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sábado, 22 de setembro de 2012

ANTÔNIO CALLADO - ESCRITORES BRASILEIROS - 20º

Antônio Carlos Callado nasceu em Niterói, numa família de classe média. Seu pai era médico, mas morreu quando o futuro escritor ainda era moço. Este então, teve de começar a trabalhar como jornalista. Iniciou no Correio da Manhã, como repórter, tendo passado também pelo jornal O Globo.

Em 1941 foi para Londres, ingressando na BBC como correspondente de guerra. Durante os anos que morou na Europa, com saudades do seu país de origem, leu praticamente toda a literatura brasileira. 

Retornou ao Brasil em 1947, voltando ao Correio da Manhã. Em 1954 seria promovido a redator-chefe do jornal carioca. Trabalhou também como editor da Enciclopédia Barsa e na década de 70 foi professor nas universidades de Cambridge, Inglaterra, e Columbia, nos Estados Unidos. 

Apesar da intensa atuação jornalística, desde a década de 50 dedicou-se também à produção literária. Em 1975 saiu do Jornal do Brasil, prestigiado matutino carioca, na época, para dedicar-se exclusivamente ao ofício de escritor. 

Antônio Callado anda um pouco esquecido, muitos das novas gerações desconhecem sua obra. Mas é um dos bons autores brasileiros da segunda metade do século XX, tendo produzido pelo menos uma obra prima, Quarup, romance adaptado para o cinema por Rui Guerra, numa versão sofrível. 

Recebeu prêmios literários importantes na Itália, Alemanha e Brasil. 

O escritor e jornalista era um homem de esquerda, engajado. Sua obra literária reflete suas posições políticas. Escrevia com elegância, pertencendo, como o pernambucano Osman Lins, a escola machadiana. 

Quarup (ritual indígena de celebração dos mortos), considerado o melhor romance de Callado, traça um painel do Brasil dos anos 50 até a instalação da ditadura de 1954. O personagem principal é o padre Nando, que vive uns tempos em Pernambuco e passa por uma crise como homem da Igreja. Posteriormente ele vai participar da vida política, descobre o sexo e o amor e começa a ter uma série de relacionamentos. Ele não faz simplesmente sexo, seja qual for a parceira. Cada uma recebe amor autêntico da parte do personagem. O sacerdote acaba deixando a Igreja Católica. 

Outros livros mais conhecidos de Antônio Callado são A Madona de Cedro, Assunção de Salviano, Reflexos do Baile, Sempreviva e A Expedição de Montaigne. 

Abaixo, um pequeno trecho do romance Quarup:

“Ninguém ia dormir cedo aquela noite no Posto Capitão Vasconcelos. Vilar transformava o trabalho do quarup numa espécie de violento folguedo. Com Vanderlei e Eleutério, com o Capitão Canato e os índios, Vilar foi buscar lenha da derrubada no campo de pouso e pôs-se a desbastar os paus para fazer dezenas de moquéns para moquear milhares de peixes. A febre se comunicou ao mulherio índio que armazenava o peixe já moqueado e abria caminho para os peixes das bombas. Os jiraus do moquém afogueados pelos braseiros transbordaram do terreiro, se esparramaram pelas cercanias. As tribos recém-chegadas davam sua mãozinha aos anfitriões. Cuias de caxiri circularam. Mulheres puseram-se a dançar em fila. E voltava Vilar segurando pela proa, acima da cabeça avermelhada pelo fogo, uma ubá com os últimos peixes, segurada na popa por Sariruá. A ubá foi despejada no meio do terreiro e até os curumins e cunhantãs às gargalhadas puseram-se a escamar peixe, a limpar peixe, a botar peixe nos moquéns.

(...) 

Foi preciso que o Fontoura interviesse, sombrio.
 — Agora chega de traquinadas, Vilar. Ainda faltam dias para o quarup.
 — Estamos no ensaio geral, velhinho — disse Vilar. 
— De mais a mais este não é o espírito em que eles se preparam para uma festa religiosa como o quarup — disse Fontoura. — Trabalham até a festa, exatamente no preparo da festa. Se você fizer tudo está roubando deles o espírito do quarup.”

(Principais fontes consultadas: Portal Educação/Terra; Infoescola – Biografias)

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