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terça-feira, 29 de julho de 2014

UM CD DE DOMINGUINHOS COM SAMBA, MÚSICA SERTANEJA, CHORINHO E ATÉ FADO PORTUGUÊS

Dominguinhos foi um músico excepcional, um ótimo compositor e cantor de muitos recursos vocais.

Não foi à toa que Luiz Gonzaga de cara viu talento no menino de Garanhuns.

Ao partir para a eternidade o artista recebeu justas homenagens em sua terra natal e em todo o Brasil.

Muitos, no entanto, inclusive fãs do cantor e discípulos que se dedicam ao forró pé de serra, veem em Domingos apenas o sanfoneiro e o intérprete do legítimo forró.

Esquecem “De Volta pra o Aconchego”, bela canção composta em parceria com Nando Cordel e “Amizade Sincera”, esta uma pequena (ou seria melhor escrever grande?) obra-prima feita com Renato Teixeira, o autêntico representante da música sertaneja de São Paulo e do Brasil.

Por certo tem outras canções belas com participação de Dominguinhos que merecem ser citadas e que ecoaram pelos brasis na sua voz, ou de Elba, Fagner, Nando Cordel, Maciel Melo e tantos intérpretes respeitáveis dos ritmos nordestinos.

Aqui se escreve sobre músicas não caracterizadas como forró, sem querer minimizar a importância do gênero, que nos presenteou com canções belíssimas em versões do próprio Dominguinhos, Luiz Gonzaga, Fagner, Marinês, Elba, Flávio José, Gláucio Costa, Maciel Melo e outros cantores representativos da nossa cultura.

É preciso documentar que José Domingos de Moraes gravou, em 2012, em parceria com o poeta-compositor Xico Bezerra, natural do Crato (CE), um CD dos mais importantes de sua carreira. Porque nesse disco o artista mostra toda sua versatilidade e os toques de gênio da música popular brasileira.

O álbum em questão, gravado em estúdio do Recife – com exceção de três faixas – traz 12 músicas e supera os ritmos regionais para se tornar um trabalho decididamente universal. Xico e Dominguinhos incluíram apenas um forró e dois xotes no CD, completando o disco com uma variedade de ritmos e ou gêneros surpreendentes como sambas canção, samba, toada sertaneja, um fado e até um chorinho, tipo de música consagrada sobretudo por Pixinguinha, Ademilde Fonseca e Altamiro Carrilho.

Os cuidados com o álbum começam pela capa de muito bom gosto, toda num azul discreto com uma lua significativa se destacando no canto esquerdo. “Luar Agreste no Céu do Cariri”, é o título do disco, assinado por Dominguinhos & Xico Bezerra.

O CD abre com Dominguinhos cantando um expressivo forró, dividindo esta faixa com Waldonys. Depois vem Elba Ramalho, surpreendente, interpretando uma composição inspirada e capaz de provar que sanfona também combina com o choro. Temos Guadalupe, Maria da Paz, Maciel Melo e André Rio, este último entoando um bonito fado nascido da inspiração dos compositores do Ceará e de Pernambuco.

Nada é dispensável no trabalho. Podemos sim destacar algumas músicas, principalmente a última, “Lua Brasil”, a única composta por Xico Bezerra sozinho, mas que recebeu uma interpretação primorosa de Dominguinhos.

“Lua Brasil”, como reconhece no final o artista nascido em Garanhuns, é uma homenagem justa a Luiz Gonzaga. É de arrancar lágrimas dos que têm sentimento e amam tanto o eterno Lua quanto a boa música do Nordeste.

“na serra, da terra ouviu-se um cantar, astro-mór
um raio, um brilho, uma luz, fez-se um canto maior
ecoou mundo afora a partir desse sol do exu
e cantou, asa branca, acauã, transbordou pajeú
solo araripe, alma será, sons do brasil...” (sic)

Dominguinhos nesta música comprova que era um grande cantor. E, neste disco, feito um ano antes de se encantar, deixa suas digitais de artista genial, que preservou o forró, o baião, o xote, mas foi além dos ritmos nordestinos, abrindo a sua arte também para o chorinho de jeito carioca, o samba de rosto brasileiro e o fado de alma portuguesa.

O disco é imperdível e merece ser conhecido por todos os admiradores de Dominguinhos.

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