sábado, 26 de novembro de 2011

LAWRENCE DA ARÁBIA - FILMES INESQUECÍVEIS - 68º

Lawrence da Arábia foi o arrasa quarteirão de 1962, ano em que o Brasil conquistou o bicampeonato mundial. O longa conquistou sete Oscars da Academia, incluindo os de Melhor Filme e Melhor Direção.

O diretor de Lawrence, David Lean, que faleceu no início da década de 90, realizou outros grandes trabalhos para a tela grande, sendo reconhecido como um dos maiores perfeccionistas da sétima arte. Doutor Jivago, Passagem para a Índia, A Maior História de Todos os Tempos, A Filha de Ryan, A Ponte do Rio Kwai, O Grito da Carne e Grandes Esperanças são algumas das obras primas do inglês.

Lawrence da Arábia começa em 1935, quando o personagem principal, interpretado por Peter O´Toole desenvolve alta velocidade numa motocicleta, por uma estradinha curiosa. Ele sofre um acidente e a partir daí sua história extraordinária vai sendo contada em flashback.

Em 1916, quando da primeira guerra mundial, o jovem tenente inglês estava no Cairo, capital do Egito, quando aceita ser transferido para a península Árabe, região em que diferentes tribos não conseguiam se unir e eram usurpadas pelos turcos.

Lawrence era excêntrico, um militar diferente, indisciplinado, do ponto de vista de alguns ou mesmo um louco, podiam avaliar outros.

No deserto, porém, se revela um homem de grande paixão e coragem, além de um bom estrategista.

No filme, de 226 minutos nas cópias disponíveis em DVD, a maior parte das cenas são rodadas no deserto. Isso permite ao trabalho de David Lean muita originalidade e uma beleza quase surrealista.

O tenente aos poucos vai conquistando os árabes e conseguindo fazer com que as tribos esqueçam suas diferenças em torno de um objetivo comum.

Surpreendendo seus superiores ingleses, Lawrence comanda os Árabes para a conquista de Aqaba, uma vitória espetacular contra os turcos saboreada pela Inglaterra e a França. Esses dois países, que então praticamente dominavam o mundo, fazem política através de seus representantes e simplesmente usam o talento do jovem tenente, promovido a major após seu primeiro grande triunfo.

O filme mostra a hipocrisia dos comandantes militares e da política, e que os países, ontem como hoje, colocam em primeiro plano seus interesses. O poder é o que está efetivamente em jogo e não há espaço para o idealismo entre os pragmáticos.

Noutro momento forte da história o inglês amigo dos árabes é preso e torturado pelos turcos, em Deraa. Sai com vida, mas abalado. Depois comanda tropas num verdadeiro massacre em Tafas, quando o próprio Lawrence parece enlouquecido matando indistintamente como se a morte tivesse passado a ser o objetivo.

David Lean foi um diretor que impressionou tanto os cineastas que vieram depois dele, principalmente através de trabalhos como Doutor Jivago e Lawrence da Arábia, que o americano Steven Spielberg admite abertamente a influência do inglês. O diretor de ET e A Lista de Schindler tinha tal apreço pelo diretor que colaborou intensamente na restauração do premiado filme de 1962, para que hoje tivéssemos acesso a cópias do longa na íntegra, mantendo todo o brilho do original. Outro renomado nome do cinema americano, Martin Scorsese, igualmente era fã de “Lawrence” e seu autor, tendo sido um dos que ajudaram Spielberg nessa tarefa de restauração.

Tudo nesse épico inesquecível do cinema inglês funciona quase que à perfeição. O modo como a história é contada, com um estilo quase que literário, o elenco escolhido, à frente Peter O´Toole, e incluindo ainda grandes atores da época, como Anthony Quinn e Omar Sharif.

A trilha sonora, os figurinos, as batalhas, as cenas no deserto, alguns pores de sol mostrados em meio a aridez das areias, proporcionando um contraponto de rara beleza.

Enfim, Lawrence da Arábia é um filme completo, que envolve desde os primeiros minutos e não cansa, apesar das mais de três horas de exibição. Mesmo após mais de 40 anos, impressiona pela impecável fotografia e um colorido espetacular, levando em conta o tempo em que foi rodada a produção. Vale salientar que a história contada no cinema tem roteiro baseado nas memórias do próprio T.E. Lawrence.

Um clássico imperdível que pode ser encontrado facilmente na internet ou em algumas lojas de departamentos. (Fontes: DVD do filme, 1001 Filmes para ver antes de morrer).

*Alguns filmes já comentados nesta série:

1. Luzes da Cidade
2. O Grande Ditador
3. Janela Indiscreta
4. Um Corpo que Cai
5. Casablanca
6. ET - O Extraterrestre
7. Uma Linda Mulher
8. Do Outro Lado da Vida (Ghost)
9. A Felicidade não se compra
10. Os Brutos Também Amam
11. Mississipi em Chamas
12. Um Sonho de Liberdade
13. E o Vento Levou
14. O Silêncio dos Inocentes
15. O Poderoso Chefão
16. O Exorcista

Nenhum comentário:

Postar um comentário