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segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

UM DEPOIMENTO SOBRE CRISTINA TAVARES

Recentemente o Jornal do Commercio publicou uma reportagem lembrando dos 20 anos da morte de Cristina Tavares. A matéria foi até reproduzida nos blogs de Ronaldo César e V&C Garanhuns. Aqui vai ser dado o depoimento de quem conviveu um pouco com a guerreira.

Minha admiração por Cristina Tavares começou em 1978, quando eu começava o curso de jornalismo na Universidade Católica de Pernambuco. O repórter tinha na época apenas 21 anos, inacreditável para quem já tem uma filha com 32 anos e dois netos.

Em 78 votei em Cristina para deputada federal, Mansueto de Lavor, que disputava o mandato de estadual e Jarbas Vasconcelos para senador. Todos concorreram pelo antigo MDB, o partido do enfrentamento à ditadura.

Na eleição de 1982, Cristina Tavares conseguiu me convencer a entrar na política em Capoeiras, minha terra natal. É que Marcos Freire disputava o governo tendo a desvantagem do voto vinculado e três candidatos do PDS, através do artifício da sublegenda, iriam concorrer, atrelando seus votos a Roberto Magalhães.

Entrei na aventura sem a menor noção do que era buscar o voto na zona rural, sem um tostão furado para comprar telha, cimento, óculos, remédios e outras coisas solicitadas pelo eleitor do interior.

Corajosos 220 capoeirenses aprovaram meu discurso contra a antiga Arena e a ditadura e eu, jovem recém formado, ganhei nas palavras do meu pai a experiência.

Isso não interessa, contudo, e sim Cristina Tavares. Era uma mulher corajosa, pragmática, culta, séria como poucos políticos que conheci ao longo da vida.

Foi amiga do escritor francês Jean-Paul Sartre. Por aí vocês imaginam o gabarito intelectual dessa mulher garanhuense legítima.

Em Pernambuco e no Brasil ela era respeitada por Jarbas, Marcos Freire, Arraes, Ulisses Guimarães, Tancredo Neves, Mário Covas. Esteve com eles em momentos importantes da vida do país. Dessa lista aí só o Jarbas está vivo. Lamentável.

Estive com Cristina em Garanhuns, São Bento do Una, Capoeiras, Angelim, Calçado, Lajedo e outras cidades do Agreste. Foi ela quem apoiou Samuel Salgado na sua primeira eleição em sua terra, em 1982. Aqui em Garanhuns ela deu um susto em Amílcar e Zé Inácio, ajudando o médico Pedro Hugo (irmão de Antônio de Pádua) a ter uma votação estrondosa na zona urbana. A deputada articulou a saída dos Dourado do PDS e a vinda deles para o campo popular, passando primeiro pelo velho PMDB.

Ulisses disse uma vez que as saias de Cristina valiam por muitas calças do Congresso Nacional.

Arraes e Cristina eram muito próximos, mas com a tal de "chapinha", inventada pelo ex-governador em 1990, a guerreira não renovou seu mandato. As esquerdas ficaram chateadas com o líder socialista. Além da garanhuense foram sacrificados antigos combatentes da causa popular, como Egídio Ferreira Lima, Osvaldo Lima Filho e Maurílio Ferreira Lima.

Aventura não é só para jovens, como eu era no início da década de 80. Em 1988, Cristina Tavares entrou numa roubada. Foi vice de Marcus Cunha na campanha para a prefeitura do Recife e perdeu feio para Joaquim Francisco, então o queridinho da capital.

A deputada disputou a eleição em Recife já com câncer. Durante a doença, escreveu um livro intitulado "A Última Célula", um relato de arrepiar sobre o que estava se passando com seu corpo e sua cabeça.

Resistiu durante alguns anos e morreu, deixando uma lacuna na política pernambucana que ainda não foi preenchida. 

Acredito que já escrevi isso uma vez, mas é tão interessante que vale repetir: Nilson Gibson também foi deputado federal e era um reacionário. Tinha sido pobre, mas conseguiu subir na vida e chegar ao Congresso Nacional. Uma vez, numa de suas brigas com Cristina, da tribuna, acusou a parlamentar do PMDB de ter traído sua classe.

Cristina Guerreira respondeu: "Trai mesmo. Nós somos dois traidores. Eu traí a burguesia, de onde saí e vim para o lado do povo. Você traiu a pobreza, pois veio de lá e foi para o lado dos ricos".

Essa é a Cristina Tavares que conheci. E Garanhuns, segundo o idealista Paulo Camelo uma cidade dominada pela Legião Estrangeira, não sei porque diabos nunca fez uma homenagem digna a um dos seus filhos (no caso filha) mais ilustres: a deputada, jornalista e escritora Cristina Tavares Correia.

Na foto acima, de 30 anos atrás,  o jornalista ainda um "menino" e a deputada "boa de briga".

7 comentários:

  1. Bonito e terno relato, Roberto.

    Acredite que quer ler isso se torna vítima, ainda que discretamente, de um leve arrepio.

    Abraço.

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  2. Roberto, aproveito seu, o nosso, o blog que é a voz do povo, que realmente tem prestado um grande serviço para fazer uma denúncia : Sou caminhante do parque Euclides Dourado, a pouco dias iniciaram uma construção de um banheiro ao lado daquela barraca em frente ao Hospital D. Moura virado para dentro do parque, pois bem, fizeram a sapata depois desistiram, (a sapata tá lá), e iniciaram novamente a obra ou melhor outra cagada ao centro da pista não observando que logo terão que cortar 4 pés de eucaliptos. Vejamos dentro da academia da cidade existe banheiros só para quem é da unimed, existe banheiros no prédio da biblioteca dentro e do lado de fora que poderiam serem usados pelos caminhantes, tendo espaço ao lado da tal academia da (unimed) é porque só eles podem usar, indignado com o despedi-cio do dinheiro público e não adianta reclamar pois lá só tem incompetente, o M.P. dizem que depois do terreno ganho também não adianta uso seu blog para o população tomar conhecimento de tamanha despedi cio de dinheiro público sem planejamento.Tomará que logo acabe essa famigerada administração, se não nossa Garanhuns irá para o buraco, basta ver as praças, ruas os mato tomando conta, os buracos a sujeira e os esquemas da administração. Maria Clara Vilela

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  3. Parabéns Roberto. Realmente Garanhuns precisa conhecer mais suas histórias e prestigiar esses grandes nomes.

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  4. Garanhuns é ingrata com seus filhos e generosa com os forasteiros.

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  5. Precisamos valorisar, mais , os valores que temos pois são essa e outras historias, que muita pessoa não tem conhecimento, e os que tem devem fazer com que a juventude de o valor merecido . VIVA CRISTINA,que repesentou muito bem a região e a classe feminina. Parabens ROBERTO.

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  6. Belo artigo Roberto, realmente Garanhuns é uma cidade enigmática, como Cristina Tavares , que tive o prazer de conhecer e conviver, muitos Garanhuenses carecem de uma homenagem pelo que foram e fizeram pela nossa Cidade, é impressionante o descaso como muitos são totalmente esquecidos.Jose Mário Corrêa de Oliveira, publicitário,mora em Recife e filho de Garanhuns.

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  7. lembro de uma vez que o senhor me levou para uma das campanhas eleitorais em que ela iria discursar. foi marcante para mim aquele momento. mesmo tendo tanto destaque tem pouca bibliografia e livros sobre ela. uma pena para o País e nosso estado que mereciam valorizar melhor esta guerreira.

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