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terça-feira, 23 de abril de 2013

COMISSÃO ESCLARECE TUDO SOBRE O ASSASSINATO DE PADRE HENRIQUE

Após 45 anos da morte do Padre Antonio Henrique Pereira Neto com um crime que chocou religiosos e a sociedade pernambucana, a Comissão Estadual da Memória e Verdade oficializou que o assassinato do sacerdote teve motivação política. A comprovação do caso foi divulgada por membros da comissão na Secretaria Executiva de Justiça e Direitos Humanos, no bairro da Madalena.

Durante a coletiva de imprensa, o relator da Comissão, Henrique Mariano,  divulgou trechos de relatórios com informações que comprovam a causa do assassinato. Um dos indícios informados por Mariano foi o uso de escuta clandestina na época, aos telefones do Mosteiro de São Bento e da residência do Padre Antônio Henrique antes e depois de sua morte.

A Comissão Estadual da Memória e Verdade Dom Hélder Câmara apresentou quatro nomes envolvidos no assassinato do sacerdote. São dois jovens na época que pertenciam ao Comando de Caça ao Comunista (CCC) - Rogério Matos do Nascimento e Jerônimo Gibson Duarte. As outras pessoas envolvidas foram dos investigadores da Polícia: Rivel Rocha e Humberto Serrano de Souza.

Outra comprovação da motivação política foi ter sido encontrado o nome do Padre Henrique nos documentos do Equipo Docentes da América Latina (Edal). A instituição tinha como missão proporcionar cursos de conscientização política e social. Outras informações acessadas vieram do relatório do Serviço Nacional de Informações (SNI) que foram fornecidas pela Comissão Nacional da Verdade. Este último documento mostra que houve uma manipulação das conclusões finais do processo que iria indiciar as quatro pessoas envolvidas no crime.

Na coletiva, a irmã do Padre Antonio Henrique, Isaíras Padovan, também estava presente e relembrou que após sua morte foi procurada em sua residência por Jerônimo Gibson que ofereceu dinheiro para a família dela entregar Dom Hélder Câmara e silenciar sobre a morte do sacerdote. Ela contou ainda que a mãe do padre foi ameaçada de morte. “Nunca tivemos dúvidas que o crime foi político, só que não tínhamos provas para mostrar. Espero que a comissão torne isso público e que possam aprofundar mais e esclarecer mais coisas”, anseia.

GOVERNADOR PARABENIZA COMISSÃO

O governador Eduardo Campos elogiou o trabalho realizado pela Comissão Estadual da Memória e Verdade Dom Helder Câmara. Constituída há menos de um ano, a comissão esclareceu nesta semana a motivação e a autoria da morte do padre Antônio Henrique Pereira da Silva Neto, o Padre Henrique, crime de motivações políticas, praticado há 43 anos.

"Gostaria de parabenizar o relator Henrique Mariano e todos os membros da comissão pelo trabalho desempenhado nesse período de menos de um ano, desde que ela foi formada, em junho de 2012. Esse grupo tem tido uma postura de, com muito cuidado, ir a fundo na investigação para elucidar fatos que até agora permaneciam obscuros. A elucidação da morte do Padre Henrique, por exemplo, é uma demonstração da seriedade e do empenho dos membros da comissão", exaltou o governador.

2 comentários:

  1. Em 1980 eu fui estudar em Recife.Fiz cursinho no Colégio e Curso União quando me prepava para fazer vestibular.Era alí o meu começo de vida enfrentando todas as dificuldades possíveis e imagináveis para um jovem estudante que espirava chega a Universidade,um sonho de muitos e que somente poucos chegam lá.

    Ao sair de Lagoa Ouro para Estudar em Recife,fui morar na CASA DO ESTUDANTE DE PERNAMBUCO.Passei 6 anos na Capital Pernambucana.Frenquentei as bibliotecas das Universidade Federal Rural e da Universidade Católica de Pernambuco.

    Foi lá que eu comecei a gostar da leitura.De ler livros importantes e a bibliografia dos grandes homens e sonhar em concretizar meus estudos.

    Em Lagoa do Ouro ouvia muita gente falar em comunismo.E tinha um morador de meu pai que contava as histórias de D. Hélder Câmara como sendo um verdadeiro comunista.

    Todos os dias eu passava defronte a Igreja aonde morava D. Hélder Câmara na Rua Henrique Dias. Com o Tempo fui assistir algumas missas de D. Hélder Câmara na sua Igreja e depois no Colégio Salesiano.

    Foram vários anos para tirar da minha cabeça aquela imagem de que o Homem era uma figura perigosa para a nossa sociedade.Em todos os sermões que assisti percebi que não era aquilo que se falava em Lagoa do Ouro e muito menos na Capital Pernambucana de que o homem era um mal para o Brasil.

    As suas pregações eram baseadas e fundamendas na defesa dos mais pobres,dos mais humildes,daqueles que não tinham um teto para morar.Daqules que não tinham trabalho para sustentar a sua famíia e daqueles que moravam nos mangues e debaito dos viadutos.

    O homem somente falava em justiça, em amor, em igualdade social,em defender os pedintes,os miseráveis.Este foi o D. Hélder Câmara que eu conheci e quanto ao Padre Henrique ouvi muita gente falar, mas não conhecia sua história e sua bibliografia.

    Uma frase de D. Hélder Câmara que eu nunca esqueci: " meus irmãos orai sempre porque o espírito é forte, mas a carne é fraca".

    O Revm° Arcebispo de Olinda e Recife Hélder Câmara recebeu dezenas de Títulos de Doutor Honoris Causa pelo mundo afora .Era,finalmente, um guia espiritual para as crianças e jovens e a família como um todo em busca do saber, do amor, da sabedoria e da compreensão.

    Quantos Padres neste mundo de meu Deus não sofreram perseguições por falarem somente a verdade de Jesus Cristo, o Filho de Deus!

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  2. Hoje é muito fácil fazer política, todo mundo sabe criticar, falar mal dos governantes, muito abusa da democracia, e nada acontece. Será que estas mesmas pessoas de hoje teria coragem naquela época da ditadura fazer a mesma coisa? Hoje todo este que se acha o "dono da cocada preta", estão pegando o prato feito, muitos deles ignoram os heróis da época que tiveram a coragem de lutar pela democracia. Quando fui eleito presidente do Sindicato dos Bancários Garanhuns, para tomar posse, fui aconselhado pelo presidente de nossa Confederação a tirar o passa porte, pois a qualquer momento poderia ser obrigado a sair do País. Nas primeiras greves que comandei aqui, tinha comerciante que me proibia a entrar em seus estabelecimentos. O saudoso companheiro Zé Cardoso fazia à militância política as altas horas da noite em um jip de Ivan Rodrigues. Um primo e uma prima de minha esposa os dois médicos, fugiram para Araguaia, até hoje não se sabe onde foram sepultados. O Padre Henrique só foi um dos que foram sacrificados, muitos ninguém nem sabe.
    Sales/Garanhuns

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