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segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

FILMES INESQUECÍVEIS (39)

A TESTEMUNHA

Peter Weir é um diretor de cinema australiano, radicado desde os anos 80 nos Estados Unidos. O cineasta é responsável por pelo menos dois filmes que nunca me saíram da cabeça: Sociedade dos Poetas Mortos, já comentado nesta série, e A Testemunha, resenhado neste texto para quem já assistiu ou deseja ter o prazer de ver pela primeira vez esse espetacular produto da sétima arte.

Weir dirigiu também o Show de Truman, com Jim Carrey, mas embora seja este um bom filme preferimos os dois citados acima, aliás os dois trabalhos com maior bilheteria do australiano, inclusive cada um deles com meia dúzia de indicações ao Oscar.

A Testemunha mistura na dose certa o drama, o suspense policial e desperta um curioso interesse antropológico ou sociológico no espectador ao praticamente apresentar para o mundo, em 1980, uma comunidade de americanos chamados de Amish. Um povo estranho, avesso a vida urbana e às conquistas da sociedade moderna.

Os Amish, que são uma atração à parte no filme, usam carroças em vez de automóveis, preferem o campo às cidades e nem mesmo aceitam os benefícios da luz elétrica. Estão presentes na ficção como na vida real e não têm como não levar o cidadão que observa o seu modo de vida a raciocinar, a questionar certos valores dos séculos XX ou XXI.

“Esses caras são loucos, são fanáticos? São pessoas que apostam no atraso, estão contra o progresso. Essa comunidade faz as pessoas mais felizes. Talvez eles estejam certos, nós errados”. Tudo isso pode vir à cabeça de quem conhece os Amish através do filme A Testemunha, porque o diretor foi muito honesto e generoso ao retratar como é essa comunidade americana.

Depois da competência do diretor e dos Amish, quem engrandece o longa de Peter Weir é o ator Harrison Ford num dos melhores papeis que desempenhou até hoje. Um crítico do Portal R7, da Record, foi muito feliz, ao comentar este filme quando ele completou 25 anos de seu lançamento. Na opinião do jornalista, foi com A Testemunha que Ford provou que podia ir muito além de Indiana Jones e explorar seus talentos de ator dramático.

Neste já clássico thriller dos anos 80, Harrison interpreta um policial, John Book, escalado para proteger um garoto Amish testemunha de um assassinato. A vítima é um "homem da lei" e o criminoso é um colega de farda. Só o garoto sabe este segredo e vão fazer de tudo para tentar mata-lo.

John Book sai da cidade e se refugia com o menino na comunidade de tradições dos séculos XIX e XVIII. É ferido durante a trama e vai ser cuidado pelos familiares do garoto e pela mãe deste, Rachel Lapp. Pinta um clima de paixão, mas a visão do mundo dos dois é completamente diferente.

O filme se passa quase todo no campo, com belos cenários e o charme do povo que não tem acesso à televisão ou rádio, trabalha no campo e usa roupas longas, como túnicas, em tons pretos ou brancos.

Neste ambiente é que Book e seus novos amigos vão passar por grandes perigos e o suspense vai tomar conta dos cinéfilos, levando a uma torcida inevitável a favor do mocinho na luta contra os vilões.

O garoto, a mãe do menino, Samuel, o líder da comunidade e John Book/Ford vão prender a atenção dos espectadores deste filme aparentemente despretensioso e que se tornou um clássico do cinema moderno americano.

É um trabalho relativamente fácil de achar nas locadoras, na internet e que vai passar na próxima sexta-feira no Tele Cine Cult. Vale a pena ver ou rever e, como escrevi no início, vai ser difícil depois conseguir tirar da cabeça. Peter Weir realizou um trabalho de extremo bom gosto, usou de muita sensibilidade e conquistou a América e o mundo a partir de A Testemunha.

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