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segunda-feira, 17 de novembro de 2014

É MAIS FÁCIL PUNIR O JORNALISTA

Sempre é bom lembrar. Em 1997, o jornalista Paulo Francis denunciou esquema de roubalheira na Petrobras num programa de TV. O presidente da empresa, Joel Rennó, em vez de tomar alguma providência, abriu um processo de US$ 100 milhões contra Francis.

Tampouco ocorreu ao governo de então — primeiro mandato de FHC — realizar qualquer esforço investigativo para coibir práticas conhecidas por gente da alta roda e mesmo empresários medianos. Era mais fácil intimidar o jornalista com uma multa impagável do que apurar. Como efeito colateral, o esquema contava silenciar a imprensa em geral. Sabe-se como tudo acabou.

Foi preciso que a antiga situação e hoje oposição saísse do Planalto, pelas urnas, para que a roubalheira espalhada na estatal viesse a público. Ironia, não? Mas é isso que vem acontecendo. De forma inédita, empresários desse tamanho são investigados e detidos por ligações suspeitas com financiamento eleitoral, pagamento de propinas e superfaturamento ancorados em negociatas com empresa pública.

Apesar do espalhafato costumeiro de parte da PF, é óbvio que a Lava Jato lancetou um tumor instalado há tempos. O estrago ainda está para ser medido, tanto o financeiro quanto o político. No pinga-pinga dos vazamentos, sobra para quase todo mundo, de PT, PMDB e PP a PSDB e PSB. Não à toa houve rapidinho um acerto multipartidário para impedir a convocação de políticos acusados.

Agora vai? Ao menos duas razões recomendam o ceticismo. A primeira está nos antecedentes. Em operações similares, a Satiagraha e a Castelo de Areia, réus de bolso cheio de repente viraram vítimas, delegados foram afastados e juízes, removidos. Pagas a peso de ouro, bancas de advogados estrelados pinçaram erros formais sem tocar no mérito das denúncias. A ponto de não se saber qual escândalo foi maior, se o que motivou as operações ou a missão de abafar os casos. Toda vigilância é pouca para evitar a repetição do enredo, respeitando-se, claro, o direito pleno de defesa (algo que nem sempre ocorre quando os réus são uns, e não outros).

A outra razão é o envenenamento presente nas investigações. A reportagem da jornalista Julia Duailibi dando conta do grau de partidarização da Polícia Federal provoca frio na espinha. Trata-se de uma corporação armada, não de profissionais liberais debatendo posições políticas. Que delegados tenham preferências eleitorais ninguém discute. Mas o teor de suas mensagens eletrônicas, associado ao vazamento seletivo de depoimentos supostos ou verdadeiros, fere o limite que separa convicções ideológicas da utilização tendenciosa de um processo oficial.

Fora de dúvida, por enquanto, é a urgência de mudança no financiamento da política brasileira. Sem prejuízo da ação da Justiça contra réus de culpa provada, evidente que se vai ficar enxugando gelo a se manterem as regras atuais.

Impressionante é notar justamente um juiz da Corte mais alta travar uma providência que, se não resolve, ao menos pode dar alguma transparência à dinheirama das campanhas: a proibição do financiamento por parte de empresas. Embora a maioria do STF já tenha se manifestado pela proibição, o ministro Gilmar Mendes resolveu, em abril!, pedir vistas durante um prazo, ao que tudo indica, a perder de vista.

(Do jornalista Ricardo Melo no site Contexto Livre)

3 comentários:

  1. O jornalista Franz Paul Heilborn, que assinava sua coluna nos jornais e se apresentava na TV como Paulo Francis, morreu menos de um mês depois de ser informado por seus advogados de que não tinha como se defender no processo movido pela Petrobras na corte de Nova York. Como havia acusado sem provas, baseado em fontes que não podia revelar, entrou em depressão e sofreu um estresse que causou sua morte por um ataque cardíaco, segundo revelou sua mulher, a jornalista e escritora Sonia Nolasco.
    http://www.blogdefranciscocastro.com.br/2014/11/paulo-francis-morreu-por-revelar.html

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  2. José Fernandes Costa18 de novembro de 2014 01:12

    Lembrem-se bem de que, naquela época, reinava dom Fernando Henrique Cardoso!! - E que NENHUM escândalo foi apurado. - E houve furtos dos dinheiros públicos, aos montões. - Furtos menores são: o do filho e do genro de dom Fernando Boca do Sovaco. - Pela ordem: Paulo Henrique Cardoso (o filho X Banco Nacional, Feira de Hannover - Frankfurt, etc.); e David Zylbersztajn (o genro / PetrobraX etc., etc.). – Quanto aos outros furtos, é só pesquisar. – Fácil, fácil. /.

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  3. A história desse que se chama de príncipe se se for a fundo, existem roubalheiras de toda ordem.Me lembro do Banco Bamerindus inclusive está no livro "O Príncipe da Privataria" quando o Presidente do banco Sr. Andrade Vieira que foi diga-se de passgem um dos maiores financiadores da campanha na primeira eleição do Sr. FHC, afirmou que a sobra de campanha foi de 130 milhões de reais em 1994. e que fora depositado no exterior, o Presidente traidor reagiu chamando-o de criminoso, logo depois o Presidente FHC fechou o Banco de Andrade Vieira, o Bamerindus. Esse FHC, é sem dúvida um dos maiores crápulas desse nosso país. Finalmente "ninguém" sabe quem se apossou dos 130 milhões de reais.

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