucanos e brasileiros.

Luiz Carlos veio do pequeno município de Calçado, Ivo Amaral nasceu num povoado de Lajedo, Bartolomeu veio do Sertão pernambucano, Silvino veio do vizinho Estado da Paraíba. Estão há 40/50 anos entre nós, são hoje tão garanhuenses quanto quem nasceu na maternidade do Dom Moura ou do antigo Hospital Santa Terezinha.

No meu caso pessoal nasci em Capoeiras, vivi durante quase 20 anos no Recife, mas tenho no total da minha vida perto de 30 anos de Garanhuns. Meu trabalho em jornais, rádios e na internet é todo ele direcionado pra essa cidade que amo como quem ama uma mulher.

Sinto-me de Garanhuns e não preciso de título da Câmara de Vereadores para isso. O que importa é a vivência por entre as ladeiras, os colégios que frequentei e onde depois eduquei meus filhos. Conheço o centro, as cohabs, o frio do Magano, as particularidades da Brahma, do Indiano, da Várzea, Boa Vista, Aloísio Pinto e Manoel Chéu.

Democraticamente discordo do socialista Paulo Camelo. Sou mais otimista, vejo Garanhuns com esperança e acho que a cidade tem tudo para se consolidar cada vez mais como uma das mais importantes de Pernambuco e do Nordeste. Sem falar na beleza, que é singular.

10 comentários:

  1. Perfeito Roberto. Cheguei em Garanhuns em 1968 onde fui oficial do 71 BI MTZ, convocado, aqui fiquei por quatro anos e conhecí nossa cidade carente, com menos de70 mil habitantes. Respeito muito o engenheiro Paulo Camelo, é uma pessoa preparada porém um pouco pessimista talvez, e discordo de algumas de suas colocações. Quem viu Garanhuns como eu ví, e muitos viram, existe uma diferença substancial, embora reconheça que outros municípios cresceram muito mais, cito Caruaru e Petrolina que deram um salto no seu desenvolvimento. Acontece que Garanhuns, como teve excelentes prefeitos como Sr.Ivo Amaral, Silvino Duarte, aliás falando em Sr. Ivo sou seu fã de carteirinha, um homem bom que a palavra rancor, nunca esteve no seu dicionário, além de sua visão de futuro. Outros nem tantos, tivemos prefeitos que foram o atraso em pessoa para Garanhuns, essas distorções fizeram Garanhuns avançar e retroceder quase que sucessivamente. Hoje, temos novamente um grande Prefeito porém há de se considerar que o atraso é grande, por mais que o prefeito trabalhe, uma distancia substancial ainda nos separa desses municípios, principalmente de Caruaru. Acho que agora com o amor por Garanhuns e pela sua disposição em trabalhar por Garanhuns, nosso Prefeito vem aos poucos tirando essa grande diferença, e o apoio de Deputados, entre outros, Jorge Côrte Real nosso Ministro Armando Monteiro, Garanhuns dará um salto no seu desenvolvimento.O Prefeito precisa de cabeças e dessa humildade que ele tem, para que possam ajudá-lo nessa luta, até porque nenhum homem é uma ilha. Que continue assim, olhando para frente e não se deixe levar por pessoas que às vezes por maldade e fofocas, nos trazem o mal. Eu, nem os ouço, e o Prefeito Izaías Régis que continue com essa disposição e não ouça essas pessoas que levam o mal, estes, existem em todos os lugares e profissões.

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  2. Concordo com você Ronaldo, mas discordo quanto a aprovação de construção de edifícios com mais de 3 andares na cidade. Essa ideia de acreditar que arranha céus são sinônimos de uma cidade desenvolvida vão de encontro a vários problemas que esse tipo de construção traz como por exemplo o aumento de veículos circulando numa região concentrada da cidade. Além do quê vai na contramão de políticas já adotadas por outras cidades como João Pessoa que também não permite a construção de empreendimentos de grande porte na sua orla e com o passar do tempo vemos que essa foi uma medida mais que acertada. O que Garanhuns precisa é se planejar melhor, pode até estimular a construção desse tipo de empreendimento desde que seja longe do centro e de maneira ordenada com estudos técnicos avaliando seus impactos e em sintonia com o que pensa a sociedade. O projeto Novo Recife é outro exemplo de aberração urbana e de que é necessário esse diálogo entre as partes interessadas e a importância de estudo das consequências. Quanto a comparação com Caruaru, sinceramente, você acha que esse crescimento vertical trouxe benefícios a cidade a ponto dela ser levantada como exemplo a ser seguido? Eu não teria essa certeza. Vale a reflexão!

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    1. Desculpe o chamei de Ronaldo meu caro Roberto! Abraço!

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    2. Garanhuns precisa acompanhar o progresso, cidades menores que a nossa, (Gravatá, Bezerros, Santa cruz...), estão recebendo a instalação de grandes construtoras, e consequentemente investindo alto em bairros planejados e grandes edifícios. Portanto é necessário a mudança da lei, pois vai atrair novos investidores e aumentar significativamente a receita do município, do comércio, e empregos. e contribuir para diminuição dos valores estrondosos dos imóveis na cidade.
      Tomara que a ideia do prefeito torne-se realidade. que de fato haja essa mudança no plano diretor municipal. A cidade precisa se preparar para o futuro.
      Danilo Costa

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  3. Falando francamente, é ridícula essa lei que proíbe a construção acima de 3 andares. Essa maldita lei já deveria ter sido revogada na câmara de vereadores, será que não tem um único vereador atualmente que possa fazer um novo projeto de lei, para ser votado na câmara, permitindo construção de edifícios acima de 3, 10, de 15 andares.
    A construção civil precisa ser fortalecida em Garanhuns, para gerar emprego e renda para população.
    Senhores vereadores, acordem!
    Ana Paula

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    1. Concordo com sua ideia.
      O preço dos imóveis em Garanhuns é um absurdo, surreal.

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  4. Heitor, me permita dizer que o crescimento passa também pela verticalização das cidades. Você cita João Pessoa porém lá não se pode construir arranha-céus na sua orla, porque é uma cidade extremamente quente e assim dificultaria a ventilação em bairros mais afastados. Também Heitor, Garanhuns está com seus imòveis super avaliados, todos sabemos que é uma bolha e que brevemente vai estourar ou seja os super preços terão brevemente uma tendência a sub- valorização, ou chegar ao preço real, o que se tem que fazer é não comprar nesse momento, e deixar que o preço chegue o seu valor real. Nós temos um clima de montanha e que sua verticalização não nos afetaria no nosso clima. Quanto aos imóveis.precisamos é de oferta em quantidade e quando nós temos o produto para escolher é natural que seu preço caia e a própria oferta regule esses preços, como não temos, os preços estão muito acima da realidade local. Quanto a Mobilidade Urbana, tive oportunidade de participar de encontros sobre esse assunto em Recife por duas vezes e em Salvador, não existe no curto prazo uma solução para esse problema nas grandes cidades. Seriam necessários, metrôs, ônibus articulados, etc. e isso demanda tempo e muito dinheiro. No caso da nossa cidade não, é necessário um estudo de viabilidade, e afastar o máximo que se puder os veículos particulares no entorno dos centros, obrigando seus proprietários a deixarem seus carros em casa e o Prefeito aumentando e melhorando a frota de transporte coletivo.

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  5. Caro Roberto Almeida e demais conterrâneos,

    O comentário de vocês foge de temas essenciais, tais como:

    1 – A foto do seu texto, por sinal muito bonita, contrasta com o nosso dia a dia. Apenas uma pequena parcela da população participa do Festival de Jazz, uma boa iniciativa do governo Luiz Carlos, isto é, devido ao baixo poder aquisitivo da população;

    2 – A maioria dos políticos de Garanhuns, mesmo sendo representantes da elite dominante, inclusive os ex-prefeitos, não têm acesso ao governo do Estado de Pernambuco. Apenas Ivo Amaral, teve, em sua época, um pouco de acesso aos governadores de Pernambuco. Os demais ex-prefeitos não tiveram acesso , inclusive o atual Prefeito, Izaías Régis. Apenas o empresário Marco Notaro, tinha acesso ao ex-governador Eduardo Campos, mas não soube transformar isso em apoio político em benefício da cidade. Você quer bronca maior do que essa do Prefeito não ter acesso ao governador de Pernambuco. Lembre-se que Caruaru, vem de há muito tempo participando do governo do Estado de PE. O ex-prefeito Luiz Carlos, teve acesso ao ex-presidente Lula, mas desperdiçou o apoio;

    3 – Na esfera federal, é uma piada. Estamos perdendo a FAMEG. Lembre-se que Lula foi ex-presidente, e nenhum empreendimento de porte foi realizado em nossa cidade, principalmente que gerasse emprego e renda. Afinal, a Legião Estrangeira nunca teve Projeto para Garanhuns. Somente conversa até hoje. A UFRPE e a Escola Técnica, foram atribuições de política de governo e, não, iniciativa de políticos da cidade;

    4 – As lojas que chegaram em Garanhuns são resultados da iniciativa privada e, não de governo. Sendo que a maioria delas levam os lucros para outros centros de negócio e não investem em Garanhuns ou deixaram de investir. Cadê o senador Armando Monteiro, ex-presidente da CNI que não trouxe uma fábrica de pipoca para Garanhuns. Isso ocorre porquê Armando Monteiro, exerce uma função meramente sindical no meio empresarial. Considerando que nós somos pobres demais, aí o senador Armando Monteiro, tem status de “celebridade”. É o caso do prefeito Izaías Régis, o qual diz o que quer, com suas Bravatas, porquê é quem tem dinheiro entre os políticos da cidade;

    5 – Vocês confundem crescimento com desenvolvimento. Ora se a população cresce, mas me parece que estagnou no último período, as demandas aumentam e, consequentemente, surgem diversos profissionais liberais, hotéis, restaurantes, transporte coletivo, etc. Uma conseqüência natural;

    6 – Nas cidades que mais se desenvolvem economicamente em PE, Caruaru e Petrolina, as pessoas se deslocam para lá para alavancarem o desenvolvimento. Aqui em Garanhuns, uma parcela das pessoas que se deslocam para cá, querem logo se meter em política e mandar na cidade. Evidentemente que temos de dar uma basta nessa ocorrência;

    7 – Fazem parte da Legião Estrangeira, não só os políticos de outras cidades, como também os que nasceram em Garanhuns, mas que trabalham contra a cidade. Evidentemente que se nesses 40 anos de dominação estrangeira, tivéssemos avançado tanto quanto Caruaru e Petrolina, esse meu argumento não teria sentido. Cada um a sua maneira, mas a maioria dos políticos de Garanhuns fizeram campanha, nas eleições de 2014 para candidatos a deputado Estadual e Federal, de outras cidades, existindo candidatos em Garanhuns para todos os gostos e tendências políticas;

    8 - Vocês se esquecerem de comentar sobre as agressões ao meio ambiente.

    TENHO DITO.

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  6. Por tudo que foi comentado até aqui, o bom senso recomenda concordar com o Engenheiro Paulo Camelo.

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  7. Toinho da Boa Vista25 de novembro de 2014 11:35

    Paulo Camelo é como um samba de uma nota só, num tem quem aguente essa lenga lenga.

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