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GERALDO AZEVEDO - GRANDES DA MPB - 67º

Há poucos dias fiz uma postagem no blog sobre Geraldo Azevedo, a partir de uma excelente entrevista do músico pernambucano no programa de Jô Soares. No momento em que assistia o vídeo decidi que o cantor seria o próximo artista da série Grandes Nomes da MPB. Vem se juntar a outros nomes importantes do Estado no cenário artístico-musical, como Luiz Gonzaga, Capiba, Alceu Valença, Dominguinhos e Lenine.


Geraldo Azevedo de Amorim nasceu em Petrolina, às margens do Rio São Francisco, e segundo ele próprio confessou a Jô Soares, na entrevista citada, viveu na roça até os 13 anos de idade. Teve sonhos de seguir uma profissão formal, mas a música estava dentro dele desde os tempos de criança.

Aos 12 anos, ainda na terra natal, já tocava muito bem o violão, instrumento que dominou na condição de autodidata. Em 1963 fez a viagem de muitos: deixou o interior e se fixou na capital pernambucana. No Recife conheceu  logo que chegou o instrumentista Nana Vasconcelos, hoje de fama internacional, e Teca Calazans, uma formidável cantora, que infelizmente nunca recebeu o devido merecimento por parte do público e da crítica especializada.


Quatro anos depois foi a vez de Geraldinhho conhecer a cantora Eliana Pitman, que estava então em evidência e o levou como músico acompanhante para o Rio de Janeiro. Reencontrou Naná na capital carioca e juntamente com ele e outros companheiros forma o Quarteto Livre, que acompanha Geraldo Vandré em shows pelo país. Era a época mais pesada da ditadura e o autor de “Pra não dizer que não falei de flores” incomodava os generais de plantão. Os dois Geraldos e todos do Quarteto tiveram problemas com o Governo Militar e o grupo se dissolveu.

Em 1972, juntamente com Alceu Valença, Geraldo Azevedo participa do Festival Internacional da Canção do Rio de Janeiro. A apresentação teve ainda a participação do lendário Jackson do Pandeiro e os artistas pernambucanos chamaram a atenção.

Contratados pela gravadora Copacabana, após a apresentação no Rio, Geraldo e Alceu lançaram o primeiro disco juntos, dividindo as faixas. Um trabalho bonito, com todo o talento dos pernambucanos já bem evidente. Destaque, nesse vinil, para músicas como Talismã, Planetário, Me dá um Beijo e Seis Horas. Foi ouvido em pequenos círculos, no Recife, mas não aconteceu nacionalmente. Os cantores possivelmente estavam à frente do seu tempo, estreavam com muita ousadia e aquele som somente seria compreendido alguns anos depois.

Elba Ramalho, a quem Geraldinho conheceu em 1975, gravou do compositor de Petrolina canções como Barcarola do São Francisco, Em Copacabana e Caravana, contribuindo muito para projetar o artista.

Bicho de Sete Cabeças, disco de 1979 do cantor (o primeiro somente seu) é um trabalho mais elaborado. A faixa título, juntamente com Táxi Lunar, se tornaram grandes sucessos e ainda hoje estão entre as mais pedidas dos seus shows.

No ano seguinte Azevedo lança mais um disco e são criadas as canções mais representativas de sua carreira, principalmente Dia Branco, uma música incrível que o Brasil ouve há mais de 30 anos e parece gostar cada vez mais. De quebra o vinil  Inclinações Musicais traz Moça Bonita e Canta Coração, dois outros grandes sucessos do pernambucano.

O próximo trabalho do petrolinense seria For All Para Todos, uma proposta de resgatar as origens do ritmo nordestino consagrado por Luiz Gonzaga.

Em 1984, um Geraldo já maduro e respeitado no cenário da música brasileira vai excursionar no exterior. Faz shows na França, Itália, Suíça e até em Moscou.

No ano seguinte, no Brasil, lança Tempo Tempero, cantando de Luiz Gonzaga a Bob Dylan e tendo convidados nesse disco os paraibanos Elba e Zé Ramalho.

Dois anos depois faz apresentações no Uruguai e na Martinica. No Brasil, faz uma parceria com Elomar, Xangai e Vital Farias e espalha uma grande Cantoria pelas quatro regiões do país. O show se transforma num disco histórico, reunindo grandes talentos da música e mostrando todo o poder dos nordestinos na história da MPB.

Mais adiante, uma nova parceria, desta vez com Zé Ramalho, Alceu Valença e Elba Ramalho dá origem ao Grande Encontro, que se transforma em show e disco. O sucesso é tanto que foram lançados mais dois trabalhos, o último deles também com a participação de Lenine, Moraes Moreira e Belchior. Novamente os nordestinos com a bola toda.

Aos 66 anos, Geraldo Azevedo continua produzindo, está em forma. É um artista coerente, com um rico repertório e uma voz doce, agradável, na medida para o tipo de música que compõe e interpreta. Seu mais recente trabalho, lançado em CD e DVD é Salve o São Francisco, com todas as músicas relacionadas com o "velho Chico", envolto em discussões por conta do projeto de transposição de suas águas. Alceu Valença, Maria Betânia, Dominguinhos e Ivete Sangalo estão entre os participantes desse projeto do incansável Geraldinho. Orgulho de Petrolina, de Pernambuco, da boa Música Popular Brasileira. (Principal fonte de consulta: Site Oficial de Geraldinho).

DIA BRANCO - Ao clicar no nome da música, toda em maiúsculo, você acessa um vídeo de ótima qualidade com Geraldo Azevedo interpretando uma de suas mais belas canções.


Fotos: 1) Geraldo Azevedo na atualidade, à beira do Rio São Francisco; 2) Capa do primeiro disco do artista, lançado em parceria com Alceu Valença.

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