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quarta-feira, 26 de novembro de 2014

O PELÉ DO TEATRO BRASILEIRO

Santos, no litoral paulista, é uma cidade famosa pelas praias, pelo porto e pelo time de futebol que projetou Pelé para o mundo. Mas o município também sempre foi um celeiro de artistas, principalmente na área teatral. Sérgio e Cláudio Mamberti, Ney Latorraca, Nulo Leal Maia, Beth Mendes, dentre outros são de lá.

Um dos maiores nomes das artes, natural da cidade de Santos, foi o teatrólogo Plínio Marcos.

Polêmico, controvertido, gênio, “maldito” perseguido pela censura do regime militar, Plínio Marcos começou a escrever suas peças ainda em Santos. Foi autor, diretor e ator.

Depois se fixou em São Paulo e "escandalizou" público e crítica com peças como "Barrela" “Navalha na Carne” e "Dois Perdidos numa Noite Suja".

Chegou a ser comparado a Nelson Rodrigues e até hoje seus textos recebem novas adaptações ou montagens, para o teatro e o cinema.

O artista fez também televisão, sendo um dos personagens da novela "Beto Rockfeller", na antiga TV Tupi.

Avesso à burguesia, a governos e partidos políticos, Plínio foi sempre um rebelde. Como nunca ganhou muito dinheiro com seu trabalho e em várias ocasiões ficou sem emprego, ia ele mesmo vender seus livros nas portas dos teatros de São Paulo. "O escritor é ruim, mas o camelô é bom", justificava.

Morreu aos 64 anos, pobre, deixando uma obra que precisa ser mais conhecida pelas novas gerações. Embora tenha frequentado poucos anos de escola trabalhou em jornais, escreveu contos e produziu muito para o teatro, sua paixão.

Plínio Marcos é uma das glórias de Santos e do Brasil. Sua vida foi contada com maestria – e se fazendo justiça ao escritor! -  pelo  jornalista e crítico teatral Oswaldo Mendes no livro "Bendito Maldito".

Não é um livro do mesmo quilate de “O Anjo Pornográfico”, a excelente biografia de Nelson Rodrigues, escrita por Ruy Castro, mas é um bom livro que merece ser lido e divulgado.

Plínio Marcos deixou uma obra importante para a dramaturgia brasileira, foi um gigante na luta contra à censura no Brasil pós-64 e se comportou a vida toda como uma espécie de “São Francisco Brasileiro”, vestindo roupas simples, calçando chinelos, escrevendo, escrevendo, embora por ter rejeitado a escola tenha sempre se confessado um analfabeto.

Imagine se fosse alfabetizado. Uma figura o Plínio Marcos!.

Um comentário:

  1. Tive oportunidade por diversas vezes de ver através da televisão, entrevistas suas e ler dois dos seus livros, era um gênio, alguns o chamavam assim, outros, como escritor polêmico, seus livros foram adaptados para o cinema como "Navalha na Carne." Um homem simples morava perto do minhocão numa casinha sem o menor conforto, e seus trajes como foi dito acima parecia de um pedinte, com seus chinelos já bem gastos Morreu moço e deixou um grande legado, embora não tivesse concluído nenhum dos cursos que começou, era engraçado, e respondia o que lhe dava na telha, era um destemido e irônico. Deixou muitas saudades.

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